<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872</id><updated>2012-02-09T13:48:57.243-02:00</updated><category term='palhaço'/><category term='selos'/><category term='sonho'/><category term='estréia'/><category term='rafaela russo'/><category term='ética'/><category term='aniversário'/><category term='mágia'/><category term='amizade'/><category term='indignação'/><category term='para um amigo'/><category term='el amor'/><category term='felicidade'/><category term='amor'/><category term='cantiga'/><category term='ausência'/><category term='família'/><title type='text'>Vestígios do Dia - blog de Jânio Dias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7158509480451958361</id><published>2009-12-24T02:43:00.005-02:00</published><updated>2009-12-24T03:19:17.881-02:00</updated><title type='text'>Pretérito Imperfeito</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLys54mVYI/AAAAAAAAAX0/pe6toybI7v4/s1600-h/Agatha+Katzensprung2.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418660154946508162" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLys54mVYI/AAAAAAAAAX0/pe6toybI7v4/s400/Agatha+Katzensprung2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;imagem: &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Agatha Katzensprung&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Nasceram flores num canto de um quarto escuro&lt;br /&gt;Mas eu te juro meu amor, são flores de um longo inverno”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PPqaGpRh3bE"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Otto, em 6 Minutos&lt;/span&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria que você soubesse que naquele dia em que te vi do outro lado da rua atravessei as paredes do meu orgulho como quem ignora os tijolos erguidos no esquecimento de nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que antes de ultrapassar a linha imaginária que delimitava o repouso e a segurança do encontro de nossos ombros, tive o cuidado de não olhar para os lados da rua na incerteza insólita de ser atingido, atropelado e morto, levando para sempre comigo a imagem estática de seu sorriso preso à minha retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que quando nos abraçamos naquela manhã de feira livre na minha rua, o cheiro do seu cabelo impregnou as raízes do meu olfato contaminando a respiração da minha memória. Cada piscadela de meus cílios eram flashes cortantes do tempo em que juntos adormecemos o sono do desejo, amordaçamos os lábios da espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que quando me perguntaste se eu estava bem, gostaria de ter ido além da mera e burocrática confirmação e exposto o quanto me sentia feliz naquele momento em revê-la após tanto tempo de silêncio guardado nos olhos das intenções que viraram palavras suspensas na esfera do arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que no instante que lhe disse que estava de folga não esperava que abrisse mão do seu dia, mas que compartilhasse comigo a vontade de querer sem poder fazê-lo. E que torci para que não pedisse para eu te ligar, mas sim que dissesse que você me ligaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que me ocorreu de forma tola e repentina a vontade de lhe contar que agora tenho em meu quarto um quadro metálico com fotos semelhante ao que você tinha no seu escritório e que nele também há um retrato seu, bela e jovem, cabelo longo e solto espalhado pelo vento da estrada, descobrindo as sardas e o vermelho do sol dos seus ombros. Se eu tivesse mais tempo teria lhe contado também que encontrei e revelei um tubo de filme fotográfico antigo, quase que perdido, com imagens nossas, e que a alegria e ternura ali registradas reforçam o caráter intrínseco da nossa intensa e estreita amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que outro dia, do alto do terceiro andar, de frente para a parede de vidros, enquanto corria na esteira da academia para alcançar as batidas da canção que saiam flutuando dos fones do ipod, eu vi você passar calmamente caminhando pela calçada da rua, pisando docemente leve e provocante, quase que irritando o meio fio; por pouco não me jogo em uma das janelas e grito seu nome, por pouco você não olhou para cima e em minha direção. E assim que lhe perdi de vista, fechei os olhos e me imaginei infantilmente atravessando os estilhaços da janela para te alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que ainda lembro da nossa intuição revestida de medo à espera do dia em que nossos abrigos seriam ninhos distantes. Nosso temor era a chegada dessa falha na percepção do desequilíbrio amoroso que não nos orienta quando o encanto se vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E queria que soubesse que ainda lembro dos cafés daquele último inverno e das tardes que tanto me afligiram. De todos os nossos esforços para emplacar a esperança e de todos os nossos cantos. Da vez que descemos a serra e enquanto freava para não tocar o veículo da frente, tentava alcançar com uma das mãos o par de presilhas de cabelo com rostos de menina que estava embaixo do banco para te dar de presente, o qual eu chamei de Maria e Elisa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que ainda me visitam em sonhos parcos as paradas dos ônibus que eu pegava para chegar a sua casa e que isso me faz recordar do tanto que me perdi quando tentei ir de trem. Que o portão da tua escola de alguma forma está associada à canção do Smiths que te acompanhava. Que o ciúme severo de tua irmã hoje me faz rir pois me remete a vez que fingimos estudar na cozinha. Que quando é madrugada sem luz, lembro da noite que de tanto que choveu, houve um blecaute em todo o bairro; nossos beijos eram as lamparinas da garagem. Lembro como se não soubesse que você também nunca esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que quando rasteiramente sua voz como um sussurro que se dúvida a exatidão invadiu meus ouvidos em formato de confissão dizendo que sentia saudades, meus joelhos dobraram-se em forma de V a centímetros de sentimentos do chão. E que quando ligeiramente me convidou para segui-la, minha negativa foi um sim que aguarda a confirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse que assim que nos despedimos, infinitos três minutos e trinta e três segundos depois, o tempo congelou e retornou - como se nossas vidas coubessem em uma xícara preenchida por uma canção rock-pop de amor - numa sucessão de horas de dias passados que me contenta e desalenta, me derruba e reinventa, por ter vivido o possível e não o imponderável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que soubesse tanta coisa e tão pouca quanta não seria capaz de contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7158509480451958361?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7158509480451958361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7158509480451958361&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7158509480451958361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7158509480451958361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/12/preterito-imperfeito.html' title='Pretérito Imperfeito'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLys54mVYI/AAAAAAAAAX0/pe6toybI7v4/s72-c/Agatha+Katzensprung2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3974125125811929693</id><published>2009-06-24T23:11:00.003-03:00</published><updated>2009-06-24T23:23:45.182-03:00</updated><title type='text'>Maria Elisa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SkLfLqu3sMI/AAAAAAAAAWg/VXHqpaIqRys/s1600-h/Agatha+Katzensprung1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351084698812002498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 391px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SkLfLqu3sMI/AAAAAAAAAWg/VXHqpaIqRys/s400/Agatha+Katzensprung1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;imagem: Agatha Katzensprung&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Half of what I say is meaningless&lt;br /&gt;But I say it just to reach you,&lt;br /&gt;Julia”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;The Beatles, em Julia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Era uma tarde de sábado de fim de inverno. As flores dos pés de ipê enfeitavam o caminho. Pisávamos sobre o meio fio da calçada com sapatos atentos para desviarmos das cores ora amarela, ora roxa e branca que embelezavam o chão. A temperatura caia devagar como nossos passos a caminhar até a estação do metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Lucio e eu íamos recepcionar algumas pessoas do fã clube “Metal Contra as Nuvens” da Legião Urbana em retribuição a festa que havíamos visitado como convidados especiais. Nada podia ser mais pueril do que um intercâmbio de fã clubes da mesma banda. Uma década antes e um encontro assim seria um ato político. Em nossas cabeças política era debater sentimentos em letras de canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contornamos a última curva em direção ao metrô, paro por meio segundo e recolho uma flor caída sobre o asfalto, olho para a entrada da estação e penso se ela também estaria entre os convidados daquela tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistamos o grupo pelas estampas inconfundíveis das camisetas. Apesar do vento frio que percorria o interior da estação, os agasalhos ficavam abertos para exposição de um tipo raro de orgulho que carregávamos no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles também nos reconhecem e se aproximam. Um grupo de cinco pessoas e apenas uma menina. Repasso com pressa as cortesias masculinas. Ignoro os rostos com qualquer sinal de pêlos. Só tenho olhos para a moça que protegia as mãos nos bolsos do casaco jeans não abotoado. Um sorriso gentil de que eu já te conheço é lançado. Largo os olhos no movimento ligeiro de seu corpo em minha direção, e com apenas uma das mãos, apóia meu rosto contra suas bochechas rosadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ela, a menina da bandeira, agora como visitante. Rapidamente aprendo seu nome. Tudo fica mais fácil quando se conhece a palavra que se designa uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Oi!; desculpe a mão gelada, é onde costumo sentir mais frio.&lt;/em&gt; Diz retornando os dedos para o bolso do casaco e encolhendo o queixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não se preocupe, o apartamento é aqui perto. Logo você se sentirá melhor. Apesar de que lá faz muito frio também, talvez você precise de mais uma blusa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Talvez eu aceite um par de luvas!&lt;/em&gt; Replica mordendo o lábio inferior, inclinando a cabeça levemente sobre o ombro esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento da estação rente aos meus cílios é um silêncio revelador. Ao contrario das mãos dela, as minhas suam. Se ela precisa de mais agasalho, eu posso doar o meu. Diferente do combinado, sinto vontade de mandar todos embora: seus amigos, meu amigo e todas as outras pessoas que nos esperavam no apartamento. Queria aquela tarde para saber bem mais do que apenas seu nome. Queria bem mais do que dividir nossa experiência de shows. Queria bem mais do que a narrativa de algumas histórias. Queria lhe oferecer minha boca para aquecer seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quase que podia vê-la entrando sozinha no quarto e abrindo a segunda gaveta da direita, debaixo para cima do guarda roupas e escolhendo um par de meias. Quase que podia imaginá-la saindo do banheiro só de toalha e andando descalça pela sala para depois me pedir para aquecer seus pés. Quase que podia sentir a fragrância da paixão percorrer os braços dos meus óculos. Quase que ainda posso tocá-la só de pronunciar seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Elisa. Nunca mais esqueci esse lindo nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Elisa. Cabelos negros ondulados em contraste com a pele branca, lisa qual cerâmica a escorregar. Olhos de amêndoas descascadas, lânguidos e repuxados como a provocar um mistério entre o norte e o oriente. Lábios lascivos de exclamações invertidas a duvidar de sentidos e intenções. O grande prazer dos sentidos é não exigir razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro agora que naquela tarde eu não tinha luvas para te emprestar, mas levaste minha blusa de lã e uma flor roxa contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sei por que sempre olho com carinho para todo pé de ipê que amanhece desagasalhado para minhas retinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3974125125811929693?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3974125125811929693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3974125125811929693&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3974125125811929693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3974125125811929693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/06/maria-elisa.html' title='Maria Elisa'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SkLfLqu3sMI/AAAAAAAAAWg/VXHqpaIqRys/s72-c/Agatha+Katzensprung1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4782400017604675433</id><published>2009-06-19T23:39:00.005-03:00</published><updated>2009-06-20T00:55:03.438-03:00</updated><title type='text'>Menina da Bandeira</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjxZg5edrZI/AAAAAAAAAWY/8WmU7WCPpQY/s1600-h/Agatha+Katzensprung.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349248879128587666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjxZg5edrZI/AAAAAAAAAWY/8WmU7WCPpQY/s400/Agatha+Katzensprung.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Agatha Katzensprung&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“In the moonlight&lt;br /&gt;you'll dance 'til you fall,&lt;br /&gt;and always be here in my heart”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Travis, em Follow The Light&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez que a vi, ela estava em uma festa, ou melhor, em uma celebração. Celebração da alegria juvenil revestida de amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amizade adolescente, docemente ingênua e irresponsável. Ela estava lá, docemente responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- A bandeira do Brasil é sagrada, não faz isso menino.&lt;/em&gt; Ele não fez; acho que mesmo sem saber o que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava ela, entre a seriedade e o clima feliz da festa. Olhou em minha direção como quem percebe algo diferente na sala de casa. Para minha própria surpresa, joguei-lhe um afoito sorriso. Tendo certeza de que era com ela, desviou o rosto vermelho de inverno, para em frações de segundos que se sente na aceleração do coração, devolver-me um semblante protegido e altivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum amigo seu acena e nossos olhos se desviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume do som aumenta como convite para que as pessoas parem de conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo-me alheio entre tantas pessoas desconhecidas, limitei-me a ficar por perto, algo como um discreto estranho a observá-la. Contente, ela dançava e cantava celebrando. Aproximei-me um pouco mais, e lhe joguei outro sorriso, mas ela continuou dançando e cantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me movi e fiquei quase uma canção inteira respirando seus movimentos. Como se eu fosse puxado por uma das mãos, passei a cantar e dançar também. Os braços balançavam desajeitados, os pés quase que se desprendiam do chão, a letra da musica guiada por tantas vozes era quase uma oração, e tantas outras bocas em volta complementavam um suposto balé de expressões faciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume diminui, o vinil parece estar sendo trocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu acena e nossos olhos se encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém nos apresenta, não presto atenção ao seu nome. Falamos rápido, atropelando uma seqüência óbvia de apresentações. Substituímos o “onde você mora” por brevidades sobre a última música, a música preferida, a próxima canção. Nossos lábios brilham os batimentos de nossos ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio repentino de olhares se faz e comento sobre a bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Você viu, o menino parecia querer cheirar as estrelas do cruzeiro do sul.&lt;/em&gt; Fala com as sobrancelhas irritadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais rápida do que eu poderia raciocinar, me faz um convite: - &lt;em&gt;“Entra para o nosso fã clube”.&lt;/em&gt; Fico desconcertado. Lisonjeado. Não entrarei; pertenço a um outro grupo de Amigos. A imagem congela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de pessoas a tira de perto, outras falam comigo. Tudo bem, tenho que aceitar, estava ali para conhecer o pessoal daquele outro fã clube da Legião. O que se deseja não demora a acontecer, havia lido em algum livro do suposto talento da literatura contemporânea nacional. Nossos olhos se encontrarão em outro momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite passa veloz. A aurora do galo roseia o céu. É hora de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento de despedidas. Apertos de mãos, abraços, sorrisos suspensos sob uma lua que já se despediu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Até outro dia.&lt;/em&gt; Ouço ao longe. Retorno o corpo, giro rápido o olhar. Lá está ela, imóvel. Congelo outra vez a imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Venha mais vezes, volte quando quiser.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal a vejo dos degraus de onde avisto uma mão a desenhar um tchau em retirada. Retribuo com um aceno seco, um sorriso pálido e lento, sem certeza dos passos que preciso dar para ultrapassar a linha do portão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa acabou. A rua é uma língua longa e fria que clareia devagar, mas não junta pedras espalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou embora, sem saber seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4782400017604675433?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4782400017604675433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4782400017604675433&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4782400017604675433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4782400017604675433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/06/menina-da-bandeira.html' title='Menina da Bandeira'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjxZg5edrZI/AAAAAAAAAWY/8WmU7WCPpQY/s72-c/Agatha+Katzensprung.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-8050820661536992236</id><published>2009-06-12T21:33:00.003-03:00</published><updated>2009-06-13T13:45:15.472-03:00</updated><title type='text'>Veja Essa Canção</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjL2eHelzsI/AAAAAAAAAWQ/zKzoGQUyM18/s1600-h/PB5611.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346606704906063554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjL2eHelzsI/AAAAAAAAAWQ/zKzoGQUyM18/s400/PB5611.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Se um dia fores embora&lt;br /&gt;Te amarei bem mais do que esta hora”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Legião Urbana, em Música Ambiente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acaso acontecer de não mais vê-la, saiba que ainda estarás comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu passe caminhando em frente a sua casa, olhe para sua janela, torça para que seus olhos percebam o balanço de meu cabelo dançando com o vento, saiba que minha vontade de entrar ficou suspensa no número do seu endereço. Minha vontade de entrar é a segurança de que você é feliz quando sai e quando volta para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais te leve à nova mostra de cinema, à próxima bienal do livro ou à exposição dos dinossauros, saiba que a descoberta do novo é tão importante quanto o aroma das uvas envelhecidas. O equilíbrio entre o sabor do passado já conhecido e a observação de perto do que vem depois é a inovação do presente. Mesmo que não seja eu a sua companhia, as digitais de seus dedos ainda estarão dentro de meus bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais te escreva, mesmo que você não mais me leia em lugar algum, saiba que os sons das suas vogais sempre influenciarão a entonação da minha leitura em todo poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais revise o carro e encha o tanque para descermos a serra com a leviana intenção de molharmos os pés e marcarmos nossos passos na areia para em seguida voltarmos, saiba que toda onda que se aproxima de minha sandália é um dilúvio que não altera ou apaga nossas pegadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais lhe envie flores em seu aniversário e não mais me desculpe pela confusão que sempre faço com datas, saiba que todo lírio e todo amor-perfeito sempre exalam a sua presença; e que todo pequeno cartão em branco é um complexo desafio de ser preenchido sem que você comece a primeira frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que você não mais me avise de suas viagens ou comente após a volta das belezas que descobriu, saiba que quando viajo cada par de meias é escolhido imaginando a sua aprovação. Os colarinhos de meus casacos só acomodam o nó do cachecol que você me ensinou a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais use em meus dedos o anel com seu nome impresso no lado de dentro, saiba que este que uso hoje e vive passeando entre o polegar, o indicador e o dedo do meio de ambas as mãos, tem o desenho de uma lua e uma estrela (eu sou a lua); e que antes deles já existia o meu amor, e que depois permaneceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais lhe pergunte sobre seus pais, saiba que carrego diariamente comigo um ramo de estima e afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que eu não mais contorne as cores dos seus dias, saiba que cada lápis de cor daquele estojo que me destes é uma alma viva sobre o relevo de minha pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que nossas vozes não mais conflitem os gritos dos apaixonados, a lembrança de sua língua ainda silenciará os relâmpagos externos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que nossa fúria não mais alimente a intensidade de nossos lábios ao se chocarem, a insônia de nossas noites adormecerá o horizonte do meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se amanhã eu não mais tiver seu beijo antes de me encontrar com o sono, se eu não mais sentir meus joelhos dobrados em suas costas, se eu não mais entrelaçar meus braços por entre seus seios, se eu não mais me perder entre os fios dos seus cabelos, se eu não mais tiver que reclamar que meus pés estão para fora da coberta, ou que os travesseiros estão trocados, saiba que ainda assim você permanecerá comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se acaso acontecer de não mais senti-la em mim, saiba que ainda assim, eu te amarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-8050820661536992236?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/8050820661536992236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=8050820661536992236&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8050820661536992236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8050820661536992236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/06/veja-essa-cancao.html' title='Veja Essa Canção'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SjL2eHelzsI/AAAAAAAAAWQ/zKzoGQUyM18/s72-c/PB5611.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-153477334194006632</id><published>2009-05-26T23:27:00.005-03:00</published><updated>2009-05-27T01:39:24.903-03:00</updated><title type='text'>Tios e Tias</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShzBvDMr6xI/AAAAAAAAAWI/VRUyyedXBQ4/s1600-h/Gabriel+(Nascimento).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340356272211094290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShzBvDMr6xI/AAAAAAAAAWI/VRUyyedXBQ4/s400/Gabriel+(Nascimento).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Gabriel, by Reinaldo Rabello&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!&lt;br /&gt;Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!&lt;br /&gt;Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!&lt;br /&gt;Ié Ié!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gwPdMQZOohQ&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=0885EBB08565010B&amp;amp;playnext=1&amp;amp;playnext_from=PL&amp;amp;index=2"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pato Fu, em Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai dizia que ser tio é fazer pose para retrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda desconheço a experiência da paternidade. Não que eu não semeie e não deseje que germine, ao contrário. Sempre penso no assunto com a alegria de quem vive a expectativa de que se sabe que será presenteado; para só depois então lembrar de todo o universo de cuidados. Uma sensação de prêmio no horizonte de céu azul e cristalino, para momentos depois visualizar a pressão da responsabilidade carregada de nuvens indecifráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginar a possibilidade é sempre leve e agradável como a brisa de uma sombra em tarde de verão. Pensar na realidade às vezes pode ser denso como nevoeiro encobrindo a cidade nas manhãs de inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais próximo que já estive da verdade, é que as incertezas desaparecem no primeiro contato com o vidro do berçário. Falo com a sabedoria da experiência de tio de fato e tio eleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe conta que quando eu tinha nove anos, ainda filho único, chorei na frente de alguns parentes reivindicando um irmãozinho. Sensibilizei a todos e meus pais foram intimados a tomarem providências. Minha apreensão era a possibilidade de nunca ter um sobrinho; não ter ninguém de direito para me chamar de tio. E se algo de ruim acontecesse comigo, como ficariam? Um ano depois vinha ao mundo minha irmã, para no ano seguinte meu irmão. Eu ameacei meus pais com a crueldade da pureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há três anos nasceu minha sobrinha Eduarda, um ruído rosa, toda cura para todo mal. Minha relação com ela é sempre o de tentar ser o que ela ainda não descobriu. Tentar antecipar o que seus pequenos olhos ainda não tocaram, o que suas mãozinhas ainda não morderam. Se o escorregador parece alto, vou até o meio do caminho para encurtar o medo, espero por seus pés em meus ombros para descermos juntos a continuação do brinquedo. Se o balanço parece um pedaço de tábua suspensa, ofereço meu colo e o apoio do meu braço sobre sua cintura enquanto deslizamos para trás e para frente. Se o mar de bolinhas de plástico parece engoli-la, eu me afogo primeiro para que ela perceba que também dependo dela para emergir. Minha sobrinha é o endereço do afago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dela virei tio de consideração do João Pedro, filho encantador com cara de desenho animado da querida amiga Eneida. Ele deve ter me visto umas duas vezes apenas, no dia seguinte ao seu nascimento e talvez um ano depois. Minha amiga sempre lembra de que ele ainda tem o presentinho dado por mim, um travesseirinho que também vira um cachorrinho, e que por muito tempo foi seu preferido para fechar os olhos e adormecer o sono dos inocentes. Tê-lo visitado menos de 48 horas após ter nascido foi definitivo para senti-lo como sobrinho. Um irmão também se faz de estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há nove meses atrás fiquei sabendo que seria outra vez tio; outra vez seguindo os trilhos vicejantes do afeto e da amizade. Meu querido amigo de infância Reinaldo e sua esposa Emanuela estavam grávidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia dada num almoço arquitetado por ambos na cozinha de casa foi como a explosão de um gol de desempate aos 44 minutos do segundo tempo. Abri imediatamente uma garrafa de Tequila estrategicamente guardada para algum evento extraordinário e festejamos a alegria da conquista. Tamanha vibração tinha muitos motivos para existir, desde o desejo recíproco do casal ao histórico de tentativas; desde o sonho do matrimônio à realização da vida a dois. Havia ali a semente do fruto da renovação do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse último fim de semana, de forma programada, o pequeno Gabriel nos deu a graça de seus lentos movimentos ainda sonolentos. Enquanto o papai Reinaldo superava no centro obstétrico seus bloqueios emocionais relativos a seringas, instrumentos cirúrgicos e sangue, toda uma torcida de familiares e amigos se organizava no café da maternidade ao redor de uma mesa em frente a uma moderna televisão gigante a espera da primeira imagem de um neném com sobrenome Rabello. Mais de uma hora depois, a audição da vinheta avisava da exibição de um novo bebê na telona, ilustrada por uma animação com uma simpática cegonha munida de GPS. Era o menino Gabriel todo exposto, sem roupa, mas sem chorar, forte, sadio e já querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excluindo as avós, todas as outras pessoas vibravam o jubilo de se sentirem tios e tias. E todos queriam seu registro exclusivo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai tinha razão, ser tio é sair na foto da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser tio revela uma alegria imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-153477334194006632?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/153477334194006632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=153477334194006632&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/153477334194006632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/153477334194006632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/05/tios-e-tias.html' title='Tios e Tias'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShzBvDMr6xI/AAAAAAAAAWI/VRUyyedXBQ4/s72-c/Gabriel+(Nascimento).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-878455708222628175</id><published>2009-05-17T23:43:00.003-03:00</published><updated>2009-05-18T00:00:35.683-03:00</updated><title type='text'>Doce Vida</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShDNMlgW0vI/AAAAAAAAAV4/NzPJvyMrD-U/s1600-h/Still+Life+with+Sky+Element,+1995+Alan+Kingsbury.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336991174543987442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 298px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShDNMlgW0vI/AAAAAAAAAV4/NzPJvyMrD-U/s400/Still+Life+with+Sky+Element,+1995+Alan+Kingsbury.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Still Life with Sky Element, 1995, Alan Kingsbury&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“A fome tem uma saúde de ferro&lt;br /&gt;Forte, forte como quem come”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=vaTKsVXrR5c"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Nação Zumbi, em Fome de Tudo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho fome de tudo que se move. Eu tenho fome de tudo que derrama. Tenho fome de tudo que é calor; fome de tudo que molha; fome de tudo que ainda posso tocar com o repouso dos cílios. Tenho fome de tudo que cativa o afeto da retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho fome do tempo em que minha mãe me levava para a escola. Tenho fome do tempo em que meu pai me buscava na escola. Tenho fome do bordado que desenhava meu nome no boné. Tenho fome de vender geladinho frente ao portão de casa. Tenho fome de juntar moedinhas para comprar doce na venda do seu Osmar. Tenho fome da coleguinha que me ajudava a amarrar o cadarço do tênis no prézinho. Tenho fome da professora Edna que me ensinou a cantar o alfabeto. Tenho fome de escorregar no pátio de mãos dadas. Tenho fome dos meninos mais velhos que conversavam sobre Star Wars. Tenho fome do gramado do outro lado da janela da sala de aula. Tenho fome da merenda da dona Lourdes. Tenho fome das gincanas das festas juninas. Tenho fome das danças com as meninas mais altas. Tenho fome dos pedidos de prendas nas portas das casas. Tenho fome do balanço improvisado entre o pé de abacate e o pé de manga. Tenho fome dos álbuns de figurinhas incompletos. Tenho fome de bater e trocar figurinhas. Tenho fome do cheiro da terra vermelha da estrada. Tenho fome de brincar de fazer lama atrás do quintal. Tenho fome das unhas compridas que ajudavam no momento de jogar bolinha de gude. Tenho fome da minha coleção de bolinhas. Tenho fome de fazer cerol escondido da minha mãe. Tenho fome da linha corrente 10. Tenho fome do vento que me fazia senhor do céu. Tenho fome de disputar a posição de melhor goleiro com meu amigo Carlinhos. Tenho fome dos chutes precisos do meu amigo Jefferson. Tenho fome das bolas de plásticos que furavam nos espinhos do limoeiro. Tenho fome de falar sobre a seleção brasileira com minha vizinha Renata. Tenho fome dos filmes de Bruce Lee. Tenho fome do meu cachorrinho Lulu. Tenho fome da comida da dona Geralda. Tenho fome da esperteza da Simone que cuidava de mim. Tenho fome das roupas curtas da Jacqueline que também cuidou de mim. Tenho fome da Solange que visitava a minha mãe. Tenho fome das visitas em noites de quarta-feira do tio Antonio. Tenho fome dos chocolates que meu pai comprava no trem. Tenho fome da pressa de vê-lo chegar em casa com alguma surpresa. Tenho fome da falta de sua presença. Tenho fome da bicicleta que nunca consegui impor o equilíbrio. Tenho fome dos quadrinhos que me eram proibidos. Tenho fome dos gibis que os amigos liam. Tenho fome das rádios AM que minha mãe ouvia e tocavam rock nacional. Tenho fome dos programas de TV que repetiam tanta novidade. Tenho fome do gosto de descobrir o estranho para meus pais. Tenho fome de estudar na mesma rua de casa. Tenho fome da barraquinha de doces do seu Ezequiel. Tenho fome da coleção de livros Vaga-Lume. Tenho fome da postura sensual da professora Vera Lúcia. Tenho fome das incitações políticas da professora Jurema. Tenho fome das letras das canções que despertava furor juvenil. Tenho fome do eu romântico das canções em primeira pessoa. Tenho fome das aulas de educação física do professor João Seleção. Tenho fome das competições de futebol de salão. Tenho fome das tardes rumo à cachoeira. Tenho fome do andar despreocupado pela rodovia com a camiseta enrolada na cabeça. Tenho fome dos bailinhos da oitava série. Tenho fome da troca do futebol pelo basquete. Tenho fome das manhãs de domingo indo de casa em casa para juntar o pessoal para jogar basquete. Tenho fome dos cafés da tarde na casa da Dona Sônia. Tenho fome da falta de fotos com os meus irmãos pequenos. Tenho fome das conversas sobre paixão com o amigo Alves. Tenho fome das discussões sobre o que é a vida com o amigo Sidnei. Tenho fome dos encontros e debates musicais com o pessoal do fã-clube da Legião. Tenho fome da astúcia concreta do Márcio. Tenho fome da maturidade precisa da Luzia. Tenho fome do encantamento radiante da Alcina. Tenho fome da sabedoria critica da Claudinha. Tenho fome dos shows que não vimos juntos. Tenho fome das bandas de Seattle. Tenho fome do Nirvana em São Paulo. Tenho fome de Caio Fernando Abreu. Tenho fome dos Amigos eleitos. Tenho fome das nossas reuniões. Tenho fome das nossas leituras. Tenho fome das nossas preocupações. Tenho fome de nossas ansiedades. Tenho fome de nossas conquistas. Tenho fome de nossas ilusões. Tenho fome das cartas enviadas. Tenho fome das respostas recebidas. Tenho fome do pulo sobre o muro do trem para atravessar a cidade. Tenho fome das flores roubadas para presentear no aniversário. Tenho fome de não ter tentado outra faculdade. Tenho fome de não ter experimentado um caminho diferente. Tenho fome do primeiro sólido amor. Tenho fome dos planos de voo. Tenho fome das asas que alcançaram o céu. Tenho fome da beleza que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho fome de tudo que queima; fome de tudo que vira bolha; fome de tudo que derrete. Tenho fome de cicatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho fome de tudo que se espalha em minha memória. Fome dos vestígios que modulam o despertar dos dias. Tenho fome de tudo que se prendeu às lâminas escorregadias do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha fome não é urgente, não é ávida; às vezes nem necessária. Minha fome é apenas sentida com os lábios da mordaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha fome é um pedaço de inveja da pureza que se disfarçou de gente adulta. Minha fome é um meio arrependimento daquilo que se hesitou viver com vigor. Minha fome é orgulho travesso no prato do ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fome é uma lembrança repentina que nos visita. Fome é uma saudade que ainda não passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jânio Dias &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-878455708222628175?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/878455708222628175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=878455708222628175&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/878455708222628175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/878455708222628175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/05/doce-vida.html' title='Doce Vida'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ShDNMlgW0vI/AAAAAAAAAV4/NzPJvyMrD-U/s72-c/Still+Life+with+Sky+Element,+1995+Alan+Kingsbury.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7113273812933459923</id><published>2009-05-13T00:42:00.004-03:00</published><updated>2009-05-13T01:11:52.045-03:00</updated><title type='text'>A Terceira Criança</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SgpC0q-PmcI/AAAAAAAAAVw/ZNogbJn0Z0I/s1600-h/Yellow+Field,+Kedleston,+Derby+by+Andrew+Macara.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335150181229763010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 338px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SgpC0q-PmcI/AAAAAAAAAVw/ZNogbJn0Z0I/s400/Yellow+Field,+Kedleston,+Derby+by+Andrew+Macara.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Yellow Field, Kedleston, Derby by Andrew Macara&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Eu posso sentir o que a paixão faz em segundos&lt;br /&gt;Eu posso sentir o que o amor fez depois de anos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Os Paralamas Do Sucesso, em Scream Poetry&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela insistiu para que eu fosse atrás de uma antiga &lt;/span&gt;&lt;a href="http://br.geocities.com/fpr000/mensagem/Grupo005/Msg057.htm"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;lenda&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; que falava sobre duas crianças, um menino e uma menina. A primeira chamava-se Amor e a segunda Loucura. Eram muito amigas, cresciam juntas, quase que inseparáveis. Amor era gentil, terno, compreensivo; Loucura era passional, impulsiva e emotiva. Não se sabe por que, mas um dia ambos brigaram violentamente, a ponto de Loucura arrancar os olhos de Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não quis me responder por que eu devia procurar essa narrativa. Além de muito bonita, será que ela queria me mostrar algo mais? Fui deitar pensando que talvez quisesse que eu me identificasse com uma das crianças; ou será que queria que eu lhe dissesse qual das pequenas criaturas era ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de o sono adormecer as pálpebras, suspeitei que um terceiro elemento pudesse estar entre o amor e a loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começa com um encantamento terno de querer bem, de muita gentileza e simpatia, para depois passar a um estado de alta intensidade, de calor ardente, de grande entusiasmo, que tende às vezes a se transformar em afeto dominador de quase obsessão. Acho que chamo isso de sentimento de estar apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um antigo professor dizia que paixão é amor e loucura destituída dos olhos frios da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fiz muitas coisas ausentes de razão quando apaixonado. Já acordei muito cedo para esperar a colega da escola embaixo de uma árvore em frente a sua casa numa manhã de chuva. Já confidenciei a um amigo que gostava da menina que ele queria namorar. Já dormi várias vezes na rodoviária depois de ter perdido o último ônibus quando voltava da casa de uma namorada que morava em outra cidade. Já rabisquei poemas cujos traços não tiveram cópias guardadas comigo porque eram exclusivos das meninas que os receberam. Já quase capotei o carro em uma curva porque estava atrasado para um encontro. Será que eu era Amor ou Loucura nesses acontecimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez apenas um doce e extremo estado de arrebatamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me apaixono os olhos se abrem num clarão que suspende o corpo inflado de meu ego. Bóio em suspenso repouso no aguardo do despertar do próximo contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo entusiasmado com o sol que ainda não nasceu. Preparo meu próprio café e ofereço parte às flores do quintal da casa. Só o jardim do próprio lar entende uma madrugada de despertar apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto com o bem-te-vi pousado próximo ao pé de amora uma canção de bem querer. Sou um pássaro cuja garganta conversa com as folhas que se espalham pelo chão. Sou amigo do vento que dispersa as sementes do trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuido do cabelo como se uma foto 3x4 sempre rejuvenescesse. Proíbo o crescimento dos pelos do rosto para que a pele deslize suave como roupa de veludo. Aliso a camisa como que engomasse o próprio corpo com o ferro de passar. Compro um perfume novo para beber como licor que marca a refeição. Eu me visto para desabotoar o vestido do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando apaixonado eu não visualizo a profundidade do rio, não reparo a intensidade das águas. Não enxergo o presente próximo das margens opostas, ignoro o passado de seu leito, não distancio o futuro da nascente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não reparto as horas, não devolvo os minutos que me antecederam. Enfureço-me se não fui avisado, espumo pelas orelhas se não fui compreendido. Eu sou o joio no beijo se não sinto reciprocidade na verdade. Quando apaixonado eu queimo o tempo do plantio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão não explica o ser. Ela estabiliza a imperfeição de sermos o que nunca temos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Não consegui saber se o que ela queria era questionar qual das duas crianças eu sou. Mesmo assim deixo aqui minha resposta: sou a terceira. Eu sou Paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda intrigado insisti para saber por que achava que eu tinha de ter contato com essa estória. Disse-me apenas que certas manhãs não podem ser apagadas do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7113273812933459923?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7113273812933459923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7113273812933459923&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7113273812933459923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7113273812933459923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/05/terceira-crianca.html' title='A Terceira Criança'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SgpC0q-PmcI/AAAAAAAAAVw/ZNogbJn0Z0I/s72-c/Yellow+Field,+Kedleston,+Derby+by+Andrew+Macara.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1244684770226449312</id><published>2009-05-03T10:56:00.004-03:00</published><updated>2009-05-03T11:41:28.429-03:00</updated><title type='text'>O Coração e o Compromisso</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sf2jVkreiLI/AAAAAAAAAVo/SNsog6zJOxQ/s1600-h/love+iconThisisnotme.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331597124895148210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sf2jVkreiLI/AAAAAAAAAVo/SNsog6zJOxQ/s400/love+iconThisisnotme.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; imagem: Love Icon, by Thisisnotme&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Eu já fui seu namorado&lt;br /&gt;Por isso ela me chamou&lt;br /&gt;Para que eu fosse testemunha dessa história&lt;br /&gt;Que seja linda como um dia foi a nossa”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JCxNTWSAmvw"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Nenhum de Nós, em Paz e Amor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava três degraus e alguns metros distante de mim em um show de uma querida banda gaúcha. Não a reconheci imediatamente, precisei de alguns longos e silenciosos segundos para confirmar junto à retina a imprecisão da imagem calada em meus olhos. Estávamos tão distantes de nossas moradas que seria improvável um encontro casual ali, um lugar tão remoto em meio a centenas de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada me questionou quem era. Expliquei que achava se tratar de uma antiga amiga. Pedi ajuda no reconhecimento ao velho amigo ao lado que, por sua vez, consultou a esposa. Eles concordaram com minhas suspeitas. Continuei olhando para a menina que tinha cabelos vermelhos quando da última vez que a vi na expectativa que também me olhasse. Fui incentivado para ir até lá, mas a menina estava acompanhada de dois rapazes. Desconfiei que eles pudessem não entender minha abordagem suspeitamente tão cordial e quase íntima. Puxei minha namorada pelo braço e descemos os degraus. Chegando próximo, ela virou o rosto e me sorriu surpresa num abraço contente como se eu fosse um brilho de sol que surge de repente por cima das nuvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentou-me seu namorado e o outro rapaz (minha memória é péssima para nomes, para possível grau de parentesco então...). E me contou radiante como girassol na primavera que irá se casar em novembro desse ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casamento na igreja, abençoado pelo padre e legitimado pelas leis da igreja e do homem. Com vestido branco, festa, bolo e brigadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balancei os lábios num misto de admiração e tentativa de demonstrar meu contentamento. Meu sorriso procurava ser o reflexo de sua alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que nunca fui fã da idéia tradicional do matrimônio. Sempre fui um rebelde anti-união conjugal oficializada. Sempre achei mais belo a união descompromissada das regras da sociedade; sempre achei mais intenso o compromisso do coração. Sempre defendi o estandarte da paixão continuada: a cada aniversário de namoro os votos do amor são renovados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha visão de relacionamento começa na liberdade de gostar de estar junto, e na possibilidade de escrever sozinho parte do próprio tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto do namoro que se despede no portão no início do fim de semana. Do horário de voltar pra casa com a sensação de que preferiria que ela estivesse comigo dividindo o mesmo colchão. Da preocupação de buscá-la em casa no dia seguinte no horário combinado. Do passeio de mãos dadas separados pelo saco de pipoca no cinema. Da volta para a casa dela e dos beijos escondidos na cozinha enquanto preparamos o lanche do fim de noite. Das almofadas do sofá e do brilho da luz acesa vinda do quarto dos pais supostamente avisando que ainda estão acordados enquanto fingimos assistir televisão na sala. Gosto do início da semana que provoca a vontade de estarmos juntos outra vez. Gosto do afastamento que desperta a falta de estar perto. Gosto de namorar para cortejar a paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu prefiro não fazer planos e deixar fluir a intenção de querer estar um com o outro. Eu prefiro revezar os finais de semana na minha casa ou na casa dela a ter de precipitar a procura por um abrigo para os dois. Prefiro ter e dar uma toalha, um sabonete, uma escova de dentes e a liberdade de abrir a geladeira sempre que quiser na casa dela ou na minha. Prefiro primeiro que ela se sinta parte da minha família e eu aceito pela dela antes de isolarmos nossos corpos em um só. Eu prefiro descobrir nossas afinidades provocando nossas inconsistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que antes de se optar pela união com alguém é preciso se desvencilhar das asas da criação doméstica, do conforto maternal. É preciso casar-se consigo mesmo por um tempo; sair de casa e experimentar noites solitárias sem ter por quem chamar após um sonho ruim. É preciso aprender a não queimar o próprio arroz e lavar a louça que estraga a pintura das unhas. É preciso acostumar-se por um tempo com a fala solitária da televisão e com a luz de emergência da geladeira avisando que a verdura estragou. É preciso aprender a separar as cores da roupa no momento de lavar e descobrir a coragem escondida em cada dobra amassada na hora de passá-las. Gostar da companhia muda dos livros; dançar a música invisível dos dedos das mãos. É preciso viver o exercício de ter sido só antes da experiência da divisão conjugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois é só convida-la para ficar algumas noites. Passar a dividir os lençóis e os planos do fim de semana. Ir juntos ao mercado e deixa-la sugerir o molho para o macarrão. Esvaziar uma gaveta do guarda roupas só para ela. Dispensar a moça da limpeza quinzenal e compartilhar as tarefas domésticas com ela. Assistir mais comédias românticas do que filmes de aventura. Ouvir sem criticar a cantora solo preferida dela. Dobrar o número de porta retratos da sala com fotos dos dois. Convidar casais de amigos para almoçar em casa. Não deixar a mãe se intrometer na sua alimentação porque agora esse assunto é de casal. Fazer planos para aumentar o pacote de opções da tv a cabo e trocar a geladeira por uma que não favoreça o aquecimento global. Desenhar a possibilidade de se criar um cachorro ou atualizar o modelo do carro. Deixar sempre em aberto a discussão do nome perfeito para o bebê. Viver a dois é abraçar a insegurança de um novo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que relacionamento é a harmonia de dois corpos de tamanhos e gestos diferentes. Sinceridade é não magoar todas as verdades; lealdade é merecer confiança e não cobrar segurança do outro; compromisso é a cumplicidade de viver uma vida serena. Casamento é aperfeiçoar o convívio da felicidade almejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito na paixão como fogo que deve ser reacendido todos os dias da manhã. Eu acredito no desejo do olhar de quem come com fome de não deixar partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acredita nos rituais do passado. E será feliz da mesma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1244684770226449312?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1244684770226449312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1244684770226449312&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1244684770226449312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1244684770226449312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/05/o-coracao-e-o-compromisso.html' title='O Coração e o Compromisso'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sf2jVkreiLI/AAAAAAAAAVo/SNsog6zJOxQ/s72-c/love+iconThisisnotme.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-6998263135006018919</id><published>2009-04-26T23:41:00.005-03:00</published><updated>2009-04-27T02:18:34.132-03:00</updated><title type='text'>Futebol: Um Lampejo Poético</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SfUvzAzKMPI/AAAAAAAAAVg/7hSpW3WZa1U/s1600-h/luiz+braga+-+futebol+no+rio,+1998.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329218287497261298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SfUvzAzKMPI/AAAAAAAAAVg/7hSpW3WZa1U/s400/luiz+braga+-+futebol+no+rio,+1998.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;imagem: luiz braga - futebol no rio, 1998&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Foi um gol de anjo&lt;br /&gt;Um verdadeiro gol de placa&lt;br /&gt;E a galera agradecida assim cantava”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Jorge Ben Jor, em Filho Maravilha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste campeonato Paulista de 2009, meu time de futebol foi sumariamente executado com duas derrotas nas semifinais. O time da minha querida amiga Allcina também. E mesmo antes do segundo jogo de seu time, ela já me avisava que sabia com a antecedência de quem enxerga o jogo com os olhos da admiração, que teria de encarar o gosto azedo da eliminação. E me questionou se eu achava que futebol e poesia podiam ter alguma relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma grande paixão por futebol. Sou desses que para em frente a TV e assiste qualquer jogo que estiver passando apenas para aguardar o momento impreciso de um lance que gera uma jogada improvável que conduz ao inesperado. Um jogo de futebol é uma colcha de surpresas costurada por detalhes inconstantes e imprevisíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que para uma mulher é visto como repetição, dezenas dos mesmos pontos de crochê sem formar desenho algum, para o homem é a arte da espera em diferentes níveis para se chegar ao momento sublime: o gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou torcedor do tipo que torce três vezes: para o meu time ganhar, contra o adversário direto do meu time no campeonato, e a favor de qualquer um que jogue diante do nosso histórico arqui-rival. Torcer é não descansar o olhar curioso e praguejador sobre os outros times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se deixarem, sou capaz de acordar no domingo pela manhã para ver alguma partida do campeonato italiano e emendar partidas sucessivas até o final da noite pelos canais de esporte. E quando não há uma transmissão ao vivo, sempre há o VT de alguma partida ou a tradicional mesa redonda de debates intermináveis. E no dia seguinte as partidas recomeçam novamente nas bocas e gozações dos colegas de trabalho. O que convêm dizer que uma partida de futebol nunca termina quando o juiz encerra o jogo. Uma partida de futebol começa quando o torcedor põe em dúvida a imagem precisa do vídeo tape.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me tornei torcedor de futebol pelas linhas brancas da tristeza. Quis o destino que a primeira vez que eu me interessei por um campeonato a camisa escolhida não o vencia há dez 10 anos. E justamente quando tudo parecia caminhar para o fim do jejum, eis que a equipe perde a partida final, e em casa. Na manhã seguinte na escola todos os comentários eram para a incrível derrota de um grande time da capital para um pequeno do interior. Acho que esqueci de torcer por algum tempo para repensar a alternativa feita, mas o coração já havia substituído o vermelho de suas batidas e pulsava o som da vida em tons alviverdes. Ser torcedor na derrota é secar a lágrima salgada da esperança com a manga curta da fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como praticante, eu nunca tive habilidade para me destacar em campo. Meu pé direito nunca me ajudou muito, ele sempre foi ligeiramente aberto para fora, quase uma reta transversal, um diferencial que ao contrário dos joelhos tortos de Garrincha, sempre me provocaram certo desequilíbrio em campo e indefinição no momento do chute. Quando me esforçava para chutar no canto direito do goleiro, a bola ia no meio. Se tentava o esquerdo, ia para fora. Se tentava o meio, ela ia para o alto. Bem por isso eu sempre fui melhor aproveitado no gol. Mas logo surgiu a miopia e ficar embaixo das traves de óculos nunca foi permitido. E mesmo com a falta de sorte e aptidão física para o esporte, minha infância sempre acordava ou dormia com uma bola aos pés da cama. A bola trazia a alegria da imaginação para dentro do quarto. Sonhos de menino que driblavam a falta de cores da televisão. A bola sozinha era uma contadora e pescadora de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todo dia a tarde os meninos do bairro se reuniam numa rua de terra para formar equipes e disputar partidas acirradas. O gol tinha dez passos de cumprimento e era demarcado por duas pedras. Brincava-se descalço, os times tinham de três a quatro jogadores na linha, não havia posicionamento determinado para ninguém, e as regras eram forjadas na hora. Uma falta, bola para fora, pênalti, eram circunstâncias do momento que se definiam conjuntamente com todos ao mesmo tempo. Chegava o sábado, tomava café, colocava a redonda embaixo do braço e ia bater no portão do meu vizinho de infância para irmos até a quadra da escola. Ainda hoje o muro da casa do vizinho que separa o quintal da casa da minha mãe tem as marcas dos meus chutes cheios de defeitos. Aquele corpo esférico era nossa amiga inseparável. A bola foi nossa primeira amante. O futebol é o primeiro contato amoroso do ponto de vista sexual de um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando torcedor formado, o futebol é um ato de guerra. É agressivo, violento, guerreiro. Os jogadores são soldados em defesa de sua pátria. Vivem e matam pelo ideal da conquista. Mas também é meio de expressão da sedução. Ora cadenciado e romântico, ora veloz e abrupto, ora gentil e cuidadoso, o jogo de futebol é a determinação de alcançar o proibido. A linha que delimita o gol de sua entrada é a boca do desejo intransponível. Toda vez que alcançado, toda vez que invadido, as redes do gol balançam as rugas libidinosas e as arquibancadas estremecem os joelhos religiosos. Os torcedores enlouquecem em orgasmos múltiplos explícitos. O gol é a explosão generosa do gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira simplificada, sei que o professor e santista &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/JosÃ©_Miguel_Wisnik"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;José Miguel Wisnik&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; considera que o futebol é às vezes prosa, outras poesia. No primeiro caso, essa situação acontece quando o time tem como prioridade a defesa, no segundo quando a ênfase proposta é o ataque. No entanto, como os tempos atuais são outros, Wisnik acredita mesmo que em geral o que existe hoje seja uma espécie de prosa ensaística, à procura da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jogo de hoje em Santos, a prosa dominou toda a partida, tendo o time da casa feito sucessivos rabiscos ao encontro da mencionada prosa ensaística. Contudo, antes de torcedor e agoureiro, sou admirador da beleza inesperada e espectador da arte incontida do espetáculo. O &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=vInzKZAkvgY"&gt;segundo gol do Ronaldo&lt;/a&gt; foi um lampejo radiante e consciente de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-6998263135006018919?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/6998263135006018919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=6998263135006018919&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6998263135006018919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6998263135006018919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/04/futebol-um-lampejo-poetico.html' title='Futebol: Um Lampejo Poético'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SfUvzAzKMPI/AAAAAAAAAVg/7hSpW3WZa1U/s72-c/luiz+braga+-+futebol+no+rio,+1998.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3731043622272503225</id><published>2009-04-18T20:35:00.003-03:00</published><updated>2009-04-18T20:48:01.557-03:00</updated><title type='text'>Um Feriado para a Alma</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SepknUh5DtI/AAAAAAAAAVY/sATBoimB8GE/s1600-h/Dance+on+the+Banks+of+the+River+Manzanares,+1777Francisco+Jose+de+Goya+y+Lucientes.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326180136007569106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 367px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SepknUh5DtI/AAAAAAAAAVY/sATBoimB8GE/s400/Dance+on+the+Banks+of+the+River+Manzanares,+1777Francisco+Jose+de+Goya+y+Lucientes.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Dance on the Banks of the River Manzanares, 1777, Francisco Jose de Goya y Lucientes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“São as pequenas coisas que valem mais&lt;br /&gt;É tão bom estarmos juntos&lt;br /&gt;E tão simples: um dia perfeito”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Legião Urbana, em Um Dia Perfeito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande amiga me disse que queria ir ver (ver não, sentir) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://janiodias.blogspot.com/2008/06/sobre-o-teatro-mgico-de-fernando.html"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Teatro Mágico&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; em Itatiba, uma outra cidade a 80 km de distância de São Paulo. Seu marido e eu dissemos a ela que a distância não era grande, mas as estradas estariam intensas por causa do feriado prolongado. Ela respondeu desconsolada que será feriado para todo mundo, menos para ela que trabalhará na segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feriados sempre me causaram um tipo de ansiedade com gosto de sede prolongada. Na verdade, um tipo feliz de espera. Uma data aguardada para eliminar um dia de trabalho. Uma noite de véspera mais longa dedicada aos lançamentos da locadora. Uma manhã menos cinza para acordar mais tarde e pensar direto no almoço. Algumas horas a mais para me dedicar ao saboroso ato de não fazer nada relacionado a obrigação do serviço. Preciosas horas a mais entregues a liberdade do descompromisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vezes que trabalho no feriado o faço consternado. Levanto cabisbaixo, coloco a camiseta branca mais antiga, a calça jeans mais surrada e o tênis que tiver o cadarço mais encardido. Não é que eu odeio trabalhar nessas ocasiões, mas acordar cedo e entrar no metrô quase vazio, esperar o sinal vermelho mudar para verde sabendo que não há trânsito, atravessar a rua sem ter que esbarrar em ninguém, entrar no prédio e não ter fila para o elevador, passar no corredor e ver departamentos com a luzes apagadas, ligar o computador e só ouvir o barulho da sua máquina iniciando, sair para almoçar na casa do pão de queijo, atender o telefone e ter certeza que é da sua casa, desperta em mim a amargura do isolamento da alegria. Torna menor minha capacidade de acreditar que o trabalho enobrece. O trabalho em dias assim ocupa o corpo do tempo que deixou de ser meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da maioria das pessoas que conheço, sempre gostei mais de não viajar em feriado. A viajem me cansa, o trânsito me aborrece, o comportamento jurássico das pessoas me desola. As longas filas na estrada, as ultrapassagens desnecessárias pelo acostamento, a multidão insaciada no mercado, tudo me atinge escurecendo o belo do feriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feriado deveria ser aproveitado para enaltecer a beleza do descanso. Para alongar o balanço da rede na varanda dos beijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso adoro quando chove em feriado. Adoro ouvir o barulho dos pingos no telhado, o aviso de que não é preciso ir até o quintal ou ligar o carro. Adoro a possibilidade de não abrir o portão e não ir até a padaria. Adoro fazer o café, colocar algumas torradas no prato e sentar no sofá em frente a televisão para rever uns dois episódios do seriado favorito e avança-lo sem pressa de levantar. Adoro o céu nublado e a promessa de mais chuva. Feriado em dias assim fortalece minha amizade com alguns cômodos do meu lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro quando é inverno e feriado. Os pés com meias lavando a louça para as mãos serem recompensadas com o edredom confortando todo o corpo logo depois de uma redonda xícara de chocolate quente. A companhia de um livro para ser comido enquanto o branco dos olhos é aquecido com as imagens e construções de um outro universo. Mas tão gostoso quanto é sair de casa com touca e cachecol para ir ao cinema tendo a certeza de encontrar a tranquilidade das cavernas. Passear pela cidade em feriado de pleno inverno é como transitar pelo sossego da própria casa pela madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que não há nada mais bonito do que um feriado de sol invadindo as rusgas do dia. O agito dos planos para o par de tênis e a bermuda. A escolha da camiseta regata e a procura do protetor solar. A caminhada pela calçada arborizada ou o passeio dentro do verde do parque. A possibilidade do almoço fora ou a visita à casa da mãe. Uma cerveja com amigos que não viajaram ou apenas o deleite da presença da pessoa amada. A alegria do feriado está na liberdade das escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feriado serve para as janelas abrirem-se como braços a cumprimentar a entrada do sol. Serve para que os vidros inclinem o rosto para os pingos da chuva. Serve para permitir a permanência do vento por mais horas nas frestas das telhas empoeiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feriado deveria ser aproveitado para se sentir o afago da natureza em ocasiões distintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feriado serve para suavizar a distância entre as faltas do tempo e os desperdícios da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitar um feriado é mirar a possibilidade de voltar mais forte para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que eu me permito sentir (sentir não, viver) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://janiodias.blogspot.com/2008/06/sobre-o-teatro-mgico-de-fernando.html"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Teatro Mágico&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, mais revigorada minha alma fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga tem razão, para compensar um feriado não realizado, só mesmo o arroubo provocado por um show de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.oteatromagico.mus.br/novo/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fernando Anitelli e Companhia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3731043622272503225?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3731043622272503225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3731043622272503225&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3731043622272503225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3731043622272503225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/04/um-feriado-para-alma.html' title='Um Feriado para a Alma'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SepknUh5DtI/AAAAAAAAAVY/sATBoimB8GE/s72-c/Dance+on+the+Banks+of+the+River+Manzanares,+1777Francisco+Jose+de+Goya+y+Lucientes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3151294874052996332</id><published>2009-04-18T16:14:00.004-03:00</published><updated>2009-04-18T16:23:12.181-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='selos'/><title type='text'>"Selo: Blog 100!"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeonjeVZzMI/AAAAAAAAAVQ/8i_Mz85lfH0/s1600-h/blog100.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326112999710772418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 277px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeonjeVZzMI/AAAAAAAAAVQ/8i_Mz85lfH0/s400/blog100.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este blog foi gentilmente agraciado pela amável Verônica do blog &lt;a href="http://milpensamentos.wordpress.com/"&gt;Mil Pensamentos&lt;/a&gt; com o “Selo: Este Blog é 100!”. Obrigado, Ve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela recebeu o Selo de &lt;a href="http://www.murmuriospessoais.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Gleice Couto&lt;/a&gt;, que recebeu do &lt;a href="http://acayra.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Acayrã&lt;/a&gt;&lt;a href="http://acayra.wordpress.com/" target="_blank"&gt; do Deserto&lt;/a&gt;, que, por sua vez, foi indicado por &lt;a href="http://fabiosantos.wordpress.com/" target="_blank"&gt;Fabio Santos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, conforme as regras da corrente, eu preciso indicar três blogs para o mesmo Selo e justifica-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;“Selo: Este Blog é 100!”, por Jânio Dias:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://15kilohertz.blogspot.com/"&gt;15 Kilohertz&lt;/a&gt; - porque o meu amigo Edilson quando inspirado, quando motivado, é o cara mais criativo que eu conheço. Ele desenha, pinta, toca e escreve. Ele cria. Um artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://gaitha.tumblr.com/"&gt;Agatha&lt;/a&gt; - porque essa Coreana de apenas 24 anos consegue com no máximo 500 caracteres contar uma história e descrever sensações que eu não sou capaz com 5.000 letras. E às vezes, apenas com a escolha de um vídeo, ela nem precisa escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://essapalavra.blogspot.com/"&gt;essapalavra&lt;/a&gt; – porque o Dauri é poeta e insiste em disfarçar o contrário; porque ele mergulha em imagens onde todo mundo acha que é autobiográfico, mas foi apenas o pouso de um passarinho perto da janela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jânio Dias&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Regras básicas de sobrevivência de um Selo:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;1- Publicar o selo em seu blog e dizer qual blog recebeu, colocando o link do mesmo;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;2- Publicar a história e o motivo do selo;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;3- Repassar o prêmio selo a três blogs, sendo que o selo não pode ser enviado ao mesmo blog por mais de uma vez ( assim mais blogs poderão ser homenageados);&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;4- Publicar no blog o endereço dos homenageados e avisá-los que receberam o selo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3151294874052996332?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3151294874052996332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3151294874052996332&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3151294874052996332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3151294874052996332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/04/selo-blog-100.html' title='&quot;Selo: Blog 100!&quot;'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeonjeVZzMI/AAAAAAAAAVQ/8i_Mz85lfH0/s72-c/blog100.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1737442748397721473</id><published>2009-04-12T02:11:00.003-03:00</published><updated>2009-04-12T02:25:33.034-03:00</updated><title type='text'>Uma Canção (Quase) Sem Palavras</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeF4oZSMXII/AAAAAAAAAUg/m2bBZS9sPwY/s1600-h/vÃ³+nitinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323668869905931394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeF4oZSMXII/AAAAAAAAAUg/m2bBZS9sPwY/s400/v%C3%B3+nitinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Ainda não é tarde pra dizer o que eu sinto&lt;br /&gt;O tempo é só uma invenção&lt;br /&gt;Às vezes eu quase consigo entender tudo assim&lt;br /&gt;Muita coisa que eu digo é apenas para mim&lt;br /&gt;As coisas mais simples são mesmo difíceis de se dizer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Marcelo Bonfá, em Todos os Sonhos do Mundo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu ainda era bem pequeno, minha mãe gostava de me produzir para tirar fotos. Colocava o sapato mais novo, a camisa de botão mais bonita e uma calça que não tivesse remendos. Penteava meu cabelo de lado, formando uma franja escorrida na testa, escolhia um pé de fruta como fundo, e pedia pro Seu Juvêncio fazer a foto. Às vezes convidava minha vizinha (uns dois anos mais nova que eu) para ser meu par. Quando a foto ficava pronta, minha mãe escrevia atrás: “&lt;em&gt;vovó querida, lembrança do seu querido netinho&lt;/em&gt;”. Ainda anotava a data e mencionava minha idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por anos foi essa a minha convivência com minha avó materna, uma correspondência sem palavras através de imagens congeladas em papel fotográfico. Apenas fragmentos de meu crescimento, da troca dos meus dentes, da constância do meu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez quando eu estava com nove anos minha mãe viajou para visitá-la. Uma longa viagem de ônibus de três dias até o interior do estado da Paraíba, mais alguns quilômetros de chão até chegar a seu sítio. Uma viagem ao centro da saudade de minha mãe. Em mim a curiosidade de menino em conhecer a mãe de minha mãe. Um curto encontro, mas suficiente para eternizar nas conchas da memória a figura da mulher que não se cansou em trazer vida ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dedos davam voltas em minhas mãos para contar todos os seus filhos. Ela deu a luz 16 vezes, onde apenas 8 sobreviveram. Uma epopéia gestacional em uma época de ausência de recursos dignamente humanos. Uma heróica história de procriação onde o ser humano supera obstáculos obscuros da natureza. A figura de minha avó sempre flutuou em minha imaginação como a força do vento rompendo a sustentação da resistência de uma barreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda retenho nubladas imagens no sótão da recordação dessa visita. Lembro da alegria conjunta das pessoas se reunindo a noite no sítio para na casa de farinha ralar a mandioca, e na saída voltar para suas casas apenas com a própria farinha como pagamento pelo trabalho. Lembro que não havia energia elétrica e que a luz noturna era forjada com lamparinas a querosene. A cozinha tinha um fogão feito de barro onde o gás era a lenha que queimava. A água para beber era buscada em balde no açude, onde também era lavada a roupa. Havia um gado magro que se alimentava de cajus caídos do pé. Não havia televisão e a parede da sala era enfeitada com um retrato antigo do meu avô com minha avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a exceção de dois filhos, todos os outros deixaram o sítio e migraram para a cidade grande. Mas minha avó nunca titubeou duas vezes na remota possibilidade de deixar seu lar. Nem mesmo quando doente aceitou os pedidos para que viajasse para tratamento. Uma pedra sólida e teimosa fincada no agreste de sua terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado, em passeio de uma semana pela cidade de João Pessoa, liguei para uma tia e tomei nota de como chegar ao sítio Riacho do Boi, na pequenina cidade de Lagoa do Mato, morada há mais de 50 anos de minha avó. Queria fazer uma visita surpresa, mas minha tia sabiamente me desaconselhou. Disse que poderia ser perigoso para um coração de 76 anos o susto e a alegria de uma chegada repentina, e que a avisaria antes. Concordei e fiquei feliz com a possibilidade de vinte anos depois rever a força do vento. Um encontro veloz para eternizar nos lençóis da lembrança a figura da mulher que nunca quis deixar seu solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei uma senhora forte e bonita, de voz alta, grave e firme, de cabelos levemente brancos, longos e presos, em sua casa simples de janelas verdes; elegantemente trajada em um vestido de algodão azul estampado com flores. Uma senhora lúcida de opiniões convergentes com seu tempo e lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu assunto preferido são as histórias de quem tristemente já se foi. Sua maior alegria são as boas notícias dos filhos distantes. Seu único medo é o receio de que invasores tomem conta de sua terra quando for obrigada a partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje há energia elétrica no sítio, as plantas são mais verdes, e a falta de água não aflige tanto como antes. A televisão tem parabólica e na antiga cozinha de fogão a lenha há uma geladeira moderna com dispenser de água e gelo. Os pés de caju ganharam a companhia de carambolas. O gado parece mais saudável e tão livre quanto antes. A casa de farinha está abandonada, a tecnologia dispersou a celebração do trabalho comunitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parede da sala diversos quadros de filhos, netos e bisnetos decoram a saudade da distância; como uma canção (quase) sem palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte anos depois eu não encontrei a força do vento; encontrei o aroma, as folhas e os frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1737442748397721473?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1737442748397721473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1737442748397721473&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1737442748397721473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1737442748397721473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/04/uma-cancao-quase-sem-palavras.html' title='Uma Canção (Quase) Sem Palavras'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SeF4oZSMXII/AAAAAAAAAUg/m2bBZS9sPwY/s72-c/v%C3%B3+nitinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7098010378684920953</id><published>2009-04-05T15:20:00.004-03:00</published><updated>2009-04-05T15:34:33.164-03:00</updated><title type='text'>As Cores dos Meus Olhos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sdj3oIW9MEI/AAAAAAAAAUY/gDJpmmmd4jQ/s1600-h/The+Apple+Tree+II,+1916+Gustav+Klimt.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321275228548837442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 399px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sdj3oIW9MEI/AAAAAAAAAUY/gDJpmmmd4jQ/s400/The+Apple+Tree+II,+1916+Gustav+Klimt.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;imagem: The Apple Tree II, 1916, Gustav Klimt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;"O dia mente a cor da noite&lt;br /&gt;E o diamante a cor dos olhos&lt;br /&gt;Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;O Teatro Mágico, em O Anjo Mais Velho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, o poeta &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Carpinejar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; me disse que seus olhos ficam verdes quando está triste. Sua esposa Ana havia acabado de comentar que meus olhos eram ligeiramente claros como os dele, sem ter certeza como defini-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos são sensíveis à claridade. Toda vez que abro a porta de casa sei se terei de pegar os óculos de sol ou não para protegê-los. Caso contrário, não consigo mantê-los acima do nariz, sou obrigado a caminhar de chapéu cobrindo os cílios; tropeço nas sombras seguindo as pontas do tênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez questionei o oftalmologista e ele me disse que meus cristalinos deixam passar mais amplamente os raios ultravioletas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai tem os olhos azuis como céu de brigadeiro. Todos os irmãos têm os olhos azuis ou verdes. Meus avós quando juntos pareciam que tinham quatro bolas de fogo azuladas com nuvens em volta e pequenos anjos passeando serenamente em suas íris. Eles sempre despertaram a atenção para seus rostos, uma peripécia genética que convencionou que outras famílias quando fizessem referência a eles os chamassem de “família gato”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já minha mãe tem os olhos castanhos-castanhos, e os meus são indefinidamente claros. Nem verdes, nem azuis ou cinza. Talvez um castanho-mel, quase louro. Algumas pessoas falam em castanho-puro, outras em castanho-claro-esverdeado. Sempre preferi a versão nordestina do meu querido Tio Antonio: eles têm a cor de burro quando foge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que eles são sensíveis à luz. Variam de cor conforme a exuberância do momento. Variam de cor conforme a luz em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando minha sobrinha me vê chegando para visitá-la, e quase tropeçando no quintal de cimento, correndo com os chinelos trocados, com seus cabelos escuros semi-encaracolados balançando contra o vento, segurando seu pequeno sorriso de pequenos dentes brancos, vem em minha direção com os braços abertos. E quando a pego no colo, simplesmente enlaça meu pescoço com seus braçinhos, apertando-o com toda sua força, impondo alegria em um enforcamento de brincadeira, para depois me dar um beijo molhado no rosto. Nesse instante meus olhos brilham o calor da afetividade. Meus olhos ficam laranja quando abraçam o sorriso de minha sobrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando durante uma atividade física, no caminho de volta no metrô ou parado em alguma fila desmerecedora, enquanto não toca o despertador da descida, um vento fino golpeia meu rosto e relembro de algum pedaço da infância. Costuro um remendo na calça sobre o joelho, conto tampinhas de refrigerante sobre a calçada, me desfaço das figurinhas repetidas, amasso vidro em uma lata de leite, recorto um galho bifurcado em Y, molho por querer os pés numa poça de lama. Nessa hora meus olhos brilham os anos fulgurantes da inocência. Meus olhos ficam azuis-turquesa quando rejuvenescem estáticos na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando disperso e a ausência se faz presente. Quando peso o lamentar de quem se foi. Quando desenlaço a caixa de correspondências dos distantes. Quando afasto a poeira sobre a capa do álbum de fotografias. Quando decido levar para revelar o negativo mofado. Quando percebo que o fio da campainha está cortado. Quando a agenda de papel foi encontrada na máquina de lavar. Quando a estampa da camiseta está borrada. Quando a página do livro recebido de presente perdeu a dedicatória. Quando o velho vinil lembra o velho aparelho que não toca mais. Meus olhos brilham o intenso da saudade. Meus olhos ficam rubros quando a solidão soluça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando revejo um velho amigo. Meus olhos cegam as horas que já tivemos por perto para recomeçar de onde não iniciamos. Resgatam o atraso das conversas interrompidas com a perspectiva da chegada da segunda-feira. Ajustam a altura do muro de nossas confidências. Reparam o alcance de nossas intransigências. Rebobinam as mesmas cansadas histórias para realçar suas cores. Meus olhos transbordam a vontade de colar os dias que não ficaram juntos. Meus olhos brilham uma luz enriquecida de harmonia. Meus olhos ficam amarelo-ouro quando estão entre velhos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando o peito se enche de satisfação súbita ao ouvir uma música energizante, que acelera e inebria os hormônios convalescidos de minha juventude. É assim quando os pés se confundem no ar com as mãos e dançam as faíscas do ontem abençoando o próximo amanhecer. É assim quando um filme provoca a leveza adocicada de um cair de noite. É assim quando leio de madrugada para o sono vir e não desejo adormecer as pálpebras. Meus olhos brilham o entusiasmo dos impulsos. Meus olhos ficam verde-piscina quando flamam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando o coração se depara com a suavidade dos sussurros da melodia de uma canção que alterna o equilíbrio e o balançar dos fios sobre os pés. É assim quando os ouvidos dançam as batidas cadenciadas dos pulmões. É assim quando a beleza de um filme traz o rio para perto das lágrimas. É assim quando a leitura de certos versos faz chuva dentro de mim. Meus olhos brilham a emoção dos sentidos. Meus olhos ficam violetas quando o intrínseco se revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim quando a calma se apresenta, quando a esperança desperta. Quando a fúria reage, quando a prudência se dissolve. Quando um sorriso reconforta, quando um abraço vale o dia. Quando mistérios se escondem, quando segredos enlouquecem. Quando o silêncio grita, quando o espanto se cala. Quando a alegria vira dor, quando a arte vira tristeza. Quando um telefonema traz luz ao coração, quando uma visita conserta a janela da espera. Quando ela chega e ilumina a casa, quando adormeço com as pálpebras levantadas em seu amor. Meus olhos brilham desventura e felicidade. Meus olhos às vezes ficam assim, um branco-avermelhado que não se supõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos têm cores que só a poesia desconfia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7098010378684920953?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7098010378684920953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7098010378684920953&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7098010378684920953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7098010378684920953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/04/as-cores-dos-meus-olhos.html' title='As Cores dos Meus Olhos'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sdj3oIW9MEI/AAAAAAAAAUY/gDJpmmmd4jQ/s72-c/The+Apple+Tree+II,+1916+Gustav+Klimt.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1840594534755314752</id><published>2009-03-28T00:00:00.004-03:00</published><updated>2009-03-28T00:44:17.736-03:00</updated><title type='text'>A Retina e o Arco-Íris</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sc2avKt0maI/AAAAAAAAAUQ/Fg7hzawKeyQ/s1600-h/Landscape+with+a+rainbow+Joseph+Mallord+William+Turner.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318076870115498402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 261px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sc2avKt0maI/AAAAAAAAAUQ/Fg7hzawKeyQ/s400/Landscape+with+a+rainbow+Joseph+Mallord+William+Turner.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: Landscape with a rainbow, de Joseph Mallord William Turner&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Wake, from your sleep&lt;br /&gt;the drying of your tears&lt;br /&gt;today we escape&lt;br /&gt;we escape”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Radiohead, em Exit Music (For a Film)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento buscar uma lembrança específica e nítida no fundo da memória. Uma imagem antiga e especial que não esteja dobrada em várias partes como papel de carta guardada no fundo de uma caixa. Um pedaço de filme em preto e branco que não esteja recortado exatamente no momento em que meus olhos pousem voo no descanso de sua película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento buscar uma continuidade de movimentos que não tropecem nos atalhos da pressa. Um copo de água que resgate a sede na retina turva do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho fixamente para dentro de mim mesmo. Olho como se fosse possível viajar por entre as veias sem derrapar em tantos obstáculos coagulados. Pulo pequenas pedras, desvio de finas bolhas vermelhas. Apresso o passo, caminho velozmente pela corrente sanguínea com braços rasos e pernas longas. Sinto meus olhos esbugalhados como duas bolas de gude espetadas e penduradas à frente do nariz. Minha língua morde os dentes, meus pulmões absorvem e não devolvem o ar, meus ouvidos trancam as batidas aceleradas do coração. Escureço para clarear em outro momento da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de voltar no tempo. Estou de volta à primeira vez em que presenciei o show musical mais importante da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou bem próximo ao palco, não mais do que quatro fileiras para alcançar a grade, o lugar onde as pessoas desafiam a lei da permanência de dois corpos no mesmo espaço. Há ensaios curtos e já empolgados de canções antes da banda entrar. Há também pessoas muito jovens fumando e rabiscando gestos fúteis com o cigarro nas mãos. Perdem parte da beleza da brisa branda e fresca que vem do acampado verde lá fora. Perdem a ansiedade do olhar de quem vai ver seu grupo preferido pela primeira vez, desperdiçam a chance de absorver os comentários inteligentes de quem já viveu aquilo antes. Diluem em fumaça cancerígena o momento mágico da materialização da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes vão diminuindo lenta e sensivelmente. Gritos de expectativa de que já vai começar explodem no lugar inteiro. Uma música clássica começa estridentemente alta anunciando que algo mágico esta prestes a acontecer. Vejo a fumaça amaldiçoada há poucos instantes do meu lado fazendo contornos em volta do microfone lá no alto do palco. Ela dança lentamente no ar como se desenhasse contornos em volta da canção. É possível notar ainda sem luzes que todos da banda já estão posicionados. A música clássica termina. O público grita em delírio. Começa a primeira canção de uma série de hinos que seriam desalojados de seus abrigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma música lenta e curta onde todos declamam juntos em português arcaico do século XIII. A falta de confiança no amor daquele tempo é despida pelas vozes presentes. As luzes permanecem apagadas. Inicia-se a segunda canção como se fosse continuação da primeira. É uma música de doze minutos dividida em quatro partes de andamentos diferentes. Uma viagem medieval escrita em metáforas sobre os dias de terror político, doença incurável e ausência de fé presente na época. A parte dois da canção estoura numa espécie de heavy metal exorcista. As luzes explodem no palco e no público. As pessoas pulam de forma alucinada. Há um brilho intransigente que queima a pele como roupas em chamas. Arde adocicando a alma como mar salgado nos olhos abertos. As luzes diminuem em consonância com a canção. Um momento de respiro longo e demorado se aproxima. A descrença e desilusão com aqueles dias são entoados. O inimigo metafórico é desafiado e avisado que ninguém desistirá de lutar. Na quarta parte, antes de terminar, antes de visualizar o fim, as pessoas concluem com suas vozes misturadas e embargadas nos cômodos da emoção que algo melhor ainda virá na morada de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto na pista as pessoas expressavam viver o indizível, enquanto sentiam o enlevo de bradar suas canções preferidas com os olhos quase sempre fechados nos momentos mais introspectivos, quando abertos deparavam-se com performances quase hipnóticas não ensaiadas, não planejadas de um artista-cantor sobre o palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dançava como se um ataque epilético o visitasse em algumas canções. Dançava como se uma descarga disrítmica libertasse seus movimentos no ar. Dançava como se o chão fosse um colchão que amparasse a queda imprevisível da noite. Dançava como se o fio do microfone enrolado ao seu corpo o protegesse da fúria dos dias. Dançava como que desistisse de cantar. Dançava como se insistisse em sentir. Ele dançava como que se entregasse o espírito para a canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele cantava como se a voz não viesse dele mesmo. Cantava com a facilidade da chuva que cai e penetra a terra. Cantava como se trovejasse e no instante seguinte as nuvens do céu dessem passagem para os raios do sol. Cantava como se fizesse insistentemente geada em seu coração, para logo depois abrir o armário e escolher uma roupa de primavera. Cantava como se o frio fosse belo e cortante, e tratava o quente como momentos que se guardam no bolso do casaco para depois aquecer a manhã da memória. Ele cantava como pássaro triste que guarda esperança no amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feições das pessoas exalavam mistos de encantos e assombros, como se a realização de um sonho viesse acompanhado de algum efeito sobrenatural. Os olhos embaçados como pára-brisa de carro em dia de chuva e as vozes encharcadas, pesadas como roupas que foram lavadas, mas ainda molhadas, encontravam naquele momento a maneira de se fazerem aliviadas e percebidas. As pessoas encontravam ali algum sinal da presença da vida delas mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desperto de meu transe. Meu coração parece dois tambores socados em intervalos de um segundo. Abro meus olhos com ardência nas pálpebras, vejo dezenas de bolinhas verde limão explodirem ao redor. Há suor em minhas mãos e testa. Há ainda uma nítida sensação de realização presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase que ainda posso sentir a embriaguez do êxtase daquela apresentação. Quase que posso ouvir os timbres da execução final de cada música. Quase que posso abraçar o coro das vozes em uníssono, quase que posso me queimar com o pranto dos versos cantados durante cada canção. Quase que posso tocar a volúpia de tantos corações. Quase que posso falar com o silêncio lancinante daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi há tanto tempo atrás que parecia que nunca mais iria acontecer de novo. Parecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu no último 22 de março em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome: Radiohead.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1840594534755314752?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1840594534755314752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1840594534755314752&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1840594534755314752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1840594534755314752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/03/retina-e-o-arco-iris.html' title='A Retina e o Arco-Íris'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sc2avKt0maI/AAAAAAAAAUQ/Fg7hzawKeyQ/s72-c/Landscape+with+a+rainbow+Joseph+Mallord+William+Turner.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-263055172815629186</id><published>2009-03-21T11:50:00.007-03:00</published><updated>2009-03-21T12:18:20.200-03:00</updated><title type='text'>Das Coisas que Gosto em Ti</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ScUEmNsFpuI/AAAAAAAAAUI/p4N4uHtPMBI/s1600-h/PB+0951.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315659989736859362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ScUEmNsFpuI/AAAAAAAAAUI/p4N4uHtPMBI/s400/PB+0951.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“E se por acaso chover, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quero ver o seu cabelo molhado&lt;br /&gt;Não há nada mais bonito&lt;br /&gt;Do que o seu sorriso&lt;br /&gt;O frio que te faz me abraçar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Nando Reis, em Vamos Passear de Mãos Dadas &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Gosto do teu abraço pela manhã quando se despedes de meu corpo ainda enrugado na cama. Gosto quando me ligas a cada três horas e perguntas se já comi ou o que estou fazendo. Gosto quando tiras a roupa no quarto para ir tomar banho e antes de chegar ao banheiro passa por mim para que eu beije cada um de seus seios. Gosto quando voltas do banho e pede para que eu sinta seu cheiro. Gosto de abraçar seu corpo ainda nu e refrescante. Gosto quando penteias o cabelo e não o secas. Gosto quando pegas um único travesseiro e deita no sofá, obrigando-me a deitar também. Gosto quando assistimos a filmes que já vi e durmo docemente abraçado a ti. Gosto quando dormes e não percebo. Gosto quando acordas no meio da noite e me leva do sofá para a cama sem eu perceber. Gosto de acordar sem conseguir lembrar como fui parar ali. Gosto da sua insistência para eu beijá-la antes de fechar os olhos para o sonho. Gosto do jeito que me abraças de madrugada quando dobro os joelhos ou ranjo os dentes. Gosto da nossa disputa pela manhã para decidir quem levanta primeiro. Gosto de perder a disputa de quem vai à padaria. Gosto do seu café; acredite, eu gosto. Gosto de insistir em beijá-la com gosto de café na boca. Gosto que não gostes de café. Gosto da nossa falta de planos para o sábado. Gosto de sua impaciência se não proponho nada para fazermos. Gosto quando sugeres para que apenas passeemos de carro ouvindo o &lt;em&gt;Ipod&lt;/em&gt;. Gosto que fiques brava quando deleto algo especial do &lt;em&gt;Ipod&lt;/em&gt;. Gosto que concordes que o novo deve ter preferência. Gosto que gostes de andar tolamente pela Paulista. Gosto que gostes de caminhar. Gosto quando queimas no parque. Gosto quando lembras de passar protetor solar na minha tatuagem. Gosto do orgulho que tens pela tua tatuagem. Gosto que gostes de levar minha sobrinha para passear. Gosto do jeito que ela gosta de ti. Gosto quando ela te chama de tia gata. Gosto que a incentive a me chamar de tio gato. Gosto quando comes o arroz com feijão da minha mãe. Gosto que não rejeites as frutas colhidas no quintal de trás. Gosto quando carregas minha carteira em sua bolsa. Gosto de levar sua identidade em meu bolso. Gosto que goste de tirar fotos de nossos momentos. Gosto quando insistes em apenas me fotografar. Gosto que não esqueças de levar a máquina fotográfica contigo. Gosto que me lembres de sempre carregar as pilhas. Gosto quando desafias a segurança da casa de espetáculos e registras sem flash o show visitado. Gosto que estejas sempre atenta a agenda cultural. Gosto que na impossibilidade de irmos ao cinema, você chegue em casa com uma cópia do filme desejado comprado na barraquinha. Gosto que prefiras ir ao cinema. Gosto que incentive minha coleção de cópias caseiras. Gosto de suas dicas para minha coleção. Gosto que goste de descobrir novos seriados. Gosto que fiques brava quando assisto &lt;em&gt;Lost &lt;/em&gt;sozinho. Gosto que gostes de futebol. Gosto que lembres de levar a bandeira do Palmeiras ao jogo. Gosto quando cantas junto com a minha torcida. Gosto quando xingas o juiz. Gosto que torças por outro time. Gosto que aprecie uma renomada livraria. Gosto que não se importes com o empoeirado sebo. Gosto que não se aborreça quando não encontro vaga no estacionamento. Gosto que gostes que eu dirija o seu carro. Gosto que não gostes de passear em shopping. Gosto que não gostes de fazer compras de natal. Gosto de sua preocupação ao escolher presentes de natal. Gosto do almoço de natal da sua mãe. Gosto da sua mãe. Gosto de sua irmã e irmãos. Gosto de sua cunhada e sobrinhas. Ainda não gosto do gato querendo brincar de me arranhar. Gosto quando cozinhas e eu lavo a louça. Gosto das suas várias receitas de omelete. Gosto de comer com você. Gosto quando cozinhas para meus amigos, e eu não lavo a louça. Gosto que me deixes preparar o suco. Gosto que gostes dos meus amigos. Gosto que não impliques com a reunião só dos meninos. Gosto que fiques ausente. Gosto de sentir saudades de ti. Gosto quando andas nua pela casa com as mãos cobrindo os seios. Gosto quando apagas as luzes da casa e deixa acesa apenas a do quarto. Gosto do gesto imóvel na cama só de calcinha me convidando para deitar. Gosto de deitar contigo. Gosto de dormir contigo. Gosto do cheiro de seu cabelo. Gosto do branco do seu corpo. Gosto de contar as suas sardas. Gosto de sussurrar coisas absurdas no seu ouvido. Gosto de beijar suas mãos pequeninas. Gosto de morder os dedos dos seus pés. Gosto das interrogações do teu olhar. Gosto do gosto do teu gosto. Gosto que gostes do nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-263055172815629186?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/263055172815629186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=263055172815629186&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/263055172815629186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/263055172815629186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/03/das-coisas-que-gosto-em-ti.html' title='Das Coisas que Gosto em Ti'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/ScUEmNsFpuI/AAAAAAAAAUI/p4N4uHtPMBI/s72-c/PB+0951.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1275266049707750878</id><published>2009-03-14T19:30:00.005-03:00</published><updated>2009-03-14T19:55:17.926-03:00</updated><title type='text'>Entre o Sono e o Sonho</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbwwVROdR-I/AAAAAAAAATo/TxNd3uj75Sc/s1600-h/VladimirKushwindA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313174802349770722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 315px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbwwVROdR-I/AAAAAAAAATo/TxNd3uj75Sc/s400/VladimirKushwindA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Wind, de Vladimir Kush&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“If I never see you again&lt;br /&gt;you will stay in my mind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We've only got a lifetime”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=6o5aYUc6WMg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Teenage Fanclub, em If I Never See You Again&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca lembro dos detalhes dos meus sonhos. Quando acordo, sempre tento me agarrar aos fragmentos que ainda sobrevoam a neblina da memória. Quase sempre escorrego sem firmar as mãos nos galhos da lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem despertei de um sonho confuso, onde velhos amigos que nunca se conheceram esperavam juntos por mim no quintal de uma grande casa, sentados nos capôs de seus carros. Carros antigos como Fuscas e Opalas. Acho que o quintal era maior que a casa, e eu morava nela. Curioso é que uma velha amiga também morava lá, mas não morávamos juntos. Era como se eu passasse as noites naqueles cômodos grandes, e ela vivesse os dias. Ela até tinha um namorado, mais jovem do que eu poderia imaginar, onde eu ainda não o conhecia e um sentimento inquieto exalava do aperto de nossas mãos. Não sei bem o porquê, mas o ar daquele sono lembrava um misto de rivalidade com receio de perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei incomodado como se o corpo tivesse acabado de sair contundido de uma partida de futebol. A sensação era de cansaço e preocupação. O que significava aqueles antigos amigos que não se conheciam esperando por mim? E a amiga, que há tanto tempo não a vejo, por que estava ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os únicos elementos de ligação entre eles eram a distância e o silêncio escolhidos por nós mesmos, pensei ainda deitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partes das figurinhas repetidas que trocamos sem nunca completar o álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei veloz como o furor de cães ao avistar estranhos no portão. Liguei o chuveiro e enquanto sentia a tentativa da água em aliviar a impressão mal formada do conjunto de imagens distorcidas daquela manhã, senti uma súbita vontade de procurar as pessoas que estavam naquele sonho. Senti vontade de reuni-los e colá-los um ao lado do outro, como fotos 3x4 de um álbum antigo e questioná-los sobre suas casas, carros, cachorros e camas. Como dormem e como sonham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu lhes dissesse que quando deito quero apenas soltar o peso do corpo sobre a cama arrumada e macia, sentir os braços largados e as pernas esticadas sobre o colchão. Que esparramo o rosto sobre o travesseiro e cheiro a lavanda do lençol que secou no vento. Que às vezes ocupo todo o espaço da cama deitando em diagonal. Outras vezes coloco um travesseiro entre as pernas e com o outro cubro a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando deito e fecho os olhos quero repassar o melhor do dia sob os relâmpagos da retina e saborear lentamente cada doce detalhe da fogueira que é sobreviver a cada novo amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando durmo minha esperança é que meu espírito encontre a leveza da noite e vaguei pelo espaço renovando a confiança no abrir dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando sonho um sonho bom, minha vontade é não largá-lo pelo caminho incerto da indefinição. Quero sua continuação ininterrupta e a nitidez objetiva de suas mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando tenho um sonho ruim, desejo acordar imediatamente para ter certeza de que era apenas sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando deito, fecho os olhos e durmo, sempre desejo revisitar em sonho as boas horas que tivemos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando acordo, sempre desejo dormir um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti vontade de juntá-los como álbum de figurinhas que faz todo o sentido por estar sempre incompleto; não como sonho que nunca se completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, talvez essas pessoas sejam espaços em branco de algum álbum da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1275266049707750878?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1275266049707750878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1275266049707750878&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1275266049707750878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1275266049707750878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/03/entre-o-sono-e-o-sonho.html' title='Entre o Sono e o Sonho'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbwwVROdR-I/AAAAAAAAATo/TxNd3uj75Sc/s72-c/VladimirKushwindA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-206495539785907367</id><published>2009-03-07T00:22:00.005-03:00</published><updated>2009-03-07T00:39:19.550-03:00</updated><title type='text'>Sim Sobre o Amor</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbHpPju5aPI/AAAAAAAAATg/shs-74TFCOs/s1600-h/naosobreoamor2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310281889145776370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbHpPju5aPI/AAAAAAAAATg/shs-74TFCOs/s400/naosobreoamor2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: cena da impressionante peça "Não Sobre o Amor", de Felipe Hirsch&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Drinking tea with the taste of the Thames&lt;br /&gt;Sullenly on a chair on the pavement&lt;br /&gt;Here you'll find&lt;br /&gt;My thoughts and I&lt;br /&gt;And here is the very last plea from my heart&lt;br /&gt;My heart&lt;br /&gt;Forevermore”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Morrissey, em Come Back To Camden&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se antes só, agora nem sei o que sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicar a você que quando lhe escrevo não são apenas meras palavras ao acaso que formam o desejo de querer estar ao seu lado? Como faço para que entendas que ao relatar a dor que me causa nossa distância, estou pedindo para que algum deus promova o milagre da aproximação de nossas moradas? Como posso mostrar-lhe que o exílio de seus olhos é como o nascimento de uma noite eterna sem amanhecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou proibido de falar sobre ele. Ela me proibiu. Não, ela não me pediu. Obrigou-me a não mais mencioná-lo em minhas linhas enviadas a ela. Ela só me recebe se eu não levá-lo comigo. Ela só me aceita se eu me desfaço dele. Ela só me rasga se eu não enviá-lo junto. Ela só me toca com seus dedos finos e alvos se eu não estiver vestido dele. Eu só posso estar com ela se ele não estiver mais comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sem ele sou vazio que enche o copo de ar que cega as lâminas da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ele sou sede que arde as vias da garganta, que escurece o sol da boca e enrijece os lábios da doçura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ele sou água esparramada na terra que seca antes de ser bebida. Chuva que escorre deitada sem olhar de onde veio. Gota que não pesa para cair de sua folha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ele sou pingos que não se juntam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes dele, antes que tomasse consciência de sua plenitude, de sua perfeição quanto ao estado de todas as coisas que nos cercam e nos dão forma, eu simplesmente não existia para mim mesmo. Eu não existia em mim, meus dedos e braços não tinham movimentos, meus joelhos não dobravam em minhas pernas, minha boca bocejava o sono da indiferença. Meu corpo não era matéria, minha alma não tinha intenções, minha índole era dispersa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes dele as estrelas ainda não sorriam para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele sou parte de tudo que se move e agi. Interajo com os pássaros, dou comida aos gafanhotos, canto para os cisnes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele preencho as casas dos botões, pinto as unhas das luvas, laço com o cadarço ramos de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele acende-se em mim a chama que me desperta para o dia antes dos montes serem iluminados; que aquece o inverno de quando era criança; que incendeia a noite enquanto as sombras não vêm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele tenho alicerce para suportar arranhacéus em meus ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele sou vida e sonhos perto de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você precisa entender que todas as palavras são sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as metáforas remetem a ele. Todos os adjetivos querem vesti-lo. Todos os espaços almejam cair em seu abismo. Todos os acentos anseiam sua ênfase. Todos os pontos esperam por sua continuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as ruas se cruzam para segui-lo. Todas as curvas enrolam-se para deslizar em sua superfície. Todos os faróis noturnos querem suspendê-lo para vê-lo flutuar como pétalas levadas pelo vento e espalhadas no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dia os faróis descansam a amargura de desejos como o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo choro e todo gozo são frutos e semente de seu domínio. Todo riso e todo calafrio são rompantes de seu surgimento. Toda angústia e toda calmaria são opostos que se alimentam de seus efeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda loucura profunda é zelo com o objeto amado. Toda devoção é necessidade de amparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é maior que sua recusa em me amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você não vê é que todas as saídas são fugas para encontrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-206495539785907367?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/206495539785907367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=206495539785907367&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/206495539785907367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/206495539785907367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/03/sim-sobre-o-amor.html' title='Sim Sobre o Amor'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SbHpPju5aPI/AAAAAAAAATg/shs-74TFCOs/s72-c/naosobreoamor2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7502670739162847513</id><published>2009-02-28T08:42:00.007-03:00</published><updated>2009-02-28T09:13:36.157-03:00</updated><title type='text'>A Caixa de Cartas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sakn0HW_7TI/AAAAAAAAATY/wwenul_A9z8/s1600-h/All_letter1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307817412115033394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 338px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sakn0HW_7TI/AAAAAAAAATY/wwenul_A9z8/s400/All_letter1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor&lt;br /&gt;Porque veio a saudade visitar meu coração&lt;br /&gt;Espero que desculpes os meus erros por favor&lt;br /&gt;Nas frases desta carta que é uma prova de afeição”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5TQ44MnpY2o"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Erasmo Carlos e Renato Russo, em A Carta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era manhã tranqüila de sábado quando uma voz forte e alta veio do portão: &lt;em&gt;Correio!&lt;/em&gt; Coloquei os chinelos e saí no quintal. Não havia ninguém lá na frente. Olhei para a caixa de correspondências e vi uma língua em sua boca. Parte de um envelope saltava para fora. Havia dias que eu não olhava para ela. As contas de água e luz se espremiam entre os extratos bancários e as ofertas da semana do hipermercado. Entre eles, havia um envelope amarelo, endereçado corretamente para mim, sem registro de remetente ou carimbo dos correios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei alguns longos minutos olhando para ele, passando a mão em sua superfície ou levantando-o contra a luz. Estava intrigado com seu conteúdo e principalmente com sua origem. Mas sempre que ia abri-lo eu desistia e deixava-o sobre a mesinha de centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a lembrar do meu gosto por cartas. Essa quase medieval forma de comunicação escrita entre as pessoas. Esse antigo modo de documentar a mão intenções e lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui alfabetizado minha mãe gostava de conversar em voz alta com minha avó e tias. Fazia saudações iniciais registrando a cidade, o dia, o mês e o ano em que estávamos. Em seguida perguntava como elas estavam, respondia as perguntas que haviam feito e depois contava pequenas novidades da semana. A cada quinze dias havia essa conversa virtual transmitida em papel pelos correios. Eu ia escrevendo tudo no papel de carta, um guardanapo perfumado para os olhos de quem recebia, uma toalha macia para a saudade de quem estava tão distante. Era um ritual quinzenal onde eu me esforçava para que a letra fosse a mais redonda e legível possível. Meus quase garranchos viravam carinhos nos dedos que conduzia a caneta. Cafunés nos intervalos entre a carta enviada e a próxima recebida. Suspiros pelos caminhos da espera. Sobrancelhas levantadas no coração de quem lia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adolescente os amigos conquistados sempre estiveram distantes fisicamente. Moravam em outras cidades, mas nada que uma simples viagem de uma hora de ônibus e de trem não nos deixasse próximos como o açúcar do café. Nada que um telefonema tarde da noite depois do futebol não nos tornasse vozes ao pé do ouvido convergindo segredos de liquidificador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu havia pego gosto pelas missivas, pela caneta deslizando pelo branco das páginas, pelo pensamento flutuando pelo fino da linha, pela articulação e formação das frases. Pelo cheiro da cola e pela dobra em três partes da folha. Pela ida ao correio e a volta pra casa imaginando o amigo rasgando o envelope e preservando o selo. Gostava de escrever cartas para ficar perto do destinatário como letra dentro da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia cartas de amizade disfarçadas de declarações de amor. Escrevia cartas de amor vestidas de inocente amizade. Escrevia cartas que eram orações de continuidade do amor e da amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje quando escrevo um e-mail para alguém estou de alguma forma escrevendo uma carta. Conservo o mesmo cuidado aprendido com a minha mãe na saudação como na despedida. Converso como se não nos víssemos há anos, exponho minha saudade retirada do exílio de nossas lembranças, despeço-me brevemente como se fossemos nos encontrar no próximo pôr-do-sol. Uma carta é para ser lida como um convite para o reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estou no MSN estou exercitando os diálogos de uma carta onde os sorrisos não se beijavam simultaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deixo um &lt;em&gt;scrap&lt;/em&gt; no Orkut de alguém estou escrevendo um bilhete, uma espécie de pedaços de uma carta ligeira e simplória, mas com a única nobre intenção de saber do amigo e despertar sua atenção para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando escrevo para o Blog estou secando uma carta em um varal público de idéias e sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever uma carta é molhar a língua em um poço de palavras e imagens que espelham o que você é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resisti muito mais, já salivava com a alegria daquele envelope em minha frente, parado e lacrado a moda antiga, que ao pegá-lo para abri-lo, rasgando-o por um dos cantos, resolvi baixar as mãos, ir até o quarto e guardá-lo intacto em uma de minhas caixas de cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carta guardada é mais bela do que sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7502670739162847513?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7502670739162847513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7502670739162847513&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7502670739162847513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7502670739162847513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/02/caixa-de-cartas.html' title='A Caixa de Cartas'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/Sakn0HW_7TI/AAAAAAAAATY/wwenul_A9z8/s72-c/All_letter1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4985334807583537860</id><published>2009-02-20T08:38:00.007-03:00</published><updated>2009-02-20T09:34:07.650-03:00</updated><title type='text'>Veludo Azul</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZ6h6u1rkrI/AAAAAAAAATI/GSqBdXQTOE8/s1600-h/los+porongas_sesc+pompeia+009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304855441466692274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZ6h6u1rkrI/AAAAAAAAATI/GSqBdXQTOE8/s400/los+porongas_sesc+pompeia+009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Serei cortante como a lâmina da língua&lt;br /&gt;Eu vivo à míngua do meu próprio ser&lt;br /&gt;E vá crescer&lt;br /&gt;Que eu sempre serei criança”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xx49hEh5HvM&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Los Porongas, em Não Há&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela disse enquanto eu dormia pela manhã ainda ausente de sol que a pele acima de meus ombros estava descascando. Respondi de olhos semi-fechados e embriagados de sono que estava apenas rejuvenescendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança minha mãe controlava rigidamente todos os meus passos. Fazia marcação homem a homem. Em qualquer mínima tentativa de driblar sua atenção para chutar a bola na rua, ela aparecia de trás da sombra do pé de amora para me trazer para o lado de dentro do portão. Qualquer mero esforço para ultrapassar a linha da grande área do quintal de casa e ela surgia como o quarto árbitro no futebol, mandando-me voltar para o banco. O controle era tanto que o amigo mais próximo é que tinha de ir em casa; o contrário só se ela fosse junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante certo período minha mãe passou a trabalhar fora e eu ficava na casa da vizinha que tinha filhos com idades não muito diferentes. Logo o dia passou a ser menor que os anteriores. Pela manhã a escola e a tarde o futebol no campinho de terra batida, ou a disputa no videogame concorrido do único amigo que tinha o brinquedo. Em outras tardes desenvolvíamos nosso senso de descobertas. O tempo voava e quando víamos já era quase noite. Voávamos juntos como pássaros sem identidade, sem pressa, sem motivos conscientes para pouso. Havia calma para crescer, noites inteiras para descanso, e os melhores aprendizados que aconteciam fora da sala de aula. A liberdade daquelas tardes me ensinava ruas de coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a explorar o lado de baixo da rua que dava na fazenda que existia do outro lado da rodovia, a perceber a diferença entre o barulho da água da cachoeira do da chuva sob as árvores; a saber diferenciar o pinho do fruto da pinheira, da goiaba branca da vermelha, do abacaxi da bromélia. Aprendi a caminhar sobre pedras azuis e me equilibrar no limo verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a fazer um nunchaku com um cabo de vassoura e um pedaço de corrente do cachorro, e assim lutar como Bruce Lee. Aprendi que com uma caixa de madeira de frutas da feira era possível esculpir um carrinho de rolimã. Aprendi a pegar rabeira na caçamba do caminhão de areia para voltar para o alto da ladeira. Aprendi a guerrear sob o veludo do céu segurando um carretel de linha nas mãos. Aprendi a aprimorar a precisão de meus movimentos mirando nas bolinhas de gude adversárias. Aprendi a andar em grupo e distinguir quem era a minha turma. Aprendi a cumprir horários pois não podia chegar em casa depois da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que quando nasce um bebê seu primeiro sorriso não é de olhos abertos. Aprendi que a inocência está na troca dos dentes. Aprendi que toda criança sabe contar uma história em preto e branco. Aprendi que a falta do pai é como a ausência da cor. Aprendi que coragem é a fraqueza de quem desafia o rio. Aprendi que inteligência é não duvidar dos limites do corpo. Aprendi que os amigos da infância não serão substituídos pelos da faculdade. Aprendi que quando uma menina diz que não quer ser beijada, é porque ela está pedindo o contrário. Aprendi que quando a mãe diz para ter cuidado na estrada é porque ela não quer que o filho cresça rápido demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meninos não deveriam crescer. Um dia acordam e estão mais velhos. Descobrem o quanto fugaz é o sono da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia pisam firme e não sentem mais o veludo do azul da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a cor de mar profundo em dia claro fica turvo com sinais de tempestade. Um dia a maciez branda carregada de ternura fica áspera como uma esponja de aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias ficam longos, permeados de coisas supostamente sérias, de gente grande que não pode adoecer. De momentos controlados como que pré-programados em computador. De justificativas travestidas de sucesso para aliciar o amanhã. De verdades frouxas que traçam os caminhos do hoje. De conjecturas dissimuladas que não correspondem à beleza do ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o menino acorda e as flores que enfeitam o corredor são todas de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o menino vê que cresceu sem perceber; reconhece-se no espelho pelas imagens que ficaram para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite quando ela voltou para casa comentou que minha mãe me proibiria de pegar tanto sol e me deu um protetor solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse que devo rejuvenescer com cuidado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4985334807583537860?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4985334807583537860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4985334807583537860&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4985334807583537860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4985334807583537860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/02/veludo-azul.html' title='Veludo Azul'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZ6h6u1rkrI/AAAAAAAAATI/GSqBdXQTOE8/s72-c/los+porongas_sesc+pompeia+009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-5787933360721735248</id><published>2009-02-13T15:16:00.004-02:00</published><updated>2009-02-13T15:22:25.537-02:00</updated><title type='text'>Música nos Silêncios</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZWrVJvFbjI/AAAAAAAAAS4/7hL_jNOEnMQ/s1600-h/Angels+playing+the+fiddle+and+pipe,+c.1475-97+Francesco+Botticini.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302332516177636914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 345px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZWrVJvFbjI/AAAAAAAAAS4/7hL_jNOEnMQ/s400/Angels+playing+the+fiddle+and+pipe,+c.1475-97+Francesco+Botticini.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; imagem: Angels playing the fiddle and pipe, c.1475-97, Francesco Botticini &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“God only knows what I'd be without you” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BC_UILNwWrc"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;The Beach Boys, em God Only Knows&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu era só uma pequena melodia para os meus pais aos três anos de idade e já brincava de disco voador com os pequenos compactos de vinil que ficavam embaixo da vitrola. Desenhava bonequinhos sorrindo e casinhas de uma só janela com jardins cercados nas capas, uma simbólica representação feliz dos passeios no parque nos fins de semana. As ilustrações imperfeitas da família passeando junta era a minha forma de contar a eles que eu tinha uma banda. Brincar de passear era minha canção preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pequeno eu ficava no quintal ouvindo à distância o som da vitrola enquanto minha mãe cuidava dos afazeres domésticos. Um olho no pé direito para chutar a bola, um ouvido no som que vinha de dentro da cozinha. Um olho no céu tentando antecipar o formato do bicho que a nuvem se transformaria, o outro ouvido na canção do Roberto que minha mãe entoava junto. Sobre a tampa de cimento do poço dois carrinhos duelando de bate-bate, na sala o silêncio do chiado do disco que precisava ser virado o lado. O chiado do vinil sempre foi como a respiração da canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio quebrava o sossego dos cômodos depois da aula, enchia a casa de gente fazendo companhia para o menino que era filho único. Uma algazarra de novidades saltava dos alto-falantes, pulos de permissividade invadiam aqueles dias, sons completamente diferentes do que o braço da vitrola havia se acostumado emergiam de seu ventre. Blitz, Barão, Titãs... Eu fazia uma orgia nas fitas cassetes originais do meu pai gravando por cima, até que ele comprasse uma virgem só para meu prazer. O rádio levava para dentro da casa os primeiros amigos em forma de canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é uma amizade irrevogável. Ela está presente nos momentos mais doces tanto quanto nos mais ácidos. Ela está no almoço de domingo, na celebração do aniversário, no beijo da conquista, no alívio da formatura, no tesão dos sussurros escondidos, na tensão do casamento planejado; no nascimento do choro, no enterro do sono, na comemoração do campeonato, na bebida da religião, no rosto de quem nos despedimos, na alegria do reencontro, na memória passageira e permanente da ausência. A música é um amigo que não abandona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música foi minha ama em meu rebento. O meu choro ao nascer a trouxe para perto. O balançar do berço e os enfeites suspensos ao mosqueteiro serenavam meu adormecer. O balanço dos braços da minha mãe combinados ao assobio baixo de meu pai me fazia encontrar os sonhos. As canções de ninar ainda embalam a memória distante dos meus sonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é minha amante leal. Leva-me pra cama com olhos vendados. Confio nela como seu prisioneiro. Minha liberdade tem o sopro da entrega da melodia. Nossa respiração tem sucessão rítmica de intervalos diferentes. Nossos ouvidos absorvem sons em escalas ascendentes e descontínuas. Uma sucessão linear e incoerente de beijos que rompem os segredos do dia. Nossos olhos são versos em fuga, nossos cílios o contraponto na composição. Nossos corpos são como refrões em movimento dispostos a se repetir em qualquer lugar. Nosso amor é um improviso no caos de forma consentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música me acalma, estreita a passagem de sangue dentro de mim. Diminuo o passo, encolho os joelhos, levanto os ombros e descanso o pescoço. Repouso a coluna no primeiro degrau para senti-la. Recolho a luz do ambiente para não ofuscá-la. Abro todas as janelas da casa para multiplicá-la. Eu dobro os anos vividos para ter estado presente onde a música aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu trabalho sob música, eu me alimento com música. Sem música eu me disperso, fico vulnerável. Perco a concentração do copo, erro a direção da boca. O corpo fragiliza, as células se descompõem. A música é meu equilíbrio, meu anticorpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música eleva o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-5787933360721735248?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/5787933360721735248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=5787933360721735248&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5787933360721735248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5787933360721735248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/02/musica-nos-silencios.html' title='Música nos Silêncios'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SZWrVJvFbjI/AAAAAAAAAS4/7hL_jNOEnMQ/s72-c/Angels+playing+the+fiddle+and+pipe,+c.1475-97+Francesco+Botticini.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-901395474178491775</id><published>2009-02-05T18:11:00.004-02:00</published><updated>2009-02-06T08:49:09.975-02:00</updated><title type='text'>Antes Que Termine o Dia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYtIxlFwRXI/AAAAAAAAASw/ggfnkf5bTfI/s1600-h/The+Kiss,+1907-08+Art+Print+by+Gustav+Klimt.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299409403138557298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 399px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYtIxlFwRXI/AAAAAAAAASw/ggfnkf5bTfI/s400/The+Kiss,+1907-08+Art+Print+by+Gustav+Klimt.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: The Kiss, 1907-08, by Gustav Klimt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“In time, I'll belong to you&lt;br /&gt;It's how it's meant to be”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TxEpngNm_Us&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Little Joy, em The Next Time Around&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hoje acordei protegendo-me dos raios de sol que atravessavam as frestas da janela. Eles eram lisos e finos, mas intensos, cegamente brilhantes, como o dia que lhe conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo a luz abaixou e o rubro de seus cabelos afogou-me a face. Não foi possível tocá-los nem mesmo perguntá-los em que quarto estava, pois o improvável de sua presença logo se fez realidade. Vi o meu edredom verde de listas brancas sobre a cama, os travesseiros vestindo fronhas azuis que combinam com os lençóis no mesmo tom, estampados com pétalas que parecem pintadas com o dedo indicador. Os livros amontoados, logo acima de minha cabeça, embaralhados como cartas que um dia lhe enviei, sossegam os contornos do meu amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei meio desorientado como um besouro que acabou de ser atacado e apenas dobrou uma das asas. Debato-me com minhas mãos em minhas pernas, ponho os pés no chão meio que entortando os joelhos, aprumo a coluna, e enfrento o corredor rumo ao banheiro. Tropeço no pufe pequeno na passagem pela sala, esbarro na estante de cd’s, faço meia volta e inclino o corpo para a cozinha. Preciso de um café urgente, seis xícaras, a medida exata aprendida com você. Só o cheiro já me satisfaz, lembra demoradamente nossas manhãs de mesa montada para dois. Relaxo acordando no sofá, fico disperso, sobrevoando o horizonte da parede de dvd’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tido tampo tempo para mim mesmo nos últimos dias, e mesmo assim ainda considero cedo para gastar as horas que economizei em todos esses anos de trabalho desgastante procurando outro do mesmo gênero. Esse drama não gostaria de viver outra vez, queria um filme mais leve e ensolarado, como as tardes que passávamos olhando a vista do alto da sua janela. Criativo como os rascunhos dos versos que experimentamos, onde sempre desenhávamos um menino e uma menina no final. Positivamente alegre como os nomes de crianças que inventamos, docemente fértil como as peças de lego que colocávamos uma sobre a outra e de repente tínhamos uma cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda gosto de usar caneta hidrocor para contornar os traços das linhas que estico e encurto na folha de sulfite. Lembra que foi você que me ensinou a técnica correta para preencher o lado de dentro do desenho? Você me prometeu que um dia faríamos o mesmo nas paredes de nossas casas. Eu queria começar pela parede atrás do seu sofá, como se fosse desenhar com a ponta do canivete num banco de praça ou numa árvore centenária no parque. Queria marcar primeiro o corpo do seu apartamento para depois entregar-lhe o meu. Eu nunca te contei, mas um dia escrevi com giz de cera nossos nomes atrás do seu guarda-roupa. Foi a forma que encontrei para nunca abandonar seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz muito tempo refiz o caminho daquele passeio beirando o mar, um final de semana pulando amarelinha sob as praias, desde antes o sol nascer a partir de Bertioga até o dia se pôr em Ubatuba. Um único fim de semana vivido em horas que se multiplicavam na delicia de cada paisagem e na surpresa incerta do próximo repouso. As curvas intensas da estrada, o cheiro constante da brisa das árvores, a vista incansável de um verde molhado contornando o infinito que se confundia com nossos delírios de não mais querer voltar. Seguir em viagem como nômade, como quem destina a vida ao sacrifício de não fincar raízes, como vento a semear sem parada para colheita. Como pássaro a deixar um amor em cada lugar. Refiz sozinho o percurso para em cada momento mágico encontrá-la em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia foi seu aniversário e preparei um presente personalizado para você. Sempre gostamos tanto daquela música do Wander Wildner, aquela, lembra? Mas você sabe, eu nunca gostei da idéia de ser tão direto, sempre tive a imagem de que isso torna algo tão profundo em alguma coisa comum e perecível. Sempre procurei dizê-lo de tantas outras formas. E lembrando da camiseta, preparei uma estampa especial para você usar. Um fundo vermelho com vários símbolos em branco, aleatórios, soltos, mas presos um ao outro. O desenho de dois gatos que são um casal, um meio violão da capa daquele disco, um chapéu de cangaceiro, um par de all star; uma flor que é um pouco lírio, um pouco papoula e bastante amor-perfeito; um varal com roupas, um sol sorrindo, a torre Eiffel, uma bateria; um pingüim, uma pirâmide, uma lua, um infinito e um coração. E atrás, em letras pequenas e todas juntas: eutenhoumacamisetaescritaeuteamo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tirei o meu dia para pensar em você. Terminei o filme que começamos assistindo juntos e não conseguimos chegar ao fim. Cortei a cerca viva do muro e tentei não sujar o quintal da vizinha. Levei o carro para completar o óleo e aproveitei para consertar aquele pneu. Fiz três orçamentos diferentes de tinta e separei três palhetas de cores para escolher com você. Comprei um vinho novo que me chamou a atenção e acho que o Alexandre não poderá vir em casa no domingo. Baixei o quarto episódio da quinta temporada de Lost e acho que vou assistir todos novamente. Escolhi uma música do Liltle Joy como toque do celular para quando você ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei agarrado a você. Levantei o edredom, pedi que ficasse. Você me beijou, agarrei o outro travesseiro e ouvi sua voz suave baixinha em meu ouvido dizendo que já voltava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi sonolento: &lt;em&gt;- Volta antes do dia terminar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-901395474178491775?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/901395474178491775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=901395474178491775&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/901395474178491775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/901395474178491775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/02/antes-que-termine-o-dia.html' title='Antes Que Termine o Dia'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYtIxlFwRXI/AAAAAAAAASw/ggfnkf5bTfI/s72-c/The+Kiss,+1907-08+Art+Print+by+Gustav+Klimt.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4333922203446044073</id><published>2009-01-28T16:49:00.005-02:00</published><updated>2009-01-28T16:57:02.747-02:00</updated><title type='text'>Canção da Cavalgada</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYCpc431AdI/AAAAAAAAASo/nQ52lHlA7xI/s1600-h/White+Horse+Hill,+Uffington,+1992+Evangeline+Dickson.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296419475555680722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 271px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYCpc431AdI/AAAAAAAAASo/nQ52lHlA7xI/s400/White+Horse+Hill,+Uffington,+1992+Evangeline+Dickson.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;imagem: White Horse Hill, Uffington, 1992, Evangeline Dickson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“I used to think, as birds take wing,&lt;br /&gt;they sing through life, so why can't we?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=xOUbBCC5MQU&amp;amp;NR=1"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;R.E.M, em I'll Take The Rain&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu não tenho certeza da idade que tenho. Talvez vinte e cinco ou cinqüenta e dois; talvez setenta e um ou apenas dezessete. Talvez nove ou cinqüenta e nove; às vezes três, outras trinta e três. O ano que nasci não passa de uma data marcada em um papel envelhecido e desfigurado, o qual não dou fé. O dia e o mês é apenas referência para quem quer saber meu signo ascendente. Meu aniversário é festejado para acender velas para a esperança. O ano que nasci foi submergido pelas agulhas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo é jovem como canto que estranha a primeira audição. Minha pele é lisa como sabonete novo que escorrega nas ondas planas da água na banheira. Meus pulmões inspiram o ar frio da madrugada para expirar o vento quente da novidade. Meus olhos sentem ao longe o brilho sutil da transparência, meus ouvidos repousam a atenção de segredos flamejantes. Meu falo desperta a cada suspiro feminino. Meu coração é frágil como silêncio que se expande no escuro. Minha idade tenra subestima meus desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico sério com minha sobrinha como se fosse a filha que ainda não tenho. Eu vejo livros infantis e penso nos seus olhos fixos em meus lábios imaginando a fantasia que conto. Eu me preocupo se o garfo irá ferir sua pequena boca, se o chinelo não está apertado, se não era mais confortável uma camiseta regata, se o doce que a deixa feliz não prejudicará seus dentinhos. Eu quero que ela assista todas as animações que edificam minha alma infantil. Eu me transformo nas rodinhas de sua bicicleta enquanto ela não descobre o equilíbrio. Eu não a respeito se ela adormece em meus braços, a quero correndo e sofrendo o risco de ralar os joelhos para depois eu assoprar. Minha idade quer duplicar as lembranças de quando era criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu insisto com a amiga virtual para que saltemos da tela do computador. Nossa distância é um muro de teclas de onde envio meu sorriso para receber o dela. Peço para que pule comigo e me encontre. Quero identificar a cor de seu cabelo, conhecer a altura de seus olhos, ouvir o movimento de seus lábios sobre o dia que teve. Quero que nosso abraço se transforme em aroma que perdure na imagem de nossa busca. Quero que nossa conversa resulte no vento que impulsiona a vela da lembrança de nossa adolescência. Minha idade é uma simulação para a plenitude do crescimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu convenço um velho amigo a revelar suas fotos digitais no bairro mais distante. Faço-o descer duas estações de metrô antes. Quero andar ao seu lado por mais tempo, quero sua companhia rara em uma tarde de segunda feira de pouco sol. Convido-o para assistir uma comédia romântica européia no cinema cult da cidade. Ele resiste, acha que vão nos confundir com algum casal de namorados. Adoro a idéia e jogo o braço por cima de seus ombros. Nossa amizade é um caso de amor antigo, explico a quem finge que não olha. Alongo o caminho da volta para que nosso passeio eternize em algum momento de nossa vida adulta. Minha idade fortalece o caráter da amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mente enlouquece com os devaneios criados pelo homem. Às vezes quer ser criança escondida embaixo do véu da mesa, outras vezes quer a frente da batalha armada. Às vezes quer brincar de soldadinho de chumbo, outras vezes quer rasgar o título de eleitor. Às vezes quer ciranda no asfalto, outras vezes quer desistir de seguir. Minha idade é o meio-fio que equilibra minhas decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouço&lt;em&gt; V&lt;/em&gt; da Legião com a maturidade de quem sempre ergueu o sorriso na despedida. Em cada compasso de sua amargura medieval um pouco mais de mim solidifica-se na incerteza sóbria de dois cavalos-marinhos. Em cada verso lisérgico um abraço epiléptico dança comigo com olhos marejados. Em cada espasmo de relâmpago cansado uma voz trêmula acaricia minhas orelhas durante a canção. Em cada lembrança repentina do que é composta a tristeza sinto o alívio cintilante da saudade dos dias que virão. Às vezes tenho a idade do exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu leio Virginia com a idade do amargo por entre as gengivas. A cada frase com pausa acentuada um pedaço do que sempre desisti em mim toma contornos de um blues épico. A cada ponto de encerramento vislumbro um fim atenuador para a dor do que ela me transforma. Um deserto de almas que preenchem a sala ao som de Radiohead. Um cemitério em festa com a chegada da torcida organizada. A visão do horizonte sem contornos de terra maciça. Às vezes eu tenho a idade das trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo tem o sono agitado de um velho em cadeira de rodas que rodopia entre bicicletas e skates no parque. A força dos meus braços altera o movimento padrão do eixo circular que suporta minha massa muscular e ossos. Sou todo matéria que interfere e confunde, que perturba e agride, que provoca e acaricia. Sou todo fogo e areia. Chuva em noites árduas. Minha idade rija ainda molha a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho certeza da idade que tenho. Minha idade é a soma de tudo o que vivo menos todos que ainda não vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4333922203446044073?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4333922203446044073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4333922203446044073&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4333922203446044073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4333922203446044073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/01/cancao-da-cavalgada.html' title='Canção da Cavalgada'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SYCpc431AdI/AAAAAAAAASo/nQ52lHlA7xI/s72-c/White+Horse+Hill,+Uffington,+1992+Evangeline+Dickson.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-2918163001490243784</id><published>2009-01-20T16:28:00.006-02:00</published><updated>2009-01-20T16:47:46.244-02:00</updated><title type='text'>Amnésia II</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SXYZ9HOAgYI/AAAAAAAAASQ/1rkdKjlcCAs/s1600-h/Kite+Flying+in+Kensington+Gardens+Arthur+Rackham.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293446949721112962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SXYZ9HOAgYI/AAAAAAAAASQ/1rkdKjlcCAs/s400/Kite+Flying+in+Kensington+Gardens+Arthur+Rackham.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;imagem: Kite Flying in Kensington Gardens, Arthur Rackham&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Sempre precisei de um pouco de atenção&lt;br /&gt;Acho que não sei quem sou&lt;br /&gt;Só sei do que não gosto&lt;br /&gt;E destes dias tão estranhos&lt;br /&gt;Fica a poeira se escondendo pelos cantos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=REsXN8UgymU"&gt;Legião Urbana, em O Teatro dos Vampiros&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Olho em direção a rua e vejo o lampejo de duas crianças correndo, uma descalça e a outra usando uma camiseta branca de escola, descendo a ladeira olhando para cima e desviando dos carros e das ondulações da calçada desnivelada. Estico meu pescoço para fora da janela para ver o que está acontecendo. Cinco casas abaixo elas param. Pousam os olhos ofegantes para o alto em direção aos fios do poste de luz da rua. Paradas e com os cabelos desconsolados observam uma pipa enrolada, dançando e tremendo, presa a alta tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto minhas impressões e conhecimentos soltos no ar como a linha da pipa levada pelo vento. Minhas idéias não se aproximam mais, não se juntam, não colam mais uma na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo minhas lembranças presas a uma armação de bambu, leve, coberta de papel fino, suspensas no alto, distantes de mim, ligadas a uma corda imensa que não toco mais. Minha memória prendeu-se a dias que não mais tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória é como uma amiga distante que passa por mim quando faço a curva na esquina da rua de casa. É o virar de costas para a roupa nova desfilada pela namorada, é o botão do casaco que caiu, é o pijama branco com as meias pretas na máquina de lavar. É o chá de erva-doce que ferveu, a omelete com azeitonas que passou do ponto, a louça empilhada sobre a mesa sem toalha, a pia molhada depois de deitar. Minha memória não fecha a porta da geladeira de madrugada ou apaga a luz do banheiro na saída. Minha memória me dá as costas quando a procuro de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória não tem agenda e desconhece as semanas com feriados prolongados. Trai a segunda pensando exclusivamente na chegada da sexta. Engole as terças, desacredita das quartas e pisa de olhos fechados nas quintas. Respira a semana sem mastigar a essência da passagem dos dias, quer o fim sem se emocionar com o meio, quer a parte de dentro sem contornar o lado de fora. Quer alisar a casca e não ferir a pele. Quer a pressa da chegada e a ausência da partida. Minha memória é uma semana em descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória virou uma estrada de alta velocidade durante um temporal. Não enxergo nada à frente, os limpadores não dão mais conta da força da água que cai. O vapor da minha respiração de olhos perdidos embaça os espelhos do carro. Os vidros parecem ter flocos de neve que engolem o caminho. Caminhões passam rente deixando um zumbido de poças arremessadas no guard-rail. Quando a tempestade passa há dois pedágios em níveis diferentes na rodovia com rotas distintas. As placas não orientam, só confundem o ralo das informações. É preciso escolher um sem descer do veículo, achar um retorno que a ponte esconde, dar marcha a ré na contramão. Minha memória está paralisada no acostamento e não lembra de usar o pisca alerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória é como algo que passou por mim quando ainda queria ter mais. É como a brisa fresca que surge no meio da tarde ao voltar do almoço na rua. É como acordar cedo sem conseguir levantar o corpo da cama. É banho quente interrompido quando falta luz no inverno. É jogo de futebol quando a bola bate na trave. É roupa seca no varal quando começa a chover. É um bom livro lido no metrô quando é preciso desembarcar. É o telefone celular que canta desesperadamente enquanto eu sonhava. É uma boa conversa com aquele bom chefe sem cerveja. É a sobremesa de gelatina de abacaxi da Dona Ana que não dura muito tempo quando conservada. Minha memória me abandona nos momentos mais doces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças abaixam os olhos para o poste e os fios. Optam por esquecer aquele papagaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou os olhos da memória daquela criança com camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conjunto do que deveria ser minha memória é hoje um mar de pipas embaralhadas no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-2918163001490243784?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/2918163001490243784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=2918163001490243784&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2918163001490243784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2918163001490243784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/01/amnsia-ii.html' title='Amnésia II'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SXYZ9HOAgYI/AAAAAAAAASQ/1rkdKjlcCAs/s72-c/Kite+Flying+in+Kensington+Gardens+Arthur+Rackham.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3741341893341821445</id><published>2009-01-15T08:16:00.008-02:00</published><updated>2009-01-15T15:39:37.848-02:00</updated><title type='text'>Amnésia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SW8NbP00GtI/AAAAAAAAASA/rJCPSZo09CY/s1600-h/The+Shelf,+2004+Charles+E.+Hardaker.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291462848939301586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 311px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SW8NbP00GtI/AAAAAAAAASA/rJCPSZo09CY/s320/The+Shelf,+2004+Charles+E.+Hardaker.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;imagem: The Shelf, 2004 Charles E. Hardaker&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“This is my way of saying goodbye&lt;br /&gt;Because i can't do it face to face&lt;br /&gt;I'm talking to you&lt;br /&gt;After it's too late&lt;br /&gt;From my videotape”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=-kCKob1YKOU"&gt;Radiohead, em Videotape&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=-kCKob1YKOU"&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;''&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Algo se perdeu no instante impreciso das minhas lembranças. Não recordo mais como eu era há seis anos e seis meses atrás. Não encontro em meus cabelos o cheiro daquele tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus olhos sem brilho não reconhecem mais as pessoas paradas na entrada. Entro no elevador com mais seis estranhos e deixo todos apertarem primeiro seus andares enquanto decido qual é o meu. O cartão que abre a porta de vidro não tem mais o meu rosto fino e jovem estampado nele. O corredor a direita é uma avenida desconhecida de carpete azul marinho. Passo pela máquina de café e paro; sinto nela uma ligação quase materna. Será que algo passará a fazer sentido? Na outra porta mais a frente vejo uma placa com a inscrição em negrito: finanças e controladoria. Coloco a mão na maçaneta com o pavor de quem acha que está prestes a abrir uma jaula. Olho para dentro e a sala está vazia. Vejo computadores ligados sobre as mesas e papéis espalhados nas cadeiras. Onde estão todos? Ou será que sou eu que não pertenço a esse lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que estou fazendo ali, não sei quem eu deveria procurar, não lembro que caminho fiz para chegar aqui. Não sei como recomeço ou de onde parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha memória está sem chaves.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3741341893341821445?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3741341893341821445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3741341893341821445&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3741341893341821445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3741341893341821445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/01/amnsia.html' title='Amnésia'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SW8NbP00GtI/AAAAAAAAASA/rJCPSZo09CY/s72-c/The+Shelf,+2004+Charles+E.+Hardaker.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3797729446398137967</id><published>2009-01-10T02:32:00.010-02:00</published><updated>2009-01-10T03:16:54.629-02:00</updated><title type='text'>Dona Ana</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWgn6BgM_PI/AAAAAAAAAR4/7-cNrsVkkCg/s1600-h/Digitalizar0024.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289521640136047858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWgn6BgM_PI/AAAAAAAAAR4/7-cNrsVkkCg/s400/Digitalizar0024.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;foto: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Love is not the easy thing&lt;br /&gt;The only baggage you can bring&lt;br /&gt;Is all that you can't leave behind”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Z72Uv-qMci0"&gt;U2, em Walk On&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Will you still need me, will you still feed me&lt;br /&gt;When I'm sixty-four?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ylX_ByD_QGs&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=37A391929914E9A9&amp;amp;playnext=1&amp;amp;index=24"&gt;The Beatles, em When I'm Sixty-Four&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dona Ana nasceu em 31 de dezembro, há 64 anos atrás. Quem a vê pela primeira vez cozinhando tem a sensação de 55, quem tem o privilégio de saborear qualquer de suas tentadoras sobremesas acha que ela não passa de 48, quem a viu no show do &lt;a href="http://www.oteatromagico.mus.br/novo/"&gt;O Teatro Mágico &lt;/a&gt;acha que não tem mais do que 42. Dona Ana rejuvenesce a cada novo olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana possui o dom da sedução culinária. Conquista imediatamente pelos bocejos do estômago. Seja uma peixada portuguesa, uma irrecusável feijoada, a simplicidade do improviso da macarronada, o encanto do cheiro do arroz com feijão, a imbatível omelete de batatas, ou o irrecusável cafezinho fresquinho, Dona Ana desmonta a casa para criar na visita a vontade de voltar sempre. Há visitas que remoem seus sorrisos por não poderem ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana é uma figura simples do lar com coração de mãe que não cansa de acariciar. Dia destes havia sobre a estante de sua sala ao lado do rádio, um cd intitulado &lt;em&gt;Pena Branca, Cantar Caipira&lt;/em&gt;. Peguei-o com a curiosidade da beleza que me trouxe à memória as manhãs caipiras de domingo na tevê que meu pai não perdia em casa. Quando abri o encarte, uma surpresa pra mim: estava autografado. Carinhosamente dedicado para aquela senhora que estava na cozinha providenciando um cheiroso café. Perguntei espantado a ela sobre aquela proeza (já que ela nunca havia mencionado o gostar caipira) e ela me respondeu com a naturalidade mãe da espontaneidade: &lt;em&gt;“Ah, esse cd o Pena Branca veio aqui em casa com a esposa dele que é minha amiga e deu pra mim. Você gosta dele? Vou ligar agora pra casa deles e contar que você gosta dele.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana tem a alma agitada como criança superativa e docemente irresponsável como adolescente apaixonado. Meses atrás ela torceu um dos tornozelos, não foi ao médico e se automedicou. Todo o pé inchava um pouco mais a cada vez que alguém a repreendia pelo descuido. De tanto que a amolaram resolveu ir ao hospital, recebeu algumas broncas como se fosse a mãe do paciente que demorou para levar o filho. Foi claramente advertida a ficar em repouso: &lt;em&gt;“nada de colocar o pé no chão”&lt;/em&gt;. Ao chegar em casa ela obedeceu prontamente o médico. Deve ter ficado umas seis horas descançando para em seguida preparar a lista do supermercado e arrastar a perna de um lado para outro da casa que tem escada que leva ao quarto. Recusou-se nos primeiros dias a usar muletas, alguém pensando em seu conforto até sugeriu uma cadeira de rodas, o que foi também recusado. Logo a dor aumentou e todo o pé mais meia perna foram engessados. Resolveu então aceitar as muletas e fazer compras no mercado com um carrinho motorizado. O gesso quebrou e a planta do pé trincou em dois lugares. Foi ameaçada de internação e cirurgia, mas desafiou a idade e o tempo para ajudar a enfeitar a festa de fim de ano da empresa. Bem que o médico tentou, mas não conseguiu parar a Dona Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana renova a cumplicidade e confiança com as gerações mais recentes. Em um 1º de abril não muito distante, a neta de apenas 13 anos ligou para ela com uma suposta novidade: estava namorando. A neta arteira já havia ligado para uma Tia onde recebeu de reação um preocupante e abalado &lt;em&gt;“você já contou isso para o seu pai?”&lt;/em&gt;. Dona Ana, no lumiar de sua sobriedade e modernidade, comemorou com a neta: &lt;em&gt;“Que ótimo meu amor! E como ele é?”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana sempre trabalhou com vendas, mas desarmada da intenção de iludir. Talvez venha daí o aperfeiçoamento do carisma para cativar as pessoas, a sensibilidade para a atenção minuciosa com alguém ainda desconhecido, o alerta para não faltar o pão, a paciência para primeiro acomodar e depois se servir, a insistência para que provem o doce de sua simpatia. Dona Ana sempre vendeu cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana é da época dos retratos em preto e branco, da elegância discreta em trajes de banho, dos chapéus como símbolo de inocência e progresso, das luvas que tocavam com delicadeza ou desafiavam com aspereza, da dança no salão de olhos fechados e respeito nas mãos, do suspiro suspenso ao avistar o pretendente mais bonito. Dona Ana é de uma época onde a paixão tinha o som leve da neblina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Ana é vendaval de sentimentos em casa cheia e mesa farta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3797729446398137967?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3797729446398137967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3797729446398137967&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3797729446398137967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3797729446398137967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/01/dona-ana.html' title='Dona Ana'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWgn6BgM_PI/AAAAAAAAAR4/7-cNrsVkkCg/s72-c/Digitalizar0024.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4385199015327052224</id><published>2009-01-03T22:35:00.006-02:00</published><updated>2009-01-03T23:09:57.027-02:00</updated><title type='text'>Laila</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWAHFvuPSdI/AAAAAAAAARU/p6H-xm-pp7U/s1600-h/The+Music+Lesson,+1877+Frederic+Leighton.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287233757824109010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 388px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWAHFvuPSdI/AAAAAAAAARU/p6H-xm-pp7U/s400/The+Music+Lesson,+1877+Frederic+Leighton.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;imagem: The Music Lesson, 1877, de Frederic Leighton&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Good times for a change&lt;br /&gt;See, the luck I've had&lt;br /&gt;Can make a good man&lt;br /&gt;Turn bad”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=eu4k5sTzxIw"&gt;The Smiths, em Please, Please, Please Let Me Get What I Want&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foram tantos os versos escolhidos, tantos os cartões não escritos, os dedos encolhidos, as mãos recolhidas, os olhares distraídos, as letras imprecisas, os textos inacabados, como se a vida começasse no momento do riso da despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tantas as tentativas, os encontros e também os desencontros, como se várias consoantes perseguissem a mesma vogal, como se o final da frase tentasse beijar o próximo parágrafo, como se o travessão impedisse o encontro da bola com a rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tantos os momentos de ansiedade, as mãos suadas, o cabelos desalinhados, os bolsos da calça com as línguas para fora, como se beijassem as barras e enroscasse no próprio pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tantos os minutos contados, os segundos suados, a insegurança repentina, os objetos atirados, os sonhos imaculados, os desejos sonegados, a frase arrancada, a lágrima rasgada, o véu queimado, como se o tempo engasgasse com o vento da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laila acaba de anotar em um pequeno caderno que lembra uma agenda sem dias sequenciais alguns dos momentos mais repetitivos dos seus últimos 15 anos de vida, como se os empilhassem para que sejam queimados com o ano que passou. Ela acredita na cremação do ano que ficou para trás. Dessa vez, resolveu fazer uma pilha de anos e queimá-los todos juntos. Esse fogo suaviza a tempestade dos dias de então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laila registra a cada final de ano as pequenas conquistas de uma vida de lutas e largos sorrisos. Seus registros são feitos em folhas diferentes e aleatórias, sem datas e com a mesma caneta, como se a noite não começasse com o pôr-do-sol. Mistura todos os fatos e a cada 365 dias tem a sensação de que sua vida pode ser barco sem ponto exato para desembarcar. Ela acha que a contagem de tempo diminui a distância entre o presente e o mistério do que a vida ainda lhe oferecerá de belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tantos registros sem ordem cronológica preenchendo o branco das linhas de seu caderno sigiloso, embaralhados em níveis de importância, soltos como fotos de um álbum antigo e só tocado na visita do parente que não se vê há anos, há uma folha com um ranking recente dos momentos considerados mais especiais, como o dia em que sentou no colo do papai Noel quando criancinha ainda sem os dentes da frente – aquele dia prolongou um pouco mais a existência de suas fantasias infantis; a formatura da 8ª série em cerimônia realizada dentro da sala de aula – concluir o ensino fundamental era ter o dobro de anos de estudos de seu pai; o primeiro trabalho com mesa e computador – a fase do balcão e atendente de telefone havia finalmente acabado; o nascimento da primeira sobrinha, a prova para tirar a habilitação, a inscrição para o vestibular e a dúvida cruel da escolha, o reencontro após 20 anos com a avó materna; o namorado que lhe apresentou para a família antes dele conhecer a dela, o ano novo em Blumenau, a venda do fusca para viajar para Londres, a volta para casa; a noite em que dormiu sozinha em sua nova casa, as demais manhãs preparando o seu próprio café, o dia em que reuniu em sua casa quase todos os amigos mais antigos; o autógrafo personalizado do autor famoso da internet, a criação do seu próprio blog, o show da banda que não vinha nunca, as alianças de noivado ganhas no intervalo do show – seu ranking são lembranças molhadas de tardes de sol a pino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laila vira a página de seu caderninho, olha para a nova folha ainda sem passado, e fixa o olhar no que ainda não aconteceu, no que ainda lhe falta para provocar sentido nessa existência. Ameaça listar uma série de desejos ainda não realizados, uma lista de conquistas a serem alcançadas, como o homem que planeja os detalhes para escalar uma montanha. Pressiona o bico da caneta contra a folha pálida, escreve e traceja: um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laila quer dias de alegrias infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4385199015327052224?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4385199015327052224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4385199015327052224&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4385199015327052224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4385199015327052224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2009/01/laila.html' title='Laila'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SWAHFvuPSdI/AAAAAAAAARU/p6H-xm-pp7U/s72-c/The+Music+Lesson,+1877+Frederic+Leighton.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7928671432709779013</id><published>2008-08-09T01:32:00.007-03:00</published><updated>2008-08-09T01:59:16.737-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><title type='text'>A Ternura e o Papel Toalha</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(para &lt;/span&gt;&lt;a href="http://katiamultiplasfaces.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Kátia Corrêa de Carli&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SJ0eSb8BPVI/AAAAAAAAAMs/NE2HKkkZl9s/s1600-h/Towards+the+Hills,+1980+Peter+Davidson.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232371644160359762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SJ0eSb8BPVI/AAAAAAAAAMs/NE2HKkkZl9s/s400/Towards+the+Hills,+1980+Peter+Davidson.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;imagem: Towards the Hills, 1980, de Peter Davidson &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“If there's a place I want to go&lt;br /&gt;Then I'll be there with you&lt;br /&gt;'Cos in my dreams the things&lt;br /&gt;I'm wishing for&lt;br /&gt;Keep coming true”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Belle and Sebastian, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=PxzMR2F3bRo"&gt;&lt;em&gt;Waiting For The Moon To Rise&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando alguém querido faz aniversário, quero desperdícios de beijos, orgias de abraços e sorrisos nas orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que o dia nasça ensolarado e sufocante para que seus olhos ardam na garganta a beleza controversa de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que sua noite reflita a luz úmida da emoção dos pais no dia em que ele veio ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que chova apenas na janela do seu carro ou do seu ônibus. A chuva no vidro sem molhar o rosto é a lágrima da saudade de uma lembrança que ainda não nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que seu telefone vire uma sinfonia de chamados distintos causando o caos na lembrança, o suspense na memória, o transe na língua indecisa, o conforto do abraço na voz reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que o trânsito pela manhã tenha o dobro do volume para que os votos de felicidades do amigo que ligou cedinho sejam estendidos com promessas de encontros que duram uma rodovia inteira. A amizade é o asfalto da estrada dos que não estão sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que seu amigo mais distante e de anos ausente em sua história, apareça em texto confessando a cobiça pelo encontro sempre prometido e nunca realizado. Uma promessa de reencontro não cumprida é o selo de resistência da amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que a voz da pessoa amiga que se transformou em rota indefinida, clareie nesse dia os traços da reconciliação. Que a ausência seja um lapso na memória; que a falta seja substituída pelo indulto; que a carência seja a urgência do afeto amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que o dia se alongue e que a noite não termine. Que suas horas não passem e que as visitas e ligações dos amigos se multipliquem como formiga ao encontro do açúcar. Porque a vida é doce quando se tem amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, desejo que seja agraciado com o espanto da surpresa escondida dentro do escuro de uma sala sob palmas e cantos. Que lá esteja presente a sabedoria preocupada da mãe que não descansa nunca e o suor dedicado do pai que protege e encoraja uma nova luta. Que lá esteja vivo o brilho da amizade conquistado na infância e o silêncio respeitoso do amor da menina que ficou guardado nas fotografias. Que o primeiro pedaço do bolo seja oferecido ao guardião do seu coração. Que o segundo pedaço seja colocado de lado como símbolo de que todos os presentes têm a mesma importância. O bolo repartido são pedaços das amizades galgadas no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu faço aniversário, o primeiro sopro na vela é um pedido de proteção aos deuses às pessoas que não puderam estar presentes; o segundo sopro é um agradecimento as vidas daqueles que estão comigo; o terceiro é a despedida no tempo que passou e um carinho de boas vindas ao novo instante que iniciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém querido faz aniversário, sinto vontade de rabiscar nossa história no papel toalha branco e macio e depois enxugar as lágrimas quentes com ele; para que o sal se misture ao azul da caneta e nossa ternura se torne infinita como o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7928671432709779013?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7928671432709779013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7928671432709779013&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7928671432709779013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7928671432709779013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/08/ternura-e-o-papel-toalha.html' title='A Ternura e o Papel Toalha'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SJ0eSb8BPVI/AAAAAAAAAMs/NE2HKkkZl9s/s72-c/Towards+the+Hills,+1980+Peter+Davidson.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-5279458411918383198</id><published>2008-08-01T23:51:00.004-03:00</published><updated>2008-08-02T00:12:18.313-03:00</updated><title type='text'>Onde os Fracos não Têm Vez</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SJPMdpzmnkI/AAAAAAAAAMk/YAFm5u4ffu8/s1600-h/Woman+Holding+a+Balance,+c.1664Jan+Vermeer.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229748402117844546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SJPMdpzmnkI/AAAAAAAAAMk/YAFm5u4ffu8/s400/Woman+Holding+a+Balance,+c.1664Jan+Vermeer.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; imagem: Woman Holding a Balance, c.1664 de Jan Vermeer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Que angústia desesperada&lt;br /&gt;Minha fé parece cansada&lt;br /&gt;E nada, nada mais me acalma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todo desencanto&lt;br /&gt;Eu não desisto de amar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Barão Vermelho, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=KtS0CO3C-Tw"&gt;&lt;em&gt;Daqui Por Diante&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meus anos de inexperiência nesta vida ainda me questionam: será que sempre é assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um menino de 12 anos está do lado de dentro de uma mercearia, mais precisamente nos fundos, pesando cuidadosamente dois quilos de milho para um freguês. Há ali vários barris com cereais. De arroz a quirela; há até um barril com ração para cães. Os sacos de papel que vão de um a dez quilos estão em uma bancada ao lado, enfileirados em ordem crescente. Seu instrumento de trabalho é uma vasilha para colocar o conteúdo pedido dentro do saquinho, uma balança e uma caneta para somar as contas que são desenhadas no papel que fica exposto sobre o balcão, normalmente usado para enrolar o pão. Outra pessoa aproxima-se e encosta os braços sobre a geladeira horizontal que abriga diversas bebidas. O atendente mirim após devolver o troco pra o comprador do milho, pergunta em que pode ajudá-lo. O novo cliente quer feijão, cinco quilos. O menino, franzino como galhos secos esquecidos no tempo, olha para sua direita e pede ajuda ao colega mais velho de trabalho. Cinco quilos era peso suficiente para sucumbir seus jovens braços de menino que freqüentava a sexta série primária pela manhã, para logo em seguida correr para o trabalho precoce na mercearia. Cinco quilos tornavam a balança que ficava na altura de seu nariz maior em dois metros. Cinco quilos o faziam entregar os pontos e lembrar que deveria estar na rua empinando pipa no céu. Ele sempre sonhava com cinco quilos de nuvens brancas em formatos de desenhos diversos sobre sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma padaria, o garoto de 16 desembarca de sua bicicleta e entra rapidamente para trocar o agasalho que estava usando no jogo de basquete pelo avental branco e bordado do estabelecimento. Mal entrou e o patrão já ordenara que abastecesse a geladeira com refrigerantes. O garoto arrastou um engradado plástico com coca-cola e passou a colocar em movimentos rápidos as garrafas de vidro no interior do móvel, uma a uma, outra sob outra e outra, quando de repente, um estouro. No contato entre a garrafa de cima e debaixo, o corpo de uma delas explodiu em sua mão direita, provocando um longo corte na palma. O patrão ao perceber o que havia acontecido, arrasta a mão do rapaz para debaixo da torneira da pia na intenção de que a corrente da água parasse o sangramento. Como o vermelho do sangue continuava a colorir a pia, a esposa do chefe resolveu intervir também. Abaixou-se junto à máquina de preparar as bebidas quentes, pegou pó de café, tomou para si a mão do garoto como se fosse um vaso de alguma planta qualquer e a encheu daquele pó preto como terra, estancando a sangria. Havia um silêncio de alívio nos olhares dos patrões. Segundos depois, o proprietário do estabelecimento pegou um pano, enrolou na mão do garoto e lhe explicou que o levaria ao pronto socorro, mas não poderia mencionar em nenhum momento que havia se acidentado no trabalho, pois não tinha registro de emprego. Após levar doze pontos, ter o curativo terminado e tomar uma benzetacil na bunda, voltou para o trabalho para terminar de cumprir suas tarefas, como encher a geladeira com a mão esquerda. Passou a tarde calado executando suas funções, como quem deseja que o relógio avance quatro horas em vinte minutos, lembrando que não poderia voltar para casa de bicicleta, e o pior que uma lembrança pode provocar quando não há mais alternativas para mudar o que está definido: havia sido o cestinha do jogo de basquete pela manhã; não o seria mais tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No departamento de Logística de uma empresa de transportes rodoviários, com a promoção de um gerente para o cargo de diretor, o coordenador da área, o Geraldo, foi promovido a gerente. Abaixo dele havia duas analistas, uma delas deveria ser promovida por ele para o cargo que havia sido seu. Uma das meninas, a Helena, tinha mais tempo de casa, havia passado por várias outras funções na empresa até chegar a atual, era de confiança e tinha ótimo relacionamento com o chefe. A outra menina, a Cristina, apesar de mais jovem, tinha mais experiência na área, cursos de especialização, e autonomia própria para exercer suas funções, detalhe que não agradava muito ao Geraldo. Ele chamou as duas para conversar, uma de cada vez, explicou a situação e expôs o que imaginava que havia de bom e ruim no perfil de cada. Disse-lhes que levaria alguns dias para pensar no que considerava tomar uma difícil decisão. Ele olhava para elas e enxergava estilos diferentes com resultados semelhantes. Uma era uma lança, uma arma mais rudimentar, mas ofensiva, que sabia que quando necessário era preciso arremessar-se de cabeça para conseguir o queria. A outra era uma espada, uma arma branca pontiaguda e habilidosa em suas funções. Ambas poderiam ser a nova coordenadora da área, mas havia apenas uma vaga. Alguns dias passaram e no happy hour de confraternização do novo diretor e gerente, Helena perguntou ao Geraldo se ele poderia lhe dar uma carona e deixá-la perto de casa. Quando estavam voltando, enquanto seu novo gerente dirigia, a moça candidata passou a fazer um provocador carinho sobre o tecido da calça do homem que naquele instante era seu motorista. Geraldo a olhou com as sobrancelhas de quem tem fome no sorriso, desviou da rota original e entrou em um motel. Quatro semanas depois, Cristina recebia a notícia: sua colega Helena havia sido a escolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma festa rave na Serra da Cantareira, o jovem Edcarlos de apenas 22 está com os amigos curtindo a balada. A música é muito alta, um putz putz de doer o cérebro, e logo ele pensa que preferiria estar numa dessas casas que tocam clássicos do rock como Pearl Jam e Soundgarden. Edcarlos achava que o rock dos anos 90 era um maravilhoso passado próximo. Mas os amigos, sempre os amigos, o haviam convencido de curtir uma balada diferente. Ele se esforçava para tentar ser mais um ali, imitava gestos, prestava atenção nos semblantes como em órbita, tal qual em viagem astral. Ele dançava sozinho o som da multidão, mas logo viu um rosto bonito que também olhou para o dele. Camila também havia saído aquela noite com as amigas, mas para ela já era quase como que rotina. Todo final de semana aquela curtição, as amigas, as bocas diferentes, o bate estaca na cabeça, os comprimidos, o retorno pra casa e a incerteza de superar a rotina de mais uma semana. Como os olhos do jovem rapaz (cujo corpo parecia que não aproveitava a música como as demais pessoas) não desviavam de sua direção, Camila resolveu aproximar-se dele. Rapidamente estavam se beijando e a música provocando intimidade. Dois meses após esse encontro do acaso, Camila estava morando com Edcarlos. Ed (como era conhecido entre as pessoas próximas) era rapaz correto e simples que apreciava bom rock, amava sua moto e trabalhava num laboratório químico de produtos farmacêuticos. Uma noite quando estava chegando em casa vindo do trabalho, três homens brancos usando moletons com capuz o abordaram na esquina de sua rua. Queriam que ele liquidasse uma suposta dívida de comprimidos que Camila havia contraído com eles. Como sabiam que ele era trabalhador, mas também de família de posses, disseram-lhe que a dívida poderia ser quitada apenas com a entrega da moto, e iriam lhe dar alguns dias para se decidir. Ed ao chegar em casa discutiu com Camila sobre o assunto, ela negou as acusações e naquela noite mesmo saiu da casa do namorado sem dizer para onde ia. No dia seguinte, quando saia do trabalho, Ed optou por deixar a moto guardada lá mesmo. Voltou para casa de ônibus e passou os dias seguintes indo trabalhar dessa forma. Na manhã do quarto dia, quando se preparava para ir para o laboratório, os tais homens apareceram em sua frente novamente. Ele tentou explicar que não tinha o dinheiro que queriam, nem moto e não sabia mais onde estaria Camila. De forma corajosa, virou as costas para os estranhos sujeitos e seguiu para o ponto. Nesse momento, havia um ônibus parado com algumas pessoas entrando. Ed aproximou-se e apoiou a mão direita na barra da porta do veículo e deu leve impulso ao corpo para subir as escadas. O motorista da linha 7401 que observava os passageiros das 6h20 entrarem em seu veículo viu um homem branco e loiro com capuz azul sobre a cabeça logo atrás da última pessoa que lhe cumprimentaria naquele horário. Naquele momento, ao firmar os pés sobre o primeiro degrau do veículo e levantar a cabeça para dar bom dia ao motorista, um tiro a queima-roupa foi disparado contra aquele passageiro. Edcarlos morreu com um tiro na nuca ao subir no ônibus que o levaria para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois casais estavam a caminho de uma festa de aniversário, saindo da zona oeste da cidade em direção a zona sul. Mariana que dirigia um Fiesta vermelho usava óculos e não tinha certeza da localização do evento. Essa cidade tão maluca, tão escura mesmo iluminada, tão cheia de pontes e saídas parecidas, confundiam sua noção de localização. Ela não gostava muito de dirigir, mas o namorado enxergava na abdicação do volante um certo charme de independência doado a namorada. O casal amigo no banco de trás havia passado a tarde preocupados na escolha certa do presente. Ficaram indecisos entre o livro infanto-juvenil da Madonna e o primeiro Harry Poter. Acabaram optando pela rainha do pop, achavam que era uma forma criativa de introduzir por linhas paralelas a imagem da artista na vida de uma menina de 12 anos. Enquanto contavam do banco de trás para os amigos da frente os critérios na escolha do presente, Mariana tentava se entender com as placas e seus sinais às vezes tão embaralhados. No momento em que ia passar por um cruzamento, enquanto observava a placa no alto e as informações nela contida, com o carro em movimento lento fazendo a curva para a esquerda, o semáforo passou do verde para o amarelo repentino. Seu carro acabou fechando sem querer e quase sem perceber um Monza preto que vinha do outro lado. O motorista do carro escuro buzinou bravíssimo para o Fiesta, destilando inúmeros palavrões. Mariana acelerou na intenção de se distanciar dos gestos obscenos do Monza, quando de repente observou pelo retrovisor o mesmo carro cortando o seu pela direita, entrando na sua frente e de forma proposital, fazendo-a frear subitamente. Os pneus cantaram na desaceleração brusca, e num movimento rápido e de orgulho para o namorado, jogou o veículo para a direita e acelerou firme na intenção de fugir daquela situação, quando de repente ouviu-se um, dois, três, quatro estampidos. Mariana perdeu o controle do carro, subindo na calçada, batendo de frente com um poste e capotando na rua duas vezes. Policiais Civis estavam perseguindo seu carro por ela ter supostamente passado o farol vermelho no cruzamento. Segundo versão dos policiais, fizeram sinais para o Fiesta parar, mas a ordem não foi obedecida, instintivamente suspeitaram de seqüestro relâmpago, então atiraram no veículo. Apenas a namorada do amigo de trás sobreviveu ao ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível não imaginar quão desastroso pode ser a iniciativa de tentar com hombridade a própria sobrevivência ou ingenuamente entregar-se as belezas de uma aventura errante; ou mesmo apenas de bobeira, tentar ser parte minúscula da história de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas são as histórias conhecidas por cada um de nós sobre as fatalidades que presenciamos ou que somos vítimas, que quase não nos chocamos mais. Quando acontece, em poucos minutos o corpo cria suas próprias camadas de defesas e torna-se negligente à acidez dos acontecimentos. A decência tarda os benefícios de quem almeja o atalho rápido e a perspicácia é a salvação dos valores mundanos. O perigo está ao lado e a morte agachada sobre o meio-fio da calçada. Não há mais lugar para inocências inatas e declarações de fé; além de pesares insignificantes como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus anos de incertezas dessa vida querem uma noite suave de sono ao lado da mulher amada para acordar na manhã seguinte e, despreocupadamente, como se nada tivesse acontecido, abrir a janela e tentar acreditar que nem sempre é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta, sou dessas pessoas que oscilam entre a santa indiferença e a diabólica compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-5279458411918383198?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/5279458411918383198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=5279458411918383198&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5279458411918383198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5279458411918383198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/08/onde-os-fracos-no-tm-vez.html' title='Onde os Fracos não Têm Vez'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SJPMdpzmnkI/AAAAAAAAAMk/YAFm5u4ffu8/s72-c/Woman+Holding+a+Balance,+c.1664Jan+Vermeer.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-5637120800208719614</id><published>2008-07-24T23:44:00.007-03:00</published><updated>2008-07-25T00:43:32.933-03:00</updated><title type='text'>O Soneto dos Bons Homens</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SIlDd7P2zOI/AAAAAAAAAMc/KWqklQX7wbM/s1600-h/The+Knife+Grinder,+1890+August+Muller.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226783023939636450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SIlDd7P2zOI/AAAAAAAAAMc/KWqklQX7wbM/s400/The+Knife+Grinder,+1890+August+Muller.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; imagem: The Knife Grinder, 1890, de August Muller&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Eu vou chegar, pedir e agradecer&lt;br /&gt;Pois a vitória de um homem&lt;br /&gt;As vezes se esconde num gesto forte&lt;br /&gt;Que só ele pode ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou guerreiro, sou trabalhador&lt;br /&gt;E todo dia vou encarar&lt;br /&gt;Com fé em Deus e na minha batalha”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Rappa, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=JitdPkzGKxo&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;em&gt;Lado B, Lado A&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Alguns homens curiosos e simples, de sabedoria bíblica ou de botequim, ainda enfeitam o varal flutuante das minhas recordações de menino pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha em torno de cinco para seis anos, o meu pai acordava às três e meia da manhã para ir trabalhar. Em nome da independência da sua casinha própria, havia escolhido para morar um bairro recém criado numa cidade afastada da Capital, onde era o seu trabalho. Caminhava pela madrugada cerca de trinta minutos até o ponto de ônibus mais próximo, meia hora depois pegava um trem que desembocava na estação do Brás, para depois chegar até a estação da Luz. Seu caminho era iluminado pela determinação em não pagar aluguel. Na volta para casa dava uma passadinha no boteco do Seu Osmar, onde deixava parte de sua tensão diária antes de jantar. Eu só o veria na manhã seguinte, refletido na barra de wafer comprada no vagão do trem e deixada sobre o criado-mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Seu Juvenal trabalhava como pedreiro, havia chegado ao bairro antes do meu pai. Sua casinha era um cômodo só, um quadrado de quatro por quatro, num terreno de duzentos e cinqüenta metros quadrados, onde morava com quatros filhas e a esposa. Não era homem que bebia e freqüentava a pequena igreja evangélica. Era possível vê-lo à noite na rua bem vestido com seu paletó azul marinho, sua calça marrom e seu sapato Vulcabrás doado pelo patrão de alguma empreitada, segurando a bíblia embaixo do braço indo em direção ao culto. Sua luta contínua era renovar a fé para preencher seis pratos de comida diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Didi era caminhoneiro, ficava longas semanas longe da família. Tinha duas meninas e um menino. Entre as meninas era mais apegado a mais velha, enquanto a segunda guardava os carinhos mais para a mãe. Adorava uma moda de viola genuína, com sabor de galinha caipira e cheiro de cuscuz recente. Nos raros fins de semana que conseguia separar para ficar no bairro, lotava a venda do Jurandir (homem ganancioso e egoísta, eterno candidato fracassado a vereador) acompanhado do violão e do seu filho. Era feita uma roda em volta dos dois onde os clássicos caipiras e seus dramas quase épicos eram revividos. Sua recompensa consistia em ter o copo constantemente abastecido de conhaque com sal e limão, para que a voz não o abandonasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Roberto era Palmeirense fanático. O ônibus que dirigia por cerca de doze horas por dia tinha uma toalha verde estendida atrás de seu banco, como manto a protegê-lo de todo mal. Mesmo nas raras folgas não descansava nunca, ou tava complementando algum detalhe à sua casa, ou tava ajudando algum vizinho em alguma construção pelo bairro. Era muito requisitado para furar poços, possuía um método quase que espírita para determinar o local ideal onde estaria a água. Ele cortava um graveto em forma de Y e de repente o paulzinho começava a se mexer, como um detector de caça-fantasmas. Determinado o ponto preciso da cirurgia, desenhava o círculo simétrico no chão e começava a cavar, como um joão-de-barro a moldar seu abrigo na árvore, depois passava a ferramenta para o dono da casa. Seu Roberto não descansava nunca, sua vitalidade era fortalecida na ajuda ao próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé Cumpadre, além de habilidoso boleiro, era um agitador cultural. Promovia bailinhos na associação de amigos do bairro onde o rap e o break de Thaíde dividiam a noite com as músicas lentas para dançar agarradinho, que eram tema de novela ou filmes como &lt;em&gt;Top Gun&lt;/em&gt;. Aos domingos pela manhã lotava um caminhão de gente para jogar futebol em algum outro bairro. Quando a idade e os efeitos da bebida avançaram um pouco mais, passou a organizar partidas na quadra da escola. Era simpático com as crianças aos velhinhos. Sem distinção, não chamava ninguém pelo nome, e sim por seu bordão pessoal: Compadre ou Comadre. Sua maior alegria era ser reconhecido na rua com um singelo cumprimento: &lt;em&gt;- Bom dia Zé Cumpadre!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Seu Joaquim era dos homens mais simples e reservado, e muito querido pelos colegas. Quando me via na rua perguntava sempre sereno sobre meu pai. Nunca ficava em casa, mas era fácil encontrá-lo, ou no bar do Seu Osmar ou no botequim do Seu Damião. A diferença entre bar e botequim onde morávamos era que no primeiro era possível comprar pão. Em ambos era possível jogar sinuca, e o Seu Joaquim era mestre na arte de encaçapar. Seus reflexos melhoravam à medida que mais &lt;em&gt;rabos-de-galo&lt;/em&gt; eram servidos. Quando não estava jogando, ficava encostado no canto do balcão observando à distância e bebendo devagarzinho sua pinguinha do alambique, tal qual passarinho a contemplar a imensidão preenchida. Quando dava o horário para o trabalho, passava em casa, pegava a bicicleta e depois pedalava trinta minutos até a fábrica de suco que tinha lá perto. Em momentos de maior euforia etílica, declamava Vinícius de forma trepidante, tal como o Fusca do Seu Didi ao passar pelas ruas de paralelepípedos do centro da cidade. Tinha um interesse cultural refinado que era visto com desconfiança e ignorância por seus pares. Gostava de repetir que o dia que a roseira balançasse pararia de beber. Roseira era sua forma poética de amante ao fazer carinho no amigo balcão (Numa tarde de sol de uma quarta-feira de trabalho, enquanto se despedia do último gole do dia, ao se distanciar do companheiro de madeira que apoiava o copo e sustentava parte do peso do seu corpo, a mesa de sinuca se moveu em sua frente, soltando-se de seu ponto fixo. Assustado, deu dois passos para trás apoiando-se outra vez na bancada amiga. Olhou em frente e ao soltar as mãos, o apoio do bar fugiu de seus dedos, correndo como se fosse uma esteira rolante em alta velocidade. Voltou a se apoiar, fechou os olhos, apertou-os forte como quem quer abri-los fora do mar, e quando tentou soltar-se outra vez, o bar era um bosque que rodopiava em sua volta. Voltou a apoiar as costas contra a parede e manter as mãos firmes sobre o balcão, como se fosse âncora que firmava a terra sob seus pés. Seu Joaquim ficou ali em alto mar por 12 horas, incapaz de abandonar a roseira para cumprir seu compromisso com o trabalho, até que o bar fechasse e os colegas o levassem para casa). Depois que a roseira balançou, Seu Joaquim abandonou o bar, nunca mais bebeu e passou a se dedicar à criação dos filhos pequenos. Cheguei a vê-lo lendo Fernando Pessoa em cima de um viaduto. Sei que hoje ele cuida de diversos jardins de um condomínio horizontal perto de sua casa, com zelo e cuidado reverenciado pelos moradores. Seu Joaquim foi meu soneto incompreendido da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses homens singelos em suas expressões cotidianas, puros em suas intenções domésticas de sabedoria, arrojados na grandeza de enfeitar com os mesmos laços uma mesma vida inteira, comuns entre eles como o nome da bebida servida no balcão da igreja, ainda despertam em mim a curiosidade de criança que rouba conhecimento com os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De criança que avança para brincar de ganhar, que se esconde para os dedos não julgarem os atos dos adultos, que chora para que o sol ilumine a tristeza derradeira, que pula para que as barras da calça e as mangas da camisa avisem que o corpo está crescendo, que sua para que o tempo congele no infinito, que corre para que os pais saibam logo da beleza que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São todos homens impregnados de vícios e vicissitudes, enganos e acertos em suas maldizentes ou doces vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes de qualquer coisa, dos bares ou dos céus, homens bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-5637120800208719614?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/5637120800208719614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=5637120800208719614&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5637120800208719614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5637120800208719614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/07/o-soneto-dos-bons-homens.html' title='O Soneto dos Bons Homens'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SIlDd7P2zOI/AAAAAAAAAMc/KWqklQX7wbM/s72-c/The+Knife+Grinder,+1890+August+Muller.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4581900829429473639</id><published>2008-07-17T23:08:00.004-03:00</published><updated>2008-07-17T23:28:11.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><title type='text'>O Amor em Maiúsculas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SH__aKCPVQI/AAAAAAAAAMU/SoNRJ2DO8os/s1600-h/teatro+magico_2106+120.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224174917608494338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SH__aKCPVQI/AAAAAAAAAMU/SoNRJ2DO8os/s400/teatro+magico_2106+120.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Não preciso de modelos&lt;br /&gt;Não preciso de heróis&lt;br /&gt;Eu tenho meus amigos&lt;br /&gt;E quando a vida dói&lt;br /&gt;Eu tento me concentrar&lt;br /&gt;N'um caminho fácil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu mesmo e serei eu mesmo então&lt;br /&gt;E eu queria que o tempo&lt;br /&gt;Pudesse voltar dessa vez&lt;br /&gt;Oh yeah"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Legião Urbana, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=JooBK96N3C4"&gt;&lt;em&gt;Comédia Romântica&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há um leve nevoeiro sobre o instante impreciso da memória. Uma cortina fina e branca, quase amarela, rente à retina da lembrança, impregnada pelo perfume suave e ardente da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há em minha frente espasmos em &lt;em&gt;slow motion&lt;/em&gt; de imagens de quando o corpo era capaz num primeiro impulso para o alto, como que fosse dar um toco na bola de basquete com o quadril auxiliado pelas pernas, o pulo sobre o muro da linha do trem passando para o outro lado, e depois o andar tranqüilo sobre os trilhos até a plataforma da estação. Para eu chegar até o centro da cidade para encontrar a minha turma, era preciso antes do desejo de estar presente, não pagar a condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava de olhar para a minha turma como cavaleiros do século XIII, seres nobres e honrados, fiéis às suas regras e finalidades. Tínhamos o nosso próprio lema que era declamado em forma de canção e impresso em adesivo colante. Uns vestiam-se todo de preto e roupa de couro, outros de branco com jeans com buracos enormes. Quase não bebíamos por falta de dinheiro, logo investíamos todo nosso potencial criativo em cantar e discutir as canções da banda preferida. Havia também as leituras de poesia e prosa, nossa maior expressão de diferenciação. Éramos diferentes porque antes de tudo, cultivávamos a amizade e a paixão por nós e pela arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia as meninas, corpos brancos e morenos com pêlo, que em sua maioria (ou para preservar a amizade ou para celebrar a diversidade) formavam par com alguém fora do grupo. O inverso também era verdadeiro, bem como o oposto do inverso. Logo pares duradouros se formaram e o grupo ficou maior, unido e íntimo, como família italiana nas cenas de festa em filme de máfia. Uma máfia que organizava celebrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos anos já se passaram parecendo não ser tantos assim. Às vezes parece que foi ontem, outras vezes há tanto tempo atrás. A cada ano um estágio diferente da vida foi iniciado, cumprido, modificado ou nem tanto assim. Os namoros, os trabalhos, os cursos universitários, as desistências, as formaturas, os sonhos, os casamentos, as revisões, o retorno ao começo. Os novos frutos do amor unido. Uma enxurrada de desafios dando forma à vida adulta, tomando o lugar das coisas que mais gostávamos de ter por perto, produzindo espaço para outras formas de amar. O desafio de encarar a beleza do novo, de insistir no passado, de manter a coerência do que tentávamos ser. A vontade de romper a linha do tempo e viver tudo outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia que entraram na minha vida, nenhum inverno foi igual ao anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há como que intacto no semblante sereno da memória, como que casaco abotoado, a imagem da camiseta da banda preferida estampada com o desenho da flor que não se sabia se era um lírio ou uma flor-de-papoula. Na dúvida constrangedora da imprecisão da resposta, um apelo lírico: &lt;em&gt;- Essa flor é amor-perfeito, caro senhor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa numa casa noturna onde todos foram embora porque o lugar não permitia meninas de 15 anos; os encontros nos bares da região do Bexiga sem dinheiro no bolso, pedia-se uma porção de queijo e um refrigerante para a noite toda, até o metrô abrir as 5h; o primeiro amigo secreto e o presente improvisado em papel de celofane vermelho, eram flores roubadas de uma casa com jardim; a vaquinha para convencer a gerente do flat/hotel a alugar um quarto para 12 pessoas passarem a noite; o dia em que uma das meninas mais bonitas apareceu, e muito rápido um de nós disse: &lt;em&gt;– Essa será minha futura esposa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A festa de aniversário quando a menina de quinze fez 18 e todos apareceram de surpresa, gesto ensaiado com os pais da amiga; os cafés da manhã na casa do casal amigo, os churrascos revesados e as macarronadas da dona Tereza; a viagem de ônibus para um sítio, enquanto todos cantavam Mamonas Assassinas no fundão, um de nós passava mal mais ao meio com necessidade extrema de fazer xixi, mas o ônibus não tinha banheiro e não fazia parada no caminho, o amigo tentou fazer no vidro de gatorade e não conseguiu, o motorista foi obrigado a parar o veículo no meio da rodovia; a despedida de solteiro do amigo que de tanto que já ouvi repetidamente os detalhes, às vezes acho que eu também estava lá; a viagem para o casamento do outro amigo no interior do Paraná como padrinho - a primeira vez que usei um terno. &lt;em&gt;– Você nunca esteve tão bonito!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A imagem do amigo músico tocando violão pela primeira vez em volta de uma fogueira improvisada, que ia a show fora do estado só com o dinheiro de ida e vendia camisetas para a comida e a volta, a lembrança do dia que fomos apresentados por um amigo meu que era amigo de infância dele e a descoberta que já o conhecia pelo adereço que usava na cabeça: &lt;em&gt;- Cara, eu conheço esse boné!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez da menina do Rio entre nós e a estranheza e os risos que causou ao de repente começar pular e cantar para logo se explicar: -&lt;em&gt; Ué gente, olha a placa, estamos na Rua da Alegria.&lt;/em&gt; Os nossos telefonemas de madrugada e minha mãe me repreendendo do quarto: &lt;em&gt;- Olha a conta... Desliga o telefone e vai dormir menino&lt;/em&gt;. Mas a gente queria sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é tão cansativo tentar lembrar, mas nenhum inverno possui o mesmo sabor sem que sejam recontadas algumas das histórias mais importantes de nossas vidas. O amor ainda mora ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria poder contar a história de cada um deles sob a minha visão sempre estreita e amplificada, ingênua e romanceada de como as coisas aconteceram, de como conheci cada um lá atrás, no auge de nossas descobertas e inocência. Mas a memória não é mais a mesma e o espaço aqui não seria suficiente para detalhar os campos indefinidos e indecifráveis da paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que sinto assim porque é julho. O mês em que alguns inocentes e sonhadores jovens se conheceram e ficaram... De repente... Como dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- AMIGOS.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um cheiro aveludado no ar de saudade guardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4581900829429473639?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4581900829429473639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4581900829429473639&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4581900829429473639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4581900829429473639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/07/o-amor-em-maisculas.html' title='O Amor em Maiúsculas'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SH__aKCPVQI/AAAAAAAAAMU/SoNRJ2DO8os/s72-c/teatro+magico_2106+120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7327979425656006663</id><published>2008-07-12T00:11:00.011-03:00</published><updated>2008-07-12T00:32:33.930-03:00</updated><title type='text'>Le Scaphandre et le Papillon</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SHgiB77p1-I/AAAAAAAAAMM/jAKurIeczRs/s1600-h/The+Red+Sphinx+de+Odilon+Redon.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221961184599201762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SHgiB77p1-I/AAAAAAAAAMM/jAKurIeczRs/s400/The+Red+Sphinx+de+Odilon+Redon.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: The Red Sphinx, de Odilon Redon &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Sometimes I feel like I don't know&lt;br /&gt;Sometimes I feel like checking out.&lt;br /&gt;I wanna get it wrong&lt;br /&gt;Can't always be strong&lt;br /&gt;And love, it won't be long.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;U2, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nKK5YfkEimQ"&gt;&lt;em&gt;Ultraviolet (Light My Way)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;' &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ele está sentado em sua cadeira de frente para o mar. Há um vento forte e frio que passa por ali. Está bem agasalhado e com o corpo coberto por mais de uma manta. A praia está deserta, há apenas ele, a ex-esposa, os filhos e gaivotas no céu que parecem procurar outra estação. As crianças estão brincando incansavelmente na areia, a ex-esposa dividindo seus cuidados e preocupação entre ele e os filhos. As gaivotas são um rastro rápido no azul do céu que deixou de ser infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar parado e aparentemente sempre perdido, ora seguindo o circulo da passagem dos movimentos infantis, ora admirando o carinho contemplativo da ex-esposa, tem atenção especial para as ondas que vão e retornam em sinfonia rítmica. Parecem levá-lo em mente e espírito às lembranças mais raras e ricas de sua vida, às lembranças dos mais belos sonhos não vividos quando criança, dos momentos mais intensos realizados quando adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas andanças pelos caminhos desnivelados da memória, há entre tantas paradas e comitivas emocionais, a visita surpresa à mulher amada ainda inconsciente pelo sono. O toque gentil em seu rosto, o arrumar cuidadoso dos cabelos, o beijo carinhoso sobre as pálpebras adormecidas. O mergulho para debaixo do cobertor da amada sem tirar as roupas, o encontro com seu corpo nu e quente. A saída correndo para a praia como dois velocistas apostando corrida para ver quem se molharia primeiro. A queda sobre a água morna da manhã, o rolar abraçado a ela sobre a areia como se fosse o Marlon Brando em “A Um Passo da Eternidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os dias de sol mais felizes envolto com as crianças, os passeios de carro em meio ao verde e as montanhas francesas, os cabelos esvoaçantes dos filhos sentindo o vento como parte imediata da vida, as tardes nubladas de sábado com as cores mais vivas que um dia poderia ter. As brincadeiras de rodar no ar como pião descontrolado mas equilibrado sobre o chão, o levantar vôo com a tontura dos giros, o largar do corpo na confiança de que o pai estará do lado certo no momento da queda. O amparo irremediável para as dúvidas e as certezas que só os filhos têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As visitas ao pai já velhinho e com dificuldade de andar, com dificuldades de lembrar o pensamento articulado nos últimos quinze segundos. A facilidade de fazer graça com o início do alzheimer, a facilidade de sorrir para os amores que existiram e não serão esquecidos, a graça da dureza de não admitir ser barbeado pelo próprio filho. A delicadeza da certeza de ainda ser o mais belo dos homens barbeados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio solitário de madrugada por ruas de um bairro mexicano. As luzes de néon convidando para entrar e viver o azeite e o escorregadio da perdição, seguir reto e encontrar a esquerda uma vitrine gigante com a imagem de Lourdes. Observá-la atentamente como se de repente a fé surgisse e fosse possível passar a acreditar. Como se naquele momento surgisse uma espécie de redenção, como se fosse possível pedir um mínimo de conforto para os dias ainda mais difíceis que surgirão. Como que seu espírito fosse ali liberto do escafandro em que vivia e passasse a voar lépido como borboleta. Para ele a crença na fé dependia da existência comprovada de milagres. E sua vida não era um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus dias sempre haviam sido ricos em disposição atlética, em energia melódica, em beleza intensa. Seus dias tinham o brilho rasgante dos raios do sol por entre as cópulas das árvores. Seus dias tinham o fogo ardente da terra do nunca. Seus dias tinham cores do espírito santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas numa tarde de sábado nublado e feliz, um acidente cardiovascular deixou-o sem movimentos, sem sentidos. Cabeça, boca, mãos, dedos, pés, nada está lá. Ou todos estão lá. O coração bate, seus pulmões aspiram e espiram. Sua capacidade intelectual está intacta. Compreende, fica bravo, triste; sente saudade, remorso, tem senso de humor e gostaria de seduzir a fisioterapeuta. Mas seu tronco cerebral foi desconectado. Nenhuma reação a estímulos, nenhuma expressão facial. Nem sorriso de bom dia, nem lágrima de alegria. Nem o olho direito. Apenas o esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se comunica com o olho esquerdo. Uma piscadela para sim, duas para não. Dita para uma assistente a história de sua vida através de movimentos com a pálpebra esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele diz o que quer a quem ama com um piscar de olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7327979425656006663?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7327979425656006663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7327979425656006663&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7327979425656006663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7327979425656006663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/07/le-scaphandre-et-le-papillon.html' title='Le Scaphandre et le Papillon'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SHgiB77p1-I/AAAAAAAAAMM/jAKurIeczRs/s72-c/The+Red+Sphinx+de+Odilon+Redon.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-6865663829843396017</id><published>2008-07-03T21:33:00.006-03:00</published><updated>2008-07-03T21:55:03.971-03:00</updated><title type='text'>The Constant</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SG1waHF58aI/AAAAAAAAAL8/YIoU_AaS2tc/s1600-h/Score+sheet+of+"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218951137074999714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SG1waHF58aI/AAAAAAAAAL8/YIoU_AaS2tc/s400/Score+sheet+of+%27Moonlight+Sonata%27+de+Ludwig+van+Beethoven.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;imagem: Score sheet of 'Moonlight Sonata', de Ludwig van Beethoven&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Enquanto for... um berço meu&lt;br /&gt;Enquanto for... um terço meu&lt;br /&gt;Serás vida... bem vinda&lt;br /&gt;Serás viva... bem viva&lt;br /&gt;Em mim”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os opostos se distraem&lt;br /&gt;Os dispostos se atraem"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Teatro Mágico, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=lwE5CI51sFk"&gt;&lt;em&gt;Realejo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre que eu lembro de você, um cheiro de mar agitado e gentil invade a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda era tão pequeno quando era obrigado a ouvir por tabela a rádio AM que minha mãe sintonizava, ainda era tão cru como ser assistindo a televisão no sábado a tarde o programa daquele sujeito que jogava bacalhau no público, e via meu pai olhar aquelas mulheres que dançavam alegremente e o faziam sorrir como que se algo acontecesse dentro dele, como se elas despertassem alívio para a semana de trabalho que havia passado, e você lá, do outro lado, com sua voz feroz e lírica, cheio de energia e ideais expondo seu talento e já algumas contradições do seu gênio para um público incapaz de entendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu do lado de cá, na sala de casa enquanto minha mãe passava o pano de chão na cozinha e meu pai se deleitava no sofá com algo que só agora entendo (ou um pouco mais de tempo depois passei a entender), curioso com aqueles movimentos descompassados do seu corpo, com aqueles óculos que deixavam seus olhos flamejantes tão pequenos, com aquela fúria que invadia a sala e me fazia sorrir sem entender por que sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda um tanto pequeno, adorava observar seu discurso quando o apresentador do programa alternativo na outra emissora vinha lhe questionar sobre o futuro da nação. Era tão racional, político e incendiário, parecia que fagulhas saiam da sua boca e atiçavam o senso adormecido de justiça dos jovens daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te ouvia no rádio como se fossem dois artistas diferentes abordando assuntos semelhantes. Sua voz me parecia tão distinta naquela outra canção que eu era capaz de apostar com quem quisesse que você, não era você. Eu não admitia que você fosse capaz de falar de colonização e paixão na mesma canção, não acreditava que você falaria de medos e outros sentimentos de forma tão... digamos, desnuda. Um pensador essencialmente político não seria capaz de amar de maneira tão explicita. Demorei a entender que desde sempre tudo o que você falava remetia a algo maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já um pouco mais crescido, ficava fascinado com o encarte do vinil nas mãos. Eram os livros de poesia que eu não entendia traduzidos. Cada letra da canção era lida e repetida de olhos fechados até que fosse possível cantá-las antes que você saltasse da vitrola. Cada verso era rabiscado no caderno da escola como se houvesse ali a essência de todo aprendizado. A professora de português que tocava violão e colocava versos seus para interpretá-los, além de a mais bonita, era também a única e mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina linda de 16 anos que vestia uma camiseta branca de manga longa com o logotipo do fã-clube estampado sobre o coração, quando subia a rua do condomínio carregando embaixo dos braços os discos do Smiths (que você tanto adorava e tinha como referência e inspiração), fazia o coração disparar em desespero mudo. A língua ficava paralisada só de olhar para ela. Quando ela falava meus olhos mergulhavam em suas palavras e as roubava para mim. Sugava sua sabedoria sobre você e sua obra como se devorasse um livro religioso, como se aprendesse nela através de você um pouco mais sobre o sentido de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que fiz uma entrevista de emprego misturei dezenas de frases de suas canções no texto. O entrevistador ignorante disse que minha redação era quase um poema, mas o outro candidato à vaga era mais objetivo. Fiquei feliz com o quase. Passei a brincar ainda mais com seus versos que já eram quase meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira namorada não concordou que eu fosse sem ela a um show seu. Acho que ela não entendia a paixão, e disse: “ou eu ou o show”. Fiquei sem namorada e tive a primeira grande realização da minha vida. O mundo se mostrou mais interessante e acolhedor naquela noite em Sorocaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não tem a mínima idéia, mas conheci algumas das pessoas mais importantes da minha vida porque elas também gostavam e tinham o mesmo interesse em você. Quando você estava mais presente, eles eram muitos. Hoje são poucos, mas essencialmente raros em beleza. São amigos que quando se encontram brilham o suave da poesia e o amargo do tempo. Assim como você costumava se comportar com os seus: doce e ácido, displicente e generoso em sua diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela vez que eu lhe escrevi, você quis saber mais sobre mim. Minha timidez e nossa distância não permitiram que nos encontrássemos. Mesmo assim senti-me feliz e orgulhoso com o interesse, afinal, aquela carta o criticava, mostrava-me decepcionado com suas atitudes, irritado e triste com o seu comportamento naquele último show, exatamente o oposto de quem não admite as falhas e evita enxergar criticamente seu ídolo; exatamente o comportamento oposto do artista que se acostumou a viver rodeado de jubilo. Aquela carta mostrou que minha fé em você seria uma constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que você se foi, eu vivo meus dias em busca de uma nova descoberta, uma nova perspectiva, uma nova equação diferencial e exata. Uma nova constante. Algo que possa ser a diferença entre o que se passou e iluminar o insosso do hoje. Algo que traga o despertar do novo com poesia e sabedoria. Algo que crie harmonia e alimente a inteligência dos meus vestígios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho você como lembrança rara de tudo que aprendi, de tudo que eu poderia ser. Eu tenho você como mensagem verdadeira para o que devo fazer quando a luz se afasta dentro do túnel. Eu tenho você como garantia da vida que adormeceu por segundos antes das seis. Eu tenho você como forma de amor que não dilui com a saudade ou a tempestade. Eu tenho você como a menor distância entre o fechar dos olhos e o apertar das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sempre que eu lembro de você, meus olhos viram mar que invade a calçada, mas não transbordam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-6865663829843396017?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/6865663829843396017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=6865663829843396017&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6865663829843396017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6865663829843396017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/07/constant.html' title='The Constant'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SG1waHF58aI/AAAAAAAAAL8/YIoU_AaS2tc/s72-c/Score+sheet+of+%27Moonlight+Sonata%27+de+Ludwig+van+Beethoven.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3263750655376592304</id><published>2008-06-26T21:54:00.006-03:00</published><updated>2008-06-26T22:06:39.800-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='el amor'/><title type='text'>El Amor Después Del Amor</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SGQ63VZE-bI/AAAAAAAAAL0/yA-5JD2g190/s1600-h/la+belle+dame.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216358990711421362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SGQ63VZE-bI/AAAAAAAAAL0/yA-5JD2g190/s400/la+belle+dame.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt; imagem: La Belle Dame Sans Merci, 1926, de Frank Cadogan Cowper&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Tem riso que parece choro,&lt;br /&gt;tem choro que é pura alegria&lt;br /&gt;Tem dia que parece noite&lt;br /&gt;e a tristeza parece poesia&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Descobrir o verdadeiro sentido das coisas&lt;br /&gt;É querer saber demais&lt;br /&gt;Querer saber demais”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;O Teatro Mágico, em &lt;/em&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=Yn7kATVjQkU&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;em&gt;Sonho de Uma Flauta&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que vem depois de um dia de sol escaldante? Ou depois de uma noite quase congelante? O que vem depois do cobertor ou da tatuagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da palavra ou do afago? Do fogo ou da lágrima? O que vem depois da angústia ou da insônia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da curva rápida, ou uma rua sem saída? Ou depois do tropeço no pedregulho, ou do buraco na calçada? O que vem depois da sirene ou dos faróis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do olho no retrovisor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da sina ou da malícia? Da caça ou da captura? O que vem depois da ciranda ou do pega-pega?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do soluço, ou do afogamento? Da cobrança ou da desculpa? O que vem depois do pedido ou do perdão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do nó na garganta ou do olhar desviado? Da trégua ou do reencontro? O que vem depois da saudade ou da despedida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quem depois da chuva ou do arco íris?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do remédio ou da lição? Do som ou da fúria? O quem vem depois da fonte ou da inspiração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da entrega ou da fuga? Da rede ou do vento? O que vem depois do olhar ou da memória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da carne ou da febre? Do óbvio ou do ódio? O que vem depois do suspiro ou da encenação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do silêncio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da vontade ou da luta? Da caminhada ou do parque? O que vem depois do salto ou dos pés no chão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da tristeza ou da inocência? Do riso ou dos lábios? O que vem depois do escuro ou da resignação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do abraço ou da mordida? Do alarme ou da chegada? O que vem depois da fome ou do desejo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da tarde ou do beijo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do deserto ou do agreste? Da sede ou do açude? O que vem depois da aspereza ou da ferrugem do portão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois dos quadros ou da rachadura na parede? Da pintura ou da escavação? O que vem depois da campainha ou do telefone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da chave ou da porta? Da janela ou da fenda? O que vem depois do telhado ou da lua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do número da casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do alarde ou do descanso? Da bebida ou da música, da tontura ou da ausência? O que vem depois do vômito ou da descarga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da maré ou da bonança? Da poeira ou do gol, do grito ou da oração? O que vem depois da primavera ou da esperança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do colo ou do medo? Das cores ou da leveza, do gosto ou da respiração? O que vem depois da dança ou da dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois do esquecimento ou da imaginação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem depois da resposta ou da contradição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem o doce, o salgado e o azedo. A lembrança indecisa do que ficou. Uma brisa suave e imprecisa do que é o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3263750655376592304?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3263750655376592304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3263750655376592304&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3263750655376592304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3263750655376592304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/06/el-amor-despus-del-amor.html' title='El Amor Después Del Amor'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SGQ63VZE-bI/AAAAAAAAAL0/yA-5JD2g190/s72-c/la+belle+dame.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1238564193087777953</id><published>2008-06-17T21:57:00.005-03:00</published><updated>2008-06-17T22:44:12.581-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rafaela russo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Rafaela, 15 anos</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;escrito por Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;' &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFheYWLugsI/AAAAAAAAAK4/IPq61HW8bqk/s1600-h/rafa1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213020341045985986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFheYWLugsI/AAAAAAAAAK4/IPq61HW8bqk/s400/rafa1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt; imagem: fotos arquivo família; sobreposição por Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Quando você sorri pra mim&lt;br /&gt;Parece que o mundo não é um lugar tão ruim”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Capital Inicial, em Giulia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Rafaela,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é exagero para nós afirmarmos que a notícia da sua chegada nesse mundinho recheado de complexidades criadas pelo próprio homem foi um ponto de divisão entre o antes e o que se seguiu depois em nossas vidas. Foi como luz que revelou sentidos que ainda não conhecíamos, foi como chuva leve em dia de verão que tem o arco íris como fundo e beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele bebê rosa de olhos genuinamente azuis e sem cabelos fez muitos de nós chorarmos a alegria de uma nova existência, fez todos nós celebrarmos a magia de um novo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Egoístas que somos, desejávamos que você não crescesse logo para que continuasse a alimentar nossos mimos e lembranças do tempo em que a inocência também era nossa companheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altruístas que não somos, sempre recebemos mais de você do que fomos capazes de lhe dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que tentamos nos esforçar para que você fosse uma criança educada e de bons modos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentamos, em vão, que todos saibam agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nossas tentativas eram sempre antecipadas a algum gesto de carinho inerente a sua natureza, a alguma graça carregada de meiguice e beleza. Sempre o bebê mais educado, o mais fofo, o mais belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você nos deu o trabalho doce de acompanhar o seu crescimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 anos se passaram e os elementos daquela criança com olhos de aniz e cabelos radiantes como raios da luz do sol continuam presentes despertando atenção e provocando encanto por onde passe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não é só mais uma festa de aniversário. Hoje é a nossa recordação do dia em que você veio ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É você que faz o aniversário, mas somos nós, &lt;em&gt;sua Família&lt;/em&gt; e amigos que recebemos o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente diário da sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Aniversário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com amor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sua Família.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1238564193087777953?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1238564193087777953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1238564193087777953&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1238564193087777953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1238564193087777953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/06/rafaela-15-anos.html' title='Rafaela, 15 anos'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFheYWLugsI/AAAAAAAAAK4/IPq61HW8bqk/s72-c/rafa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-2942583420570964967</id><published>2008-06-12T00:17:00.007-03:00</published><updated>2008-06-12T00:31:46.248-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mágia'/><title type='text'>Sobre O Teatro Mágico, de Fernando Anitelli</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por Jânio Dias&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFCX1Gwi4hI/AAAAAAAAAKw/vvm4FnSf7Ys/s1600-h/rafa_gabi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210831707470750226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFCX1Gwi4hI/AAAAAAAAAKw/vvm4FnSf7Ys/s400/rafa_gabi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;imagem: arquivo pessoal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Sem horas e sem dores / respeitável público pagão / a partir de sempre toda cura pertence a nós / toda resposta e dúvida / todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser / todo verbo é livre para ser direto ou indireto / nenhum predicado será prejudicado / nem tampouco a crase, nem a frase, nem a vírgula e ponto final! / afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas / e estar entre vírgulas pode ser aposto / e eu aposto o oposto que vou cativar a todos / sendo apenas um sujeito simples / um sujeito e sua oração / sua pressa e sua prece / que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não / que enxerguemos o fato / de termos acessórios para nossa oração / separados ou adjuntos, nominais ou não / façamos parte do contexto / sejamos todas as capas de edição especial / mas, porém, contudo, entretanto, todavia, não obstante / sejamos também a contra-capa / porque ser a capa e ser a contra-capa / é a beleza da contradição / é negar a si mesmo / e negar a si mesmo / é muitas vezes, encontrar-se com Deus / com o teu Deus / sem horas e sem dores / que nesse momento que cada um se encontra aqui agora / um possa se encontrar no outro, e o outro no um / até porque... / tem horas que a gente se pergunta... / por que é que não se junta tudo numa coisa só?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Teatro Mágico, em &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=xmmPox23pC4"&gt;Sintaxe à Vontade&lt;/a&gt;, de Fernando Anitelli&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vento leve havia soprado o nome aos cílios da novidade, um link no blog da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://juwolfenson.zip.net/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;menina-cabeça-de-liquidificador&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; havia despertado a atenção dos olhos curiosos, uma matéria sobre fãs fanáticos no guia de cultura do jornal provocou um sussurro ao pé da sobrancelha. Era preciso visitar a magia, conhecer seus efeitos, mas eu só encontrava os rastros desfeitos de quem já a conhecia, e por isso sabia que era preciso estar atento as datas e locais do acontecimento. As entradas são para raros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase duas dúzias de meses depois, em uma das últimas apresentações do 1º ato, os olhos puderam descansar felizes, inteiramente sorridentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio piscava 0h48 de domingo, 08 de junho, Mogi da Cruzes, SP, quando a mágica apagou as luzes para acender o canto de milhares de vozes em uníssono. Duas horas antes, parado na calçada esperando que os carros deixassem que fosse possível atravessar para o outro lado da rua para entrar no Clube de Campo, uma menina que aparentemente não era da cidade, explicava ao garoto aparentemente da cidade, num misto de segredo e mistério, que O Teatro Mágico era uma cartola gigante de onde saltavam os personagens que alimentavam seus sonhos mais coloridos. Fiquei alguns longos e indecifráveis três segundos parado olhando para a menina, mais olhando do que tentando entendê-la, quando fui puxado para atravessar a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse compartilhar o gosto impreciso da minha saliva com ela, lhe diria que O Teatro Mágico é um hospício que hospeda a tristeza risonha dos dias que esquecemos no amanhã, para nos doar a beleza do agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É felicidade que inventa a mentira que queremos viver, é verdade que lembramos de contar nos dedos da manhã. É alegria que inverte o sentido da maquiagem do rosto, é lagrima que rejuvenesce as linhas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É loucura que transborda a sensatez do pranto, é delírio que desperta a inconsciência do riso descontrolado. É a sanidade de quem reencontrou o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É canto que seduz a menina virgem, é texto que encanta a menina experimentada, é melodia que desacredita o rancor do velho senhor. É teatro que estreita a distância entre os parágrafos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É infância revisitada com bolinhos de chuva na cozinha da avó, é café com leite em manhã que não teve aula. É beijo na bochecha do irmão mais novo quando estava dormindo, é ser beijado pelo irmão mais velho e fingir que estava dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É levar a sobrinha para passear com a motinha na pracinha da cidade e insistir pra ela pedalar, quando o mais bonito é vê-la empurrar o próprio brinquedo. É perder-se cantando junto quando o mais belo é apreciar o restante do público cantar em harmonia desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É enlevar o rosto borrado nos caminhos mais trôpegos, é encenar o riso quente nas curvas do precipício, é encarar a queda sem colocar a mão no nariz. É encandear os pensamentos nas alegrias que virão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estender as mãos para as singularidades do acaso. É acordar o dia seguinte com confiança guardada no peito. É abranger a prece para o amigo do lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É acenar a boca molhada de desejo para a fruta nua sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fomentar a independência da nossa imaginária liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São acordes luminosos no fogo de cordel encantado. É romantismo carnavalesco entre hermanos e lirismo revolucionário de uma legião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É poesia que faz da arte lençóis que cobrem multidões; é prosa que inventa arte nas multidões descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aceitar a partida sem pressa, de bicicleta; é acertar a chegada sem calma, a cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Teatro Mágico é a esperança que não me acompanhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PS.: thanks Veneza, por proporcionar o encontro do desejo à magia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-2942583420570964967?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/2942583420570964967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=2942583420570964967&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2942583420570964967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2942583420570964967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/06/sobre-o-teatro-mgico-de-fernando.html' title='Sobre O Teatro Mágico, de Fernando Anitelli'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SFCX1Gwi4hI/AAAAAAAAAKw/vvm4FnSf7Ys/s72-c/rafa_gabi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1689768340863260881</id><published>2008-06-03T21:49:00.013-03:00</published><updated>2008-06-03T22:32:42.991-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indignação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='palhaço'/><title type='text'>Entre Uma Coisa e Outra Coisa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SEXrtwqh12I/AAAAAAAAAKg/r1Ltp4kA5zM/s1600-h/The+Clown+-+John+Wright.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207827715513767778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SEXrtwqh12I/AAAAAAAAAKg/r1Ltp4kA5zM/s320/The+Clown+-+John+Wright.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;The Clown, de John Wright&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Eu sou o Poderoso, o Bababã,&lt;br /&gt;o Bão! Eu sou o sangue,&lt;br /&gt;não!Eu sou a Fome! do homem&lt;br /&gt;que come na brecha da mão de quem vacila&lt;br /&gt;Eu sou a Camuflagem que engana o chão&lt;br /&gt;A Malandragem que resvala de mão em mão&lt;br /&gt;Eu sou a Bala que voa pra sempre, sem rumo, perdida”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lobão, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bLaPZbEI27k&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;El Desdichado II&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em tempos em que o tema ética só aparece em aula de sociologia ou de história, e que programas de humor (veja bem, de humor) na tv fazem "pegadinha" com pessoas na rua onde dão o troco a mais na venda do cigarro ou deixam um aparelho de celular em algum lugar para testar se a pessoa que recebeu o dinheiro a maior ou encontrou o objeto irá devolver ou não, e 99% não devolvem, fingem estar longe ou serem esquizofrênicas, inventam histórias absurdas para não devolver, e quando são questionados pela equipe do programa da tv se achassem alguma coisa na rua se devolveriam para o dono, e descaradamente dizem que sim, mas segundos atrás haviam agido de forma oposta, ou chegam a dizer que este tipo de questionamento está sendo feito no país errado... Respiro fundo, conto carneirinhos imaginários, sinto vontade de ir embora para as Ilhas Maurício, e lembro que todos os dias o brasileiro passa e provoca desapercebidamente consciente por testes e exemplos de sua ignorância ética, sejam na fila do banco ou do metrô, na vaga do estacionamento reservada para deficientes físicos, no farol vermelho ou quando é parado pela polícia na estrada e a mesma sugere um "jeitinho" para se seguir viagem. Então meu senso comum desperta, grita comigo e aos berros soletra em silabas garrafais que isso só acontece porque estamos diariamente colocando em prática o reflexo da personalidade dos políticos que elegemos. Somos assim como eles e eles assim como nós; são nossa imagem e semelhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai um nariz de palhaço aí, amigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, após presenciar um show muito aguardado de uma especial banda de indie rock, fui ler as impressões dos fãs numa comunidade do Orkut. Havia vários depoimentos entusiasmados que iam de encontro ao que eu estava sentindo. Porém, um deles – não menos entusiasmado – entre a alegria e o sentimento de “espertalhão”, contava os detalhes de uma falcatrua para burlar a segurança do local e assim poder se passar por integrante da imprensa, e as peripécias vividas graças a essa fraude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trapaceiro cheio de júbilo contou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Eu e meu brother, fizemos uma credencial do "Terra" falsa, como se nós fossemos da imprensa....e detalhe, entramos VIP (...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) corremos lá pra frente e só mostramos o crachá, o segurança, panção, viu o crachá e liberou... daí então, eu assisti o show inteirinho, literalmente na frente do Palco. (...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não contente com a credencial VIP dos VIPS, tentamos subir no palco, fomos por trás do palco, mostramos a credencial pro segurança... ele olhou e pediu pra gente subir ..... nooooooooooosssa, pegamos o finalzinho do show, vendo do paaaaaaaalco (...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi bem legal... no meu álbum eu coloquei a credencial do "Terra" que eu fiz.... hahahaha, ficou legal vai gente... quem vai dizer que é falsa???”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Achei, digamos, bonito o entusiasmo do rapaz. Eu sei muito bem como é a sensação de sentir bem de pertinho uma banda querida e especial. Então, dirigi algumas palavras logo abaixo de vários comentários que festejavam com admiração a atitude esperta daquele que deu uma banana para milhares de pessoas, inclusive centenas de participantes daquela comunidade que haviam ido ao show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gabriel, admito que entendo perfeitamente sua alegria radiante e a necessidade de dividir momento tão mágico com os outros fãs. (...) E por ser real, por realmente ter acontecido, você deve e merece se sentir muito feliz com isso, e dividir com todos que possa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, cabe aqui lembrar que, muita gente tão ou mais fã da banda que você, sofreu muito para conseguir comprar o ingresso de R$ 100,00 ou mesmo meia entrada para estar entre os "comuns", aqueles que se acotovelaram e disputaram espaços minúsculos entre umas vinte mil pessoas. Fãs mais ardorosos fizeram loucuras para comprar ou ganhar ingresso na privilegiada área vip. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, cara, sem querer diminuir o sentido da sua alegria, acho que é muito mais bacana se sentir um privilegiado, sortudo e um cara muito feliz, sem ter que precisar de certos artifícios, como adulteração de um documento. Devemos ter a exata noção que aquela separação entre vip's e "comuns" já é algo muito injusto, e que a felicidade por vivenciar um momento tão grandioso e histórico (como foi histórico aquele show) pode acontecer de forma bem mais justa, correta e digna.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas concordaram comigo, outras acharam que eu estava querendo aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto da credencial falsa reagiu assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Janio, com certeza sei que ali naquele Show estava exposto da forma mais suja possível, a desigualdade social no Brasil, não é a toa que nós estamos entre os últimos no Ranking de Desigualdade Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Ricos e Famosos, ganharam o espaço mais priveligiado do SHOW, na boca do palco, sem tumulto, sem aperto... A Galera que curtia a banda mesmo, ficou num total desconforto, segundo relatos que eu li, amassadas na grade, na ponta dos pés etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li, que pra estar na área VIP, era preciso R$ 250... eu dei risada, e pensei comigo mesmo em casa "E se eu Burlar este sistema fédido"... Criei a credencial, e enfim curti o Show tanto, ou muito mais do que eles... os VIPs. Pq somente os ricos tem o direito de serem VIPs? Eu um pobre mortal, tenho de aceitar minha situação de ser esmagado numa grade, só pq eu não tenho dinheiro?... seria uma punição pela minha pobreza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O João, matô a pau, qdo disse: "Vc nunca baixou uma música pelo Kazaa?", se vc já puxou meu amigo, não me venha todo emburradinho, falar que eu estou errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janio, enquanto existirem caras como você, que ajudam a fortalecer a Elite, com esse discursinho Politicamente Correto, típico da Elite, o Brasil será essa Bosta. Temos que mostrar para os mais abastados, que estamos dispostos a comer o frango deles, a invadir o cirquinho deles e a quem sabe um dia.... nivelar a sociedade. NÃO ACEITO SER AMASSADO PQ NÃO TENHO DINHEIRO... se isso pra vc, é ser ético, sinto-lhe informar, mas os valores burgueses correm ferozmente em suas veias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não Seja Hipócrita.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu respondi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Muito bem. Então é isso? Bom, como diria o filósofo do botequim: "uma coisa é uma coisa; outra coisa, é outra coisa". Ou como diria minha saudosa professora Odete da quarta série: "Uma coisa é saber ler; outra coisa é compreender o que foi escrito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é saber o significa "desigualdade social no Brasil". É conhecer e ser tratado em hospital público, é não ter condições nem de freqüentar a escola pública, é saber como milhões de nordestinos sobrevivem com três refeições por semana... Outra coisa é afirmar que naquele show &lt;em&gt;"estava exposto da forma mais suja possível a desigualdade social no Brasil".&lt;/em&gt; Só estava ali quem realmente gosta do que ia acontecer ali, só quem tem meios econômicos-sociais de acesso àquele tipo de cultura estava naquele lugar naquela noite. No mais, estavam ali jornalistas, artistas, gente do meio cultural em geral, convidados especiais e funcionários do evento. Apesar dos &lt;em&gt;"ricos e famosos ganharem o espaço mais privilegiado dos shows"&lt;/em&gt;, isso não reflete desigualdade social, e sim uma opção inapropriada e injusta dos organizadores do evento em criar uma espécie de Apartheid musical. Quem vive realmente o drama da "desigualdade social no Brasil", estava em outros lugares e com outras preocupações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é se indignar com o valor do ingresso absurdamente caro e pensar numa forma inteligente de não aceitá-lo como boicote ao evento, ou criar honestamente condições próprias para aceitá-lo, como contou um rapaz num outro tópico (Vitor, no tópico Falando Francamente). Diz ele que ficou um mês sem sair de casa para juntar o total de R$ 100,00 para a área vip (provavelmente ele foi atrás do desconto de estudante e outras possibilidades), ou ligar insistentemente numa rádio e ganhar o convite. Outra coisa é fraudar documento oficial para ter acesso aos shows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é uma mente preguiçosa achar que só os ricos têm o direito de serem vip's; outra coisa é a constatação através de relatos como o do Vitor de que qualquer pessoa que tivesse realmente se esforçado para estar ali, poderia ter estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é alguém que possui estrutura material e intelectual para forjar um documento oficial se considere "um &lt;em&gt;pobre mortal"&lt;/em&gt;; outra coisa é esse mesmo alguém alegar falta de dinheiro e justificar numa possível &lt;em&gt;"pobreza"&lt;/em&gt; a motivação para a fraude documental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é achar que um cara como eu, que expõe uma opinião contrária ao comportamento de alguém que - em primeira e gentil análise - não quer tirar a bunda da cadeira e fazer as coisas acontecerem honestamente, é um representante da elite brasileira. Representar a elite brasileira é - em última e cruel análise - defender atos criminosos como o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é pensar e agir burramente que se está fazendo justiça ao &lt;em&gt;"invadir o cirquinho deles"&lt;/em&gt;; outra coisa tão burra quanto é misturar valor moral e ético com padrões burgueses - é o mesmo que misturar água com óleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é fazer de conta que achou o cérebro num cesto de lixo e comparar troca online de arquivos digitais com a falsificação de documentos. Uma coisa é o cara que sobrevive da venda de produtos piratas; outra coisa é o cara que falsifica um diploma de medicina e faz uma cirurgia num parente seu. Uma coisa é o cara que compra um DVD pirata na barraquinha; outra coisa é o cara que compra a carta de motorista e vai dirigir uma lotação. Uma coisa é o imigrante ilegal trabalhando num país; outra coisa é o cara que falsifica o passaporte para roubar no seu país. Uma coisa é não saber distinguir atitude de pose e exibicionismo. Uma coisa sou eu me expor publicamente sobre algo que você deveria ter aprendido no jardim de infância. Outra coisa é a pessoa que não possui credibilidade pra dizer o que pensa porque assina como anônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para concluir, ontem eu vi um outdoor gigante na Paulista que é a foto de um senhor, provavelmente pelas feições, um bravo retirante nordestino, alguém que realmente sofre e vive a desigualdade social no Brasil, com meia dúzia de dentes na boca, mas com um sorriso inacreditável de felicidade... Aí eu pensei: "uma coisa é defender a prática de um crime para ser mais feliz; outra coisa é ser feliz com os dentes que se têm.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma coisa e outra, vou vivendo assim, como palhaço desse circo sem futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1689768340863260881?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1689768340863260881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1689768340863260881&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1689768340863260881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1689768340863260881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/06/entre-uma-coisa-e-outra-coisa.html' title='Entre Uma Coisa e Outra Coisa'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SEXrtwqh12I/AAAAAAAAAKg/r1Ltp4kA5zM/s72-c/The+Clown+-+John+Wright.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3221373410952182945</id><published>2008-05-28T22:04:00.008-03:00</published><updated>2008-05-28T22:23:41.414-03:00</updated><title type='text'>Longe Dela</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(para &lt;a href="http://essapalavra.blogspot.com/"&gt;Dauri Batisti&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://floresnajanela.nafoto.net/"&gt;Marly&lt;/a&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SD4BZ6vOXmI/AAAAAAAAAKQ/IIfMYV8v-7U/s1600-h/venus+and+anchises.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205599764062559842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SD4BZ6vOXmI/AAAAAAAAAKQ/IIfMYV8v-7U/s400/venus+and+anchises.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;imagem: Venus and Anchises, 1889-90, de Sir William Blake Richmond&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;“Diga a ela que me viu na rua&lt;br /&gt;Que eu caminhava muito devagar&lt;br /&gt;Que eu olhava para todos para enxergar&lt;br /&gt;Tanto espaço dentro de mim”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Nenhum de Nós, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fjIS8i4h6cA"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Diga a Ela&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;'&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Toda vez que minhas letras insistem em não manchar o papel, minha existência estremece os sentidos. Minha voz fica rala, meus olhos ficam enviesados, minhas opiniões tornam-se frágeis. Meus pensamentos dispersam no ar como bocejos. Minhas palavras são aspiradas para dentro de boca fechada, desaparecem sufocadas na garganta. Engulo lagartas que não viram borboletas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque a vida abafou meu grito sem saudação. Escureceu meu encanto, secou minhas motivações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque minha boca curvou-se ao silêncio dos olhos e fez sigilo de minha solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque deixei de ser compreendido entre o limite da realidade pessoal e o da ficção social. Minha verdade é opor-se ao que é real sem deixar de sentir a imaginação. O que invento é parte insólita do que sou. Minhas mentiras têm intenção de impulsionar a roda da dúvida. Minhas memórias são expressões lúdicas e ácidas dos dias que virão. Minha criação imaginosa quer ser borboletas literárias no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque a amizade sangrou sua capacidade de resistir. O vinho que reuniu velhos amigos tem gosto de suco de morangos azedos. A amizade debilitada mastiga vidro vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque me desprendi do compromisso de ser fiel comigo mesmo. Paro de expor o que sinto para procurar nos lábios de outras letras a ternura de ser sentido. Paro de inventar desejos subjuntivos para me entregar às luxúrias de outras visões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque meu interesse pela pornografia virou vício incontrolável. Minha dependência é cura para o que não sou mais capaz de realizar. Minha capacidade de autoflagelação é insaciável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque o ciúme sobrepôs o amor com luvas escorregadias carregadas de espinhos. Quebrou os pratos que alimentavam a confiança. Furou os balões que mantinham suspenso a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque a vida extraviou o brilho de minhas exclamações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque meus olhos passaram a ignorar a sabedoria das sobrancelhas e fixar pouso na retina do que passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque minhas lágrimas apagaram as linhas que desenhavam a forma da casa; e o choro dela queimou o sapé do telhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é como um amor que fez de sua existência despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque não sei mais como dizer em minhas linhas virtuais como ela é parte de tudo que escrevo, de tudo que opino, de tudo que desejo. Metade de tudo que respiro. Mais da metade de tudo que vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever é porque quero apreciar o instante magnânimo da ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever sou analfabeto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando paro de escrever morro um pouco mais longe dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto a escrever é porque ainda há muito para viver perto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3221373410952182945?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3221373410952182945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3221373410952182945&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3221373410952182945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3221373410952182945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/05/longe-dela.html' title='Longe Dela'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/SD4BZ6vOXmI/AAAAAAAAAKQ/IIfMYV8v-7U/s72-c/venus+and+anchises.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4624317367648061110</id><published>2008-02-24T17:52:00.010-03:00</published><updated>2008-02-24T18:11:06.679-03:00</updated><title type='text'>Quando Ela Rouba</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R8HZcxJ0viI/AAAAAAAAAKI/QON8QN44nXw/s1600-h/Adore+by+Jerry+Clovis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170652935452147234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R8HZcxJ0viI/AAAAAAAAAKI/QON8QN44nXw/s400/Adore+by+Jerry+Clovis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Adore, by Jerry Clovis&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Só tenho inveja da longevidade&lt;br /&gt;E dos orgasmos múltiplos&lt;br /&gt;E dos orgasmos múltiplos”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Caetano Veloso, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VA8JtMmRgEE"&gt;Homem&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VA8JtMmRgEE"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ele, agitado: “Você rouba a parte do jornal que estou lendo, rouba o livro que ainda não terminei, rouba o meu travesseiro, o meu lado da cama, a minha caneta preferida, a minha caneca do U2, o meu dvd do Morrissey, o meu pedaço de frango no prato, a minha bebida no bar... “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, serena: - “Eu sei, eu roubo tudo de você...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, inconformado: - “Ah, que bom... E o que mais você quer roubar de mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, firme: - “Mais nada. Já tenho tudo que quero. E quando quero mais, roubo mais”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, quase assustado: - ”Mais? Mais o quê?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, quase distraída: - “Mais de mim”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, interrogativo: - “Como assim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, misteriosa: - “Eu me roubo de você”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, insatisfeito: - “Como assim, você se rouba de mim”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, subjetiva: - “Eu roubo eu mesma de você”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, tenso: - “Você ta me confundindo... Como é isso, de me roubar de mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, excitada: - “Quando você me faz gozar, eu estou roubando eu mesma de você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4624317367648061110?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4624317367648061110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4624317367648061110&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4624317367648061110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4624317367648061110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/02/quando-ela-rouba.html' title='Quando Ela Rouba'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R8HZcxJ0viI/AAAAAAAAAKI/QON8QN44nXw/s72-c/Adore+by+Jerry+Clovis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-3189226547180094850</id><published>2008-02-21T19:14:00.005-03:00</published><updated>2008-02-21T19:42:36.488-03:00</updated><title type='text'>Um Copo de Cólera</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R734xRJ0vhI/AAAAAAAAAKA/YBnc5o6DDBo/s1600-h/The+Last+Judgement,+detail+of+the+damned+in+the+River+Styx+and+Charon%27s+boat+full+of+passengers,+before+1562+by+Domenico+Robusti+Tintoretto.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169561472593083922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R734xRJ0vhI/AAAAAAAAAKA/YBnc5o6DDBo/s400/The+Last+Judgement,+detail+of+the+damned+in+the+River+Styx+and+Charon%27s+boat+full+of+passengers,+before+1562+by+Domenico+Robusti+Tintoretto.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;imagem: The Last Judgement, before 1562 by Domenico Robusti Tintoretto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Trouxe flores mortas pra ti&lt;br /&gt;Quero rasgar-te e ver o sangue manchar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Legião Urbana, em  &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1U0MonQ3YCY"&gt;A Tempestade &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você ainda não entendeu é que nunca mais verá meu riso cúmplice deslizar pelas veias do seu pescoço branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais encostará em meu peito seus cabelos molhados como chumaço de curativo que pedem alívio para a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais terá de mim a saliva que umedece a dúvida e encobre suas mentiras fabulosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais viverá comigo a tarde de quarta-feira deitada no parque sobre a grama coberta pela canga que levaste como se fosse um divã móvel. Nunca mais me contará dos anseios ardentes de menina em tempo de mulher, das fantasias sexuais que abalam uma vida convencional e que adoçam os dias amargos de quem quer viver o fogo intransigente do fim próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais me fará encher o tanque do carro para descer a serra só para andar descalça sobre a calçada da praia numa sexta-feira à noite qualquer e sentir a brisa provocada pela movimentação das ondas, molhar os pés e se oferecer para o mar. Nunca mais terás de mim o mesmo amor que encontraste na intensidade e exuberância da vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais seu telefone tocará após a meia noite para transformar seus desejos luxuriosos em mãos que te atacam no escuro da sua sala grande e confortável, abafando seus gemidos e protegendo seus pais e irmãos que dormem tranqüilos nos quartos de cima. Nunca mais seu telefone terá lábios que extraem de seu sexo o suco que a estremece deixando-a suspensa sobre o sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais terás a minha loucura para seus mimos que tanto me divertiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais fará de mim brinquedo que manipula com seus dedos macios e ferinos como rosas carregadas de espinhos. Não decidirá o lugar e muito menos os minutos quebrados do horário para me apanhar. Não dirá em qual copo devo derramar minha vodka ou qual sabor de pizza não devo pedir. Dirigirei na contra mão atravessando o farol vermelho e não escutarei a ordem do policial corrupto e assassino para parar. Levarei um tiro na cabeça ouvindo feliz no volume máximo Franz Ferdinand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero Arcade Fire no meu funeral. Eu sei que para sempre só você entenderá as minhas razões musicais. Mas antes, não terás mais minha entrega para compartilhar ao seu lado a nova música da nova banda que preenche de alegria e motivação meu ultrajado espírito. Não doarei mais minha alma para relembrar contigo o gosto fértil de quando éramos jovens ao lado daquelas velhas bandas e suas nunca ultrapassadas canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais será premiada com músicas escolhidas como cenas de um filme de amor que têm esperança e reparação no final. Nosso último filme teve o suicídio do amor na última cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais será celebrada por mim como musa inquieta e inalcançável. Eu te escalei o suficiente para te viver por cima e por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me faz sangrar o som da fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais lerá na saudação inicial de um e-mail meu os adjetivos que sempre encheram de ardor juvenil seu coração de estátua de cera. Não encontrará no fim do mesmo bilhete virtual a despedida que se contorcia como grito na forca na espera de vê-la outra vez. O carteiro entregando um envelope branco com uma folha rosa dentro amparando meia dúzia de pensamentos em você virou um registro apagado na memória da calçada da rua da sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais meu abraço virá acompanhado do beijo que encarna a sua presença na lembrança dos anos que presenciaram minha transição de menino para o que sou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais encontrará em meus olhos flamejantes o conforto que sua mãe já lhe deu, a segurança que seu pai nunca lhe assegurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais terá de mim a força de um coração esguio que ampare com a ternura dos ouvidos as lamentações de sua boca inconseqüente. Nunca mais encontrará em meus pulsos limpos o abrigo para descansar as imperfeições de sua alma egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou mais disposto a lhe promover em palavras que alimentem seu ego narcisista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais minha língua pulsara dentro de ti como início de vida clamando para nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais viverá em meus lábios a sede da procura pelo amor definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou uma campainha que não toca, os cachorros que não latem, o portão automático enferrujado que não abre, o reboco embolorado da parede do corredor descascando pela ação estagnada do tempo. Sou palmas mudas em frente a uma casa fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você ainda não visualizou na retina desfigurada dos dias que criou para nós é que nunca mais serei seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você ainda não entendeu é que não encontrará mais em meus dias os vestígios de nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-3189226547180094850?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/3189226547180094850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=3189226547180094850&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3189226547180094850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/3189226547180094850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/02/um-copo-de-clera.html' title='Um Copo de Cólera'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R734xRJ0vhI/AAAAAAAAAKA/YBnc5o6DDBo/s72-c/The+Last+Judgement,+detail+of+the+damned+in+the+River+Styx+and+Charon%27s+boat+full+of+passengers,+before+1562+by+Domenico+Robusti+Tintoretto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-8829275688501930535</id><published>2008-02-10T09:55:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T10:28:05.785-02:00</updated><title type='text'>Ventura</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R67okBJ0vgI/AAAAAAAAAJ4/QN_BcX2i7rM/s1600-h/sylviaji_gardenofsin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165321528123112962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R67okBJ0vgI/AAAAAAAAAJ4/QN_BcX2i7rM/s400/sylviaji_gardenofsin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;imagem: &lt;a href="http://www.sylviaji.com/index.htm"&gt;by Sylvia Ji, Garden of Sin&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“And I awake from dreams&lt;br /&gt;To a scary world of screams”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jesus and Mary Chain, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dvfmQOyQt5c"&gt;Darklands&lt;/a&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando te vi pela primeira vez, vislumbrei ao beijar-te com um singelo toque no rosto complementado de um imprevisível abraço, o cheiro latente de mulher hábil e experimentada, provocante e requintada, dessas que desafiam suspiros desesperançosos e galanteios obscenos por onde passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite você usava salto alto, o que me fazia sentir um individuo nanico, um ser visto abaixo do seu nariz, que já procurava roubar seu ar mesmo sem conhecê-la, capaz apenas de contemplar tamanha formosura com olhares que se revezavam entre a margem carnuda de sua boca e a sede do mistério do seu olhar. Ainda hoje seus olhos são um culto secreto cuja porta de entrada é inacessível. Sua beleza era tão radiante que chegava a cegar qualquer resquício de juízo, tão imponderável que o novo ocultava qualquer presença de culpa ou pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas conversas fluíam fáceis como se sentissem atraídas, como que compartilhassem as mesmas sensações de alegrias e incertezas percorridas pela vida. Nossas conversas entreolhavam-se com interesses lascivos e secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me preocupava em conhecer detalhes de onde vinhas nem se iríamos para algum lugar. Perturbava-me apenas a dúvida da liberdade de poder abraçá-la longa e publicamente, de acariciar-lhe as mãos e de estalar seus dedos quando estivesse distraída, de dirigir com vidros abertos e perceber o vento desalinhando impetuosamente seu cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me visitava a possibilidade das conseqüências de uma aventura errante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente a paixão instalou-se de forma desenfreada e explosiva. Mal nos conhecíamos e já estava conhecendo suas sobrinhas e gatos. Eu pouco sabia do bairro onde mora e já te buscava na faculdade. Sua mãe nem sabia ao certo como eu me chamava e já preparava minha sobremesa preferida. Meus amigos mais íntimos a recebia em casa e a convidava para passeios. Minha mãe não trocou seu nome quando a conheceu. Você se tornou um hábito dominador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que existíamos para o outro há décadas, que havíamos crescido e brincado na mesma escola e que nossas famílias sempre haviam sido amigas nessa vida. Sentia como que sempre estivesse estado presente e soubesse - não sabendo - nosso destino certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora parece que a ressaca de nosso amor encontrou os obstáculos que o impedem de seguir. Descobriu que qualquer vida tem seus passados de brilhos rústicos ou sombrios imaculados, e que qualquer nova história só será forte e terá valor se souber lidar de forma matura com esses aspectos e adversidades. E a maturidade parece ainda não ter se apresentado para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta indesejada da vida passada de alguém será sempre uma mancha cinza e dolorosa na lembrança de quem você é antes de conhecer o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia quando te olho, uma luz frouxa se aproxima e afasta com raiva a beleza dos tempos afortunados em que nos conhecemos. Uma sensação de insatisfação com o caminho percorrido me absorve pelos dentes e adormece qualquer indício de sentido do meu corpo. Os acontecimentos que existiram antes de nós tornaram-se nossa derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desde que éramos crianças, eu só queria ter sido seu domingo de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-8829275688501930535?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/8829275688501930535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=8829275688501930535&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8829275688501930535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8829275688501930535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/02/ventura.html' title='Ventura'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R67okBJ0vgI/AAAAAAAAAJ4/QN_BcX2i7rM/s72-c/sylviaji_gardenofsin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-1213999378143126843</id><published>2008-02-03T13:09:00.001-02:00</published><updated>2008-02-03T13:23:38.991-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ausência'/><title type='text'>A Vida Secreta das Palavras</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R6XaAVNmRKI/AAAAAAAAAJo/GT0caft7gsY/s1600-h/61179.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162772247079175330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R6XaAVNmRKI/AAAAAAAAAJo/GT0caft7gsY/s320/61179.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#3333ff;"&gt;imagem: Naked Young Man Sitting by the Sea, 1836 by Hippolyte Flandrin&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Everyday is like sunday&lt;br /&gt;Everyday is silent and grey”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Morrissey, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SW9MlEFwdNc"&gt;Everyday is Like Sunday&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meu silêncio é amigo zeloso. Respeita nossa história como se fizesse reverência a coisas sagradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio destila mel sobre o amargo de nossas imperfeições, atribui peso de valor onde há uma medida vazia, apaga o cinza que seu coração manchou, sopra as cinzas da fogueira da sua vaidade. Meu silêncio promove meios de vida à nossa amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio protege você de mim. Cala teu sussurro perto do meu olhar, evita o afago do rosto quando devo cumprimentá-la, escurece a respiração antes de nosso abraço, afasta o vento que desliza pelos fios dos seus cabelos, desvia o toque secreto dos lábios no momento da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio pensa em você mais do que eu. Não me deixa insultá-la, não me permite a réplica veloz, me afasta do revide à suas calúnias infantis e mimos burgueses, me segura quando deveria espancá-la com as palavras mais ácidas, quando deveria cuspir no céu de nosso passado o quanto fiz sem nunca receber em troca o olhar de quem entende o significado do sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio releva suas mentiras. Simula acreditar em todas as bebidas que acompanham suas fantasias e acepções. Meu silêncio revela o quanto o amor é submisso e covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio passa a pé em frente a sua casa para encontrar no vazio da calma o arrependimento necessário para seguir adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio contradiz a expectativa de eu não ser mais aquele que esteve ao seu lado. Meu silêncio é carregado de sons que nunca lhe abandonaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio faz sigilo comigo mesmo para que você não saiba o quanto nossas lembranças passadas refletem a memória do presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio é colchão de retalhos que absorve o impacto da nossa falta de intemperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio ampara meus dedos sobre as teclas do computador, reduz minha raiva, desacelera minha fúria, perdoa sua insanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio seca as lágrimas de um domingo a tarde qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio é grito aprisionado no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio é mais impetuoso que sua cólera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio é fingimento para viver tão perto de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu silêncio não é abandono, é refúgio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-1213999378143126843?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/1213999378143126843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=1213999378143126843&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1213999378143126843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/1213999378143126843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2008/02/vida-secreta-das-palavras.html' title='A Vida Secreta das Palavras'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R6XaAVNmRKI/AAAAAAAAAJo/GT0caft7gsY/s72-c/61179.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-8890368411280187081</id><published>2007-12-12T14:32:00.000-02:00</published><updated>2007-12-12T14:39:59.099-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Across the Universe</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R2ANmU7vsSI/AAAAAAAAAJg/TUW7AX5M4Us/s1600-h/Walnut+Tree,+1998+by+Robert+Hobhouse.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143125726562595106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R2ANmU7vsSI/AAAAAAAAAJg/TUW7AX5M4Us/s320/Walnut+Tree,+1998+by+Robert+Hobhouse.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Walnut Tree, 1998 by &lt;a href="http://www.oddyart.com/oddy.asp?page=exhibitionframe&amp;amp;exid=59"&gt;Robert Hobhouse&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“All you need is love&lt;br /&gt;All you need is love&lt;br /&gt;All you need is love, love&lt;br /&gt;Love is all you need”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Beatles, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MuADh_FIsv8&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;All you need is love&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se agita em dias de calor intenso. Perde o sono, pede água, respira as frestas da janela. Chuta o lençol, arranca toda a roupa, arregala os olhos para o teto do quarto, sobe no telhado só de calcinha azul, bate papo com a lua de um céu claro e seco. Ela quer o frescor de um beijo no rosto, a suavidade de uma canção ao luar, ser o mistério de uma meia lua sobre o próprio corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pequena, vivia brincando de escorregar pelo corrimão da escada da casa, achava que podia surfar nele, que aquela peça longa que servia de apoio para suas mãos poderia ser sua prancha fora do mar, e que a almofada grande colocada em frente aos primeiros degraus da escada iria sempre suavizar sua descida. Vivia achando que poderia substituir a bola de boliche na função de derrubar os pinos. Sem que os pais a vissem, tomava distância e corria em direção a pista estreita e deslizava o corpo ereto e os joelhos dobrados calculando a freada impossível antes de atingir o ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adolescente, passeando com amigos na praia, conheceu um garoto que vestia uma camiseta de banda que ela ainda não conhecia. Não era a banda preferida dele, mas tinha influências de um grupo dos anos 60 que havia marcado a geração de seus pais tornando-se referência para muitas outras. Ele tinha um sotaque distante e diferente, um sorriso e olhar que viravam canção com o barulho do mar. Ela sentiu vontade de cantar aqueles olhos musicais, de dançar ao ritmo dos movimentos daqueles lábios, de abraçar no ar aqueles fios de cabelos que balançavam ao sol como notas de fá e dó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma tarde ele achou um graveto queimado na areia, pegou-o do chão, segurou na mão dela e começou a correr em direção aos fundos de uma casa. Começou a desenhar na parede branca o rosto gentil da moça com o esmero de uma tatuagem sobre o peito. Queria registrar com precisão o detalhe do olhar que só se vive uma vez. Pediu para que ela se aproximasse um pouco mais, os rostos inclinaram-se, os lábios fecharam os olhos, e a lua deitou-se sobre a areia e o mar daquela tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles passaram a misturar os lençóis de cama e a largar peças de roupas pelos cômodos. A empilhar a louça na pia e nunca se preocupar com a geladeira vazia. Não faziam questão de televisão, faziam amor durante o dia e iam ao parque a noite após assistir a algum show. A vida fazia mais sentido quando existia a ausência de deveres. Os dias tinham mais alegria, o verde mais limão, o vermelho mais morangos, o azul mais céu, o amarelo mais sol, as noites mais guitarras e violões. O mundo tornava-se um lugar melhor quando era permitido amar sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus corações o mundo era um circo delirante e de alucinações vibrantes. Um balão solto na atmosfera estável de uma lona de picadeiro. Seres laranja brincando com girafas, girassóis e dromedários. Um mergulho em grupo num rio de águas fosforescentes ao encontro de um pássaro com cabeça de mulher. Um abraço empolgado na divindade dos rios, um sussurro e uma declaração de amor eterno no ouvido da mulher nova e formosa. Um passeio lisérgico de ônibus pelas entranhas dos bosques, campos e florestas. Em seus corações o amor dividia-se em múltiplos seres e coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mundo gira devagar em mudanças repentinas. A flor pára de nascer no mesmo lugar, a chave não abre mais a mesma porta, o carteiro passa rente a caixa de correspondência sem deixar novidade, o elevador não pára mais no 8º andar, o café não é fresco e a margarina não derrete mais no pão quente, a verdura verde e viva na geladeira estragou, o cabelo não pode ser longo e a calça não pode ser rasgada, a velha canção de teor político perdeu o sentido, a lembrança do olhar do menino que cresceu procurando o pai congelou em algum instante inóspito do passado. A ignorância humana sangra campos de morangos e a cólera dilacera corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ela tem que lidar com a casa cheia de cômodos e discos, a falta de um ventilador no quarto, um carro velho que a deixa na mão a cada quinze dias, passar os olhos diariamente nas manchetes de jornais que falam sobre mais um escândalo de corrupção no governo que ajudou a eleger, a preocupação de ganhar dinheiro para comprar os livros que ainda não tem, e sempre pensar na possibilidade de encontrar o mesmo velho amor na calçada de um bar, na areia da praia, no final do corrimão da escada do metrô ou do shopping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela queria ser o luar e seduzir o sol para não ter mais que se preocupar em encontrar o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade, tudo o que ela queria era segurar a mão dele e caminhar ao redor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-8890368411280187081?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/8890368411280187081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=8890368411280187081&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8890368411280187081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/8890368411280187081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/12/imagem-walnut-tree-1998-by-robert.html' title='Across the Universe'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R2ANmU7vsSI/AAAAAAAAAJg/TUW7AX5M4Us/s72-c/Walnut+Tree,+1998+by+Robert+Hobhouse.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-178284663547259194</id><published>2007-12-02T21:05:00.000-02:00</published><updated>2007-12-02T21:19:58.269-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='felicidade'/><title type='text'>Azul Olímpico</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R1M9bU7vsRI/AAAAAAAAAJY/mvzDRycsWvc/s1600-R/Small+Blue+Head,+1998+by+Graham+Dean.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139519139444928786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R1M9bU7vsRI/AAAAAAAAAJY/aoef8dwIP6k/s400/Small+Blue+Head,+1998+by+Graham+Dean.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Small Blue Head, 1998 by &lt;a href="http://www.grahamdean.com/"&gt;Graham Dean&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Olha lá quem sempre quer vitória&lt;br /&gt;E perde a glória de chorar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Los Hermanos, em O Vencedor&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A segunda-feira, a segunda série, a segunda chance, a segunda dor, a segunda cruz, a segunda vez, o segundo voto, a segunda descoberta, a segunda via, a segunda rua, a segunda roda, a segunda bola, a segunda bicicleta, a segunda rabeira, o segundo carro, o segundo defeito, a segunda mania, a segunda alegria, a segunda celebração, a segunda amizade, a segunda intenção, o segundo telefonema, a segunda conversa, a segunda boca, o segundo olhar, o segundo beijo, o segundo doce, a segunda cama, a segunda gaveta, a segunda primeira vez, o segundo trago, a segunda dose, o segundo copo, o segundo ato, o segundo quadro, a segunda derrota, a segunda tensão, o segundo tesão, a segunda bebedeira, a segunda alternativa, a segunda vitória, o segundo milagre, a segunda fé, o segundo dente, a segunda mão, a segunda face, o segundo fio, o segundo pelo, o segundo tapa, o segundo tropeço, o segundo suspiro, o segundo segundo, o segundo lado, a segunda sede, a segunda parte, a segunda pátria, a segunda escola, o segundo escoteiro, o segundo sinal, o segundo parto, a segunda união, a segunda à direita, a segunda à esquerda, de segunda mão, a segunda pergunta, a segunda resposta, o segundo hábito, o segundo tapete, a segunda dança, a segunda mesa, a segunda ceia, a segunda santa, o segundo acaso, a segunda namorada, a segunda alma, a segunda marca, o segundo caso, o segundo canto, o segundo agudo, a segunda dispersão, o segundo amigo, o segundo irmão, a segunda Maria, a segunda flor, o segundo sol, a segunda lua, a segunda água, o segundo raso, a segunda noite, a segunda diversão, o segundo sentido, o segundo caminho, o segundo desvio, a segunda tristeza, a segunda margem, o segundo dia, a segunda banda, a segunda bala, o segundo calibre, o segundo tempo, a segunda chuva, o segundo feito, a segunda barreira, o segundo emprego, a segunda caixa, o segundo sapo, a segunda queda, o segundo grito, o segundo lugar, a segunda esperança, a segunda tentativa, a segunda mesa, a segunda casa, a segunda bebida, a segunda sexta, a segunda lágrima, o segundo verso, a segunda linha, a segunda escolha, a segunda história, a segunda canção, a segunda memória, o segundo antes, o segundo depois, o segundo enquanto, o segundo branco, o segundo vermelho, o segundo azul, o segundo preto, a segunda tempestade, o segundo início, o segundo meio, a segunda borboleta, o segundo frame, a segunda notícia, o segundo palpite, a segunda certeza, a segunda vela, a segunda reza, a segunda terra, a segunda emoção, o segundo retorno, a segunda mãe, a segunda irmã, o segundo filho, a segunda geração, o segundo filme, o segundo livro, o segundo autor, o segundo personagem, o segundo flash, o segundo choro, o segundo berro, a segunda cura, o segundo excesso, o segundo gosto, o segundo amargo, o segundo conceito, o segundo aceito, a segunda morte, o segundo enterro, o segundo campo, o segundo acesso, o segundo rolando, o segundo jogo, a segunda decepção, a segunda realidade, o segundo velório, a segunda decisão, o segundo saber, o segundo recuo, o segundo profundo, a segunda ilusão, a segunda taça, a segunda pílula, a segunda seita, a segunda pelada, o segundo jogador, a segunda posição, o segundo time, o segundo coração, a segunda vida, o segundo fim, o segundo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo que passou eterniza o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns Corinthians pela Segunda Divisão.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-178284663547259194?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/178284663547259194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=178284663547259194&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/178284663547259194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/178284663547259194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/12/azul-olmpico.html' title='Azul Olímpico'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R1M9bU7vsRI/AAAAAAAAAJY/aoef8dwIP6k/s72-c/Small+Blue+Head,+1998+by+Graham+Dean.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-6075196470889997223</id><published>2007-11-25T02:43:00.000-02:00</published><updated>2007-11-25T02:51:03.151-02:00</updated><title type='text'>O Livro dos Dias (ou Temporada das Flores)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R0j_Ds9aZ7I/AAAAAAAAAJA/eFvKYubPEKs/s1600-h/Malevich+Inspired+by+Jung+Sook+Nam.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136635814089484210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R0j_Ds9aZ7I/AAAAAAAAAJA/eFvKYubPEKs/s320/Malevich+Inspired+by+Jung+Sook+Nam.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;imagem: Malevich Inspired by Jung Sook Nam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Será que você vai saber&lt;br /&gt;O quanto penso em você com o meu coração?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Legião Urbana, em O Descobrimento do Brasil&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que desci os seis lances de escadas que separam o teatro do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/index.jsp"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Centro Cultural do Banco do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; no centro velho de São Paulo do seu térreo apenas para que o vento batesse em meu rosto e secasse as lágrimas ainda úmidas. Acho que evitei a companhia de Marcelo Rubens Paiva no elevador para que ele não percebesse meus olhos vermelhos e incontrolavelmente marejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi meu terceiro contato com o, digamos, dilacerante espetáculo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=32670&amp;amp;cod=1"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Renato Russo – A Peça&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, e ainda não me acostumei aos efeitos colaterais causados por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez, lá em setembro, viajei até a cidade de Santos para conferir o espetáculo no gigante teatro Coliseu, com características barrocas. Um abrigo perfeito para o ego do artista que ali seria reconstituído. Era especial para mim ir até lá, havia presenciado duas apresentações da Legião Urbana naquela cidade, e a última vez havia coincidido de forma desastrosa com a história do último show da vida da banda. Ao final da peça, só sabia bater palmas ininterruptas para o talentoso ator Bruce Gomlevsky que interpreta e encarna de forma assustadora e convincente a alma e o espírito do poeta e cantor Renato Russo. Acho que fui a última pessoa a dar as costas para o palco do Coliseu naquela noite. Estava incrédulo com o que havia visto. Era incrédulo o que sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo e terceiro contato com a peça foi ontem e sexta, aqui na capital. Teatro pequeno, capacidade para 125 testemunhas apenas, quase uma apresentação fechada. Um convite para assistir com o rosto entre a janela da casa e o quintal da saudade da complexa, rica, dolorosa, lírica e atormentada alma do artista quando jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruce Gomlevsky não canta bem, mas impressiona e marca a pele e a memória do espectador com gestos, jeitos, e olhares de um Renato Russo de carne e sentimentos tão vivos quanto o ator que aperta a mão de quem está na primeira fileira. Aproveita-se só um pouco do humor ferino do Renato para torná-lo o melhor amigo outra vez. Planta em mim a curiosidade de saber qual o meu ascendente ou pense no meu mapa astral. Faz as pessoas rirem como se ele nunca tivesse sido visto como um ser dramático, mas sim como comediante romântico. Faz eu senti-lo com o coração; o coração de quem viveu intensamente as histórias, as entrevistas, as dúvidas, as expectativas do novo disco e do próximo show. Faz eu ter vontade de dançar com a minha própria sombra. Mostra como híbridos são meus sentimentos e constante é a incoerência humana. Escancara nos rostos das pessoas a dor de quem não escolheu o sofrimento como opção. Inevitáveis são a perda e a partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inevitáveis também parecem ser os efeitos colaterais do espetáculo. Algo tão dramaticamente belo, tão rico em detalhes que sempre figuraram a imaginação coletiva dos fãs, tão sincero e ético como toda homenagem póstuma deveria ser, ainda assim, machuca o coração de quem esteve tão perto. Agita e ferve a cabeça de quem só ouviu falar. Embaralha as lentes de quem só descobriu agora. É uma sensação que vem para reviver aquilo que se perdeu e lembrar o que poderia ter sido. Sensação que não sabe para onde vai depois que chega. É uma saudade cheia de preces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser difícil encarar o Renato Russo de Bruce Gomlevsky nos olhos. Ele é atormentado, carrega o mundo nas costas em forma de dor; é solitário e busca o sentido da vida em um novo amor. O amor é tempo que acalma a vida e esta é incompreensível. A vida dele é amor e assim como o tempo, ambos são fugazes. O olhar de Bruce Gomlevsky é persuasivo. O Olhar de Renato Russo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje está difícil olhar para o quadro com a fotografia de um show na parede do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais fácil morrer para se sentir fantasma e ter coragem para perguntar sobre o título daquela canção; ou mesmo, assim, como velhos amigos, “como vai a vida, Renato?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-6075196470889997223?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/6075196470889997223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=6075196470889997223&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6075196470889997223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/6075196470889997223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/11/o-livro-dos-dias-ou-temporada-das.html' title='O Livro dos Dias (ou Temporada das Flores)'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/R0j_Ds9aZ7I/AAAAAAAAAJA/eFvKYubPEKs/s72-c/Malevich+Inspired+by+Jung+Sook+Nam.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-2273988780180053259</id><published>2007-11-12T22:48:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T23:10:29.537-02:00</updated><title type='text'>Sol no Coração</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rzj1il_FleI/AAAAAAAAAIw/fJG58JJ1qeM/s1600-h/Gecko,+1998+by+Vivika+Alexand.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132121750049756642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rzj1il_FleI/AAAAAAAAAIw/fJG58JJ1qeM/s320/Gecko,+1998+by+Vivika+Alexand.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Gecko, 1998 by Vivika Alexander&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Quando o sol me iluminar&lt;br /&gt;Estrela de calor e luz&lt;br /&gt;Vem me acordar&lt;br /&gt;Eterna como a vida é&lt;br /&gt;Sempre a acabar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Astromato, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://mmrecords.com.br/wp-content/uploads/bandas/astromato/melodias-de-uma-estrela-falsa/01-Sonhos%20De%20Alta%20Definicao.mp3"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sonhos de Alta Definição&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Tem dias em que procuro o sim. Desencontro-me dos motivos de desistir e da condição de negar. Abraço um perfume cor de jasmim, beijo uma corrente de ar no corredor do quintal, desloco o queixo branco sobre lírios roxos no muro da vizinha. Convido as pombas na garagem para passear, cumprimento o cão com uma batida no peito. Faço continência para o gato preguiçoso deitado sobre a boca do poço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto as folhas da árvore no chão e penso na sutileza e na fúria dos ventos que as derrubaram. Pego a mangueira d’água e esguicho meu nome sobre as plantas. Não meço a quantidade de água que desperdiço no quintal, estou matando a sede da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me preocupo com a porta aberta da geladeira, não controlo a luz da lâmpada acesa no banheiro, não verifico se desliguei o gás do fogão ou tranquei a porta da cozinha, deixo a cortina desalinhada e a janela entreaberta; não cuido da casa, minha casa é que cuida de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrolo uma canção num guardanapo e deixo sobre o capô de um carro vermelho qualquer. Esqueço um livro de bolso no banco do metrô, ofereço o guarda-chuva para a velhinha que vai atravessar a rua. Grito com o farol amarelo: “você não sabe, mas é laranja”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afogo o pãozinho com margarina na caneca de café da padaria repleta de pessoas estranhas vestidas com ternos escuros e mulheres elegantes com seus saltos agulha de furar gelo. O pãozinho com margarina afoga minha diferença de classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço licença ao morador de rua para tirar uma foto de seu abrigo. Seus tapetes são papelões de fogo. Suas cobertas é o fogo em forma de papelão. O vento que passa por ali cheira a querosene. O clique da foto provoca combustão temporária no coração. Seu sorriso de janelas abertas é o consentimento da licença para pisar na calçada de sua morada. Suas marcas no rosto é o fluxo luminoso da vida que passa ausente de concessões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a menina branca de sardas atravessa o portão de casa vejo uma criança sapeca e radiante correndo de braços abertos na minha direção. Ela se joga contra meu corpo, me beija e me abraça com ternura imaculada. Quando a mesma menina atravessa a porta de casa, as paredes viram-se de costas, o chão afasta a mesinha de centro, o sofá se desloca para o outro canto, o tapete fica maior e colorido, o batente da porta do quarto estica-se, a cama não espera nossa chegada. Essa menina é ninfa que desaloja a casa. Quando ela está em casa, a cidade se ausenta para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que digo sim para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que não procuro o caminho curto, o tropeço certo. Desvencilho-me do andar trôpego, desato as cordas da rua, solto o ar dos pulmões no precipício mais perto. Ralo os calos dos pés, enxugo as feridas das mãos, seco as lágrimas da camisa verde. Imponho no peito a insígnia da fé. Tem dias que digo sim para o que vier a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que aproximo o aconchego de velhos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que não repercuto a falta. A justificativa de quem não veio, a desculpa de quem perdeu o endereço. O descuido com a história, o descaso com o amor. Não culpo quem me esqueceu; perdôo quem me negou. Tem dias que sou indulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dias ardem. Tem tarde. Querem arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que carrego sol no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-2273988780180053259?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/2273988780180053259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=2273988780180053259&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2273988780180053259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2273988780180053259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/11/imagem-gecko-1998-by-vivika-alexand.html' title='Sol no Coração'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rzj1il_FleI/AAAAAAAAAIw/fJG58JJ1qeM/s72-c/Gecko,+1998+by+Vivika+Alexand.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-147532896995824281</id><published>2007-11-02T20:57:00.000-02:00</published><updated>2007-11-02T21:06:36.649-02:00</updated><title type='text'>Chuva no Coração</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Ryur_mMRLbI/AAAAAAAAAIg/GJTKtvg9E1g/s1600-h/Martin+Kenny.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5128381709763554738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Ryur_mMRLbI/AAAAAAAAAIg/GJTKtvg9E1g/s320/Martin+Kenny.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://seenobjects.org/tag/rain"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000099;"&gt;Martin Kenny&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Eu quis querer o que o vento não leva&lt;br /&gt;Prá que o vento só levasse o que eu não quero&lt;br /&gt;Eu quis amar o que o tempo não muda&lt;br /&gt;Prá que quem eu amo não mudasse nunca”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Paralamas do Sucesso, em Um Pequeno Imprevisto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha certeza que hoje choveria. O sol não nasceria em respeito, faria um dia ou mais de silêncio. Não tocaria os sinos das janelas das casas, não entraria pelas fendas estreitas dos telhados. Cederia sua imponência à bebedeira do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje choveria, eu tinha certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olhar para o firmamento do céu lembraria do amigo que não saia da minha casa quando menino pequeno. Das nossas idas à cachoeira em dias de calor intenso, do olhar parado observando em silêncio ou evitando o futuro junto à queda d’água. Das batalhas no campinho de terra que virava lago de lama vermelha quando chovia. Do concreto escaldante da quadra da escola e do alívio das chuvas de janeiro. O amigo de infância faz falta em dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achei que hoje ao abrir os ouvidos enxergaria gotas ácidas de lembranças celestes no quintal. Tomariam formas das manhãs ausentes de preocupações como nos dias que não havia aula (Se o meu amigo ainda não estivesse aparecido em casa, eu iria até a casa dele com a bola embaixo do braço). Formariam poças inquietas de carrinhos disputando corrida sob chuva com pneus de plástico mesmo (Os carrinhos de bateria ou autoramas eram sonhos inalcançáveis na tv). O chão estaria inflamado convidando para um passeio de bolinhas de gude no céu (As pipas estariam em baixo da cama esperando o sol sorrir).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ao levantar, imaginei que ao olhar o céu desceriam lembranças carinhosas e corrosivas. Que o café que estava pronto na garrafa havia sido feito pela minha mãe e que ao subir a escada de cinco degraus até a sala, encontraria meu pai assistindo ao seu programa sertanejo preferido. Eu não brigaria com ele para ver o desenho do pica-pau porque ele só fazia aquilo quando podia estar descansando naquele sofá. O tio, a tia e os primos estariam vindo para almoçar em casa após quatro conduções e três horas de viagem. A saudade do que não existe mais é um fio fino, frio e corrosivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem ao deitar, pensei que hoje assistiria pelas frestas da cortina a um show de pingos incessantes de poesia caindo no quintal. Pingos que tornam a vida ainda mais molhada, como a carta da menina amada que diz que esteve nos últimos dias pensando muito em mim, &lt;em&gt;“nada de mais”&lt;/em&gt; ela frisa, apenas pensando sem saber o porquê; como a ligação do amigo enfatizando que precisamos nos ver antes do ano acabar, o e-mail da amiga que confirma a ida ao teatro sem confirmarmos a data, ou a ligação do outro amigo avisando que não irá em casa porque irá jogar futebol em outra cidade. Os pingos que caem do céu são o apego às pessoas que amamos em forma de reticências molhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, enquanto exponho o coração às linhas desniveladas do tempo, estico o olhar pela janela e quase que posso sentir o cheiro do vento embriagado que passa avisando que vai chover, sim. Quase que posso sentir meu cabelo se mexer com a corrente fresca de ar que invade o quarto. Talvez seja aviso falso, pois há nuvens brancas e espessas como algodão doce lá em cima; e o sol colori todo o resto de amarelo constante. Mas nada muda a sensação aqui dentro, de inverno que se instalou em forma de distância e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias como o de hoje, com chuva ou sol, meu coração é úmido como meu choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-147532896995824281?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/147532896995824281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=147532896995824281&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/147532896995824281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/147532896995824281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/11/chuva-no-corao.html' title='Chuva no Coração'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Ryur_mMRLbI/AAAAAAAAAIg/GJTKtvg9E1g/s72-c/Martin+Kenny.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-5755141984490677562</id><published>2007-10-26T23:55:00.000-02:00</published><updated>2007-10-27T00:01:19.533-02:00</updated><title type='text'>Onde Está a Poesia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RyKa_WMRLaI/AAAAAAAAAIY/dYEg1SHjx_M/s1600-h/Where+Angels+Dance,+2005+by+Lee+Campbell.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125829738980519330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RyKa_WMRLaI/AAAAAAAAAIY/dYEg1SHjx_M/s400/Where+Angels+Dance,+2005+by+Lee+Campbell.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Where Angels Dance, 2005 by &lt;a href="http://www.leecampbell.co.uk/"&gt;Lee Campbell&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“E quando chega o fim do dia&lt;br /&gt;Eu só penso em descansar&lt;br /&gt;E voltar prá casa, pros teus braços&lt;br /&gt;Quem sabe esquecer um pouco&lt;br /&gt;Do pouco que não temos&lt;br /&gt;Quem sabe esquecer um pouco&lt;br /&gt;De tudo que não sabemos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Legião Urbana, em Música de Trabalho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Eu levanto pela manhã sem acordar, sem abrir os olhos, com vontade de encurvar a coluna outra vez e bater o rosto contra o travesseiro. Eu levanto com o cobertor sobre a face para imaginar que ainda é madrugada, para que eu não me encontre com o relógio, não ache os chinelos e sinta a cama me pedindo para voltar. Eu levanto sem pijama para que ela tenha dó de mim e me peça para manter a porta do quarto trancada. Eu durmo de costas para a janela para estreitar a amizade com o lado de lá da cama. Eu levanto pela manhã de olhos fechados pedindo para que o sol espere um pouco mais para me dar bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu bebo café antes de escovar os dentes para mastigar a noite anterior com manteiga. Eu como a noite de ontem para saber que não a perdi dormindo. Eu a levo comigo quando saio de casa para o trabalho na incerteza de que irei encontrá-la na hora de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caminho até o metrô me despedindo do canteiro de flores e da obra do funileiro Alemão no carro vermelho. Digo olá emitindo som de adeus com o balançar do cabelo ainda molhado. Mudo para o outro lado da rua passando entre os carros enfileirados e pensando como seria o nome verdadeiro do Alemão. Nunca nos falamos, sempre nos despedimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entro no metrô disputando lugar na janelinha. Minha vitória é a segurança do cotovelo apoiando o rosto junto ao vidro que ignora a vida que passa do outro lado sem fazer reflexo. Meu conforto é fechar os olhos para dormir na ignorância e acordar aliviado perto do trabalho. Em dias de sorte eu sigo acordado reparando na beleza controversa das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chego ao trabalho com a missão de sobreviver. Os papéis em cima da mesa parecem que fingem estar descansando para me atacar depois. Os e-mails em vermelho significam que a leitura é obrigatória e indispensável. A melodia de dois acordes do telefone que toca é sinal de questionamento sem opção de consulta. A voz feminina que ecoa da sala de vidro não é a da minha menina branca com sardas. O mar não é para peixe e sim para tubarões. O encontro na máquina de café é comercial no jogo da TV enquanto a bola não é reposta em campo. Os amigos da hora do almoço nunca jantaram em casa. Nossas confidências são sobre o desejo involuntário de comer a recepcionista. Na hora de ir embora o corpo vai e a mente parece que ainda está lá, desconfiando do ataque secreto dos papéis. O local de trabalho é o melhor lugar para não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu volto para casa com as chaves presas ao peito. Elas preparam meus pulmões para outras vontades. Facilitam minhas mãos para outras palmas. Iniciam meus passos em outras definições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chego em casa rasgando a folha da porta para nascer uma nova. A folha da porta desenha e separa a brevidade do dia. Pela manhã é obrigação com dever, no retorno é possibilidade de imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entro em casa sapateando o teto dos sinos. Oponho-me ao silêncio linear e temperamental da geladeira, quero a agressão da água caindo sobre a louça na pia, a transfiguração do calor e da luz da chama do fogão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mergulho contra o chuveiro para diminuir a força e a tensão, para moderar a culpa e perverter os pecados, suavizar o retorno e preparar o corpo para o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me espalho pela sala como música que invade a cozinha da casa ao lado. Eu me largo no sofá como livro esquecido com páginas abertas. Eu me esqueço na sala como disco dentro do aparelho. Eu me encontro nos cômodos de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me acalmo em casa como a almofada que dorme serena sobre o tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar em casa é não ter o corpo em casa. Estar em casa é ter o coração mais perto da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-5755141984490677562?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/5755141984490677562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=5755141984490677562&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5755141984490677562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/5755141984490677562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/10/onde-est-poesia.html' title='Onde Está a Poesia'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RyKa_WMRLaI/AAAAAAAAAIY/dYEg1SHjx_M/s72-c/Where+Angels+Dance,+2005+by+Lee+Campbell.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-981461415416981623</id><published>2007-10-19T00:59:00.000-02:00</published><updated>2007-10-20T00:35:12.509-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='para um amigo'/><title type='text'>De Onde Vem o Amor</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(para Jou e Léo)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RxlpKje0Z_I/AAAAAAAAAIQ/vr7ono7jsH8/s1600-h/Ju1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123241681154762738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RxlpKje0Z_I/AAAAAAAAAIQ/vr7ono7jsH8/s320/Ju1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Juliana Araújo&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Your love is the place where I come from”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teenage Fanclub, em Your Love Is The Place Where I Come From&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito para viver, não querem quase nada além do que já possuem. Nada aquém de pensamento positivo, do perfume sereno das flores, do instante mágico e intacto de uma fotografia, do encanto fértil da música, da verdade saliente das cores, e de simplicidade com amizade feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, já têm um barquinho. Um cesto grande com coberta que esconde o sol e equilibra a chuva. Faz cama de sombra para o cão que nada como pato. Flutua sob as águas verdes do rio que descansa a busca do cansaço. Um motorzinho que empurra a vida para o encontro ausente do sossego. Um barquinho que têm dois bancos que transportam o corpo para a volta. O amor deles tem um barquinho fora do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, já são donos de uma ruazinha. Uma rua pequena e estreita de mão dupla que cumprimenta a vida de estranhos transformando-os em velhos conhecidos. Um corredor humanitário que interage com as forças do meio social. Uma viela que salga o sorriso do andarilho que entrega cartas da civilização. Um portão sem calçada que se abre e adoça a imagem do forasteiro chegando. Uma passagem que é uma fenda que abraça o íntimo e a visita. Uma ruazinha que tem o chão revestido de cimento e o céu vestido de brigadeiro. O amor deles é uma ruazinha com endereço só de ida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, já possuem diversas famílias. De tipos variados e de moradas diferentes. Pessoas aparentadas, herdadas ou escolhidas. De peles ou sotaques que se completam, como o sangue do simbolismo ou a aliança das veias. Como o compromisso das palavras e as línguas do coração. Como a raiz dos vocábulos e as folhas da adoção. Como o filho e a filha que ainda virão, como o pai e a mãe que sempre existirá. O amor deles é uma família formada de letras e sons que se apegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, já têm seus anéis simbólicos de casamento. Desenhos pelo corpo que os diferem, aproximam e se encaixam. Colorem e movimentam a vida da relação. Brincos pelas orelhas, nariz e sobrancelhas que se enroscam e mostram independência. Chaves para a caixa do desejo. Trancas da necessária e rigorosa lealdade. O princípio e o desfecho da composição romântica. A intenção marcada no corpo. O amor deles são desenhos e brincos que amparam o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, possuem coisas pequenas e charmosas. Enfeites que realçam e promovem a alegria de estar. Pedras de cerejas coloridas no banheiro, um carrinho dos flinstones que é a casa do peixe barney, a gata maria luiza que faz carinho sem precisar pedir, essências naturais aromáticas que queimam e perfumam o ambiente, um pote de jujubas cor de vinho que desperta a vontade infantil de roubar balas, um colchão com muitas almofadas no piso da sala que escoram o corpo intruso, porta-retratos que são janelas para as lembranças de amanhã. O amor deles é uma casa pequena, quadriculada de listras e estampada de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não precisam de muito, vivem em uma ilha. Mas não uma ilha qualquer, isolada e cercada de água pelos lados, com palmeiras e pássaros cantando. O canto dos pássaros lá é o passeio tranqüilo e o retorno da saudação de bom dia. É uma ilha com moradas, com uma bicicleta com cesta com pães apoiada na entrada do bar, com ruas pequenas e sem nome para chamar de minha. O número 43 pode começar ao desembarcar do barquinho, e o 44 pode estar apenas duas retas e três curvas a frente. A calçada é o eco de seja bem vindo. Lá as ruas pertencem a todos, e mesmo não parecendo que todos vieram do mesmo lugar, os vasos de flores apoiados nas janelas das casas dão a impressão de terem o cuidado das mesmas cálidas e sofridas mãos. O amor deles é uma ilha de aconchego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor vem de onde se produz amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-981461415416981623?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/981461415416981623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=981461415416981623&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/981461415416981623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/981461415416981623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/10/de-onde-vem-o-amor.html' title='De Onde Vem o Amor'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RxlpKje0Z_I/AAAAAAAAAIQ/vr7ono7jsH8/s72-c/Ju1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-4684861164384347228</id><published>2007-10-12T02:07:00.000-03:00</published><updated>2007-10-12T08:07:24.932-03:00</updated><title type='text'>Beijos Insanos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rw8BkDe0Z9I/AAAAAAAAAIA/ON4iDE3sLXw/s1600-h/kind+sein.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120313020265031634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rw8BkDe0Z9I/AAAAAAAAAIA/ON4iDE3sLXw/s400/kind+sein.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://gallery.smsviawap.de/picture.php?cat=search&amp;amp;image_id=1118&amp;amp;search=author:C.St."&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;C.St.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“O doce da loucura é teu, é meu&lt;br /&gt;Pra usar a sós&lt;br /&gt;Eu tenho os olhos doidos, doidos, já vi, &lt;em&gt;mon cherri&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas meus olhos doidos, doidos, são doidos por ti”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nenhum de Nós, em Telhados de Paris&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela disse: &lt;em&gt;“Adormeça em minha boca, suspenda a minha voz, e perca-se em nossos beijos...”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando a beijo, não a beijo; simplesmente, morro em sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não a beijo, escrevo beijos imaginários. Desenho beijos esparsos no ar. Beijo a lâmina do vento, um filete de sol, o manto azul da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a contemplação da água que cai do céu. “Ainda chove por aqui... com esse tempo e com você, eu não sairia da cama. Beijo de manhã de desejos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a intenção material de ser causa. “Antes, na sua memória, depois no seu coração; e quem sabe, fazer parte da sua história. Beijos de sonhos que se movem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo o perigo da salvação. “Beijar você é como se perder e não querer voltar. Beijo perdido de desejo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo horizontes e fronteiras indefiníveis. “Daqui a pouco eu também vou deitar, e quando fecharmos os olhos e o sono vier, estaremos dormindo juntos. Beijos que atravessam cidades pra chegar a você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a excitação de existir. “Ainda falta muito para o dia chegar? Quero que o dia chegue logo para que eu possa beijar a vida em seus braços. Beijos inquietos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a nostalgia de sentir a vida amanhecer da janela. “Ainda não tive coragem de levantar da cama e você não esta aqui. Seu cheiro e nossa vontade estão por todo lugar. Beijo de olhos fechados!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a ardência do pulsar. “Esse beijo onde sua boca suga minha língua me deixa todo arrepiado, o coração em disparada e as pernas bambas. Beijo de língua exposta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a linha tênue que separa o homem do menino. “Saiba que quero estar cada vez mais perto de você. Beijos de longe, que a tornam a parte mais bela do dia!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo a infância que ficou atrás do muro da escola. “A contemplação do seu corpo é ainda mais completa se tenho que admirar sua nova lingerie. Seu corpo embalado é ainda mais provocador e insano. Beijos insanos!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo o movimento arrebatado e vagaroso da densidade. “Nossos corpos nus, nossos corpos colados, nossas pernas entrelaçadas, meu braço embaixo da sua cabeça, meu outro braço sobre seu peito... Não quero sonhar, quero isso tudo de verdade. Beijos avassaladores!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo roubando vida. “Tô saindo agora... levo comigo o seu carinho, a sua dedicação, o seu companheirismo... E ainda mais: o seu cheiro, o seu gosto, a nossa vontade.... Levo você comigo para não devolver mais. Beijo sem devolução!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo o sono que se aproxima. “Agora na cama, quarto todo escuro... Fecho os olhos e, enfim, passo a desfrutar de todo o seu corpo, outra vez”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo o doce do silêncio. “Hoje, só beijos serenos para suavizar as marcas de ontem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a beijo, não a beijo; simplesmente, renasço em sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-4684861164384347228?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/4684861164384347228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=4684861164384347228&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4684861164384347228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/4684861164384347228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/10/imagem-c.html' title='Beijos Insanos'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/Rw8BkDe0Z9I/AAAAAAAAAIA/ON4iDE3sLXw/s72-c/kind+sein.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-7929117379460816708</id><published>2007-10-06T15:58:00.000-03:00</published><updated>2007-10-07T14:58:51.094-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cantiga'/><title type='text'>Cantiga para não Esquecer</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwfbIze0Z8I/AAAAAAAAAH4/xMTygjZyyE0/s1600-h/Sylvia+Ji_Autumn_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118300445834766274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwfbIze0Z8I/AAAAAAAAAH4/xMTygjZyyE0/s400/Sylvia+Ji_Autumn_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000099;"&gt; imagem: &lt;a href="http://www.sylviaji.com/index.htm"&gt;Sylvia Ji, Autumn&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.sylviaji.com/index.htm"&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Oh, maybe I think maybe I don't&lt;br /&gt;Maybe I will maybe I won't&lt;br /&gt;Find my way this time&lt;br /&gt;I hear you're calling me soon&lt;br /&gt;One of these days&lt;br /&gt;Some of these days, and somebody pays&lt;br /&gt;It happens all the time&lt;br /&gt;I'll believing, believing you wanted me to”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Magic Numbers, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kIeR37057ko&amp;amp;mode=related&amp;amp;search=Webster%20magic%20nyc"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Love is just a Game&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como ainda incita meu ser invisível com suas provocações libidinosas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ah se ela soubesse como encarava cada instante nosso como vida urgente e inadiável...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como ainda lembro do frio que subia pelas costas quando a via...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como não sinto mais a dormência das pernas de quando se aproximava...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como meu coração saltava para a garganta quando me beijava...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como sua boca generosa ainda permeia as curvas da minha imaginação...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ah se ela soubesse como encararia uma surra pelo toque daqueles seios outra vez...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como seu sorriso sinuoso é como um feitiço aprisionador sobre meus olhos...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como seu olhar dissimulado ainda confunde e entorta meus passos...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como meus caminhos nunca mais foram estradas para o sol...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como o fogo que existe em mim se tornou um vulcão impetuoso...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como velozes e frágeis são as flores que desenhamos no corpo...&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse como eterno se tornou a saudade da cantiga dos versos que juntos cantamos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Ah se ela soubesse... que eu sei que ela sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-7929117379460816708?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/7929117379460816708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=7929117379460816708&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7929117379460816708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/7929117379460816708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/10/cantiga-para-no-esquecer.html' title='Cantiga para não Esquecer'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwfbIze0Z8I/AAAAAAAAAH4/xMTygjZyyE0/s72-c/Sylvia+Ji_Autumn_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-2263796644789970348</id><published>2007-09-30T23:26:00.000-03:00</published><updated>2007-10-01T00:28:36.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='para um amigo'/><title type='text'>Universo Paralelo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(para o amigo Marcelo)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwBm4ze0Z7I/AAAAAAAAAHw/sSMlNZupgos/s1600-h/elcarnavaldealerquin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116202302771062706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwBm4ze0Z7I/AAAAAAAAAHw/sSMlNZupgos/s400/elcarnavaldealerquin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: Miró, El Carnaval de Arlequim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Hoje é terça-feira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;e todos meus amigos voam&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;com olhos de anis&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;com asas de fogo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;e meus olhos cheios&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;de mágoa então”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vanguart, em &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YCMjH9nDDLw"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Semáforo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passou. Guardo um ramo de lembranças na parte esquerda do peito. Folhas suspensas no asfalto frio da memória. Grãos de areia que formam o deserto molhado da retina. O que vivi de belo preservo com o cuidado da mão leve sobre o cristal. O que vivi de belo preserva o melhor de mim no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo minha vida celebrando o passado e fazendo atualizações do presente. Não preciso citar na construção ligeira de um perfil o quanto já gostei de RPM ou li as letras de Guilherme Isnard como poesias. Quantas vezes me deparei sozinho em um show do Capital Inicial cantando desesperada e insanamente canções como &lt;em&gt;Veraneio Vascaína&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Fátima&lt;/em&gt;. Não preciso contar que música em inglês para mim eram apenas Smiths ou U2 e variantes, ou quase nunca música em inglês, porque eu precisava saber exatamente o que estava sendo dito; hoje quero ter noção apenas do que sinto. Aliás, “só ouço o que me toca”. Não preciso citar minhas canções favoritas da Legião Urbana como as mais importantes da minha vida. Só preciso saber que as vivi intensamente, como quem visitou por raras vezes o parque num domingo de sol ao lado dos pais. Hoje vou ao parque ao lado de outras pessoas não menos importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira namorada foi tão importante quanto a última. Tão necessária para o que sou hoje como a professora Heliete da 4ª série. Tão fundamental para os meus dentes quanto o bochecho com flúor antes das aulas. Tão essencial para os bailinhos do ginásio quanto a prima que passou férias em casa e me beijou na boca aos 12. Eu recordo isso como um brilho eterno de uma mente com lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No universo da música construo relações de amor com o que considero que há de melhor. Minha opinião é individual e não quer fomentar verdade a quem quer que seja; muito menos fazer pose para chamar atenção. Pose é para quem não entende o movimento do próprio corpo. Passei há muito da fase de procurar a menina ideal pelos discos que ela tem em casa, hoje acredito que nossos discos precisam combinar em 25% ao menos. Não sou eu que estou menos seletivo, meu gosto restrito é que é abrangente. Uma frase emblemática como “só o rock é sobre amor” pode parecer discriminatória, mas no fundo representa apenas um elemento pessoal que alimenta e faz suscitar a paixão pela música. Considero meus gostos atuais como evoluções daquilo que conheci. Aquilo que vivi me preparou para aceitar o novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu que vivo em um universo paralelo, é você querido e velho amigo, que não se dispõem a acompanhar o que nasceu e nasce após a nossa rica e perene geração coca-cola. E não me venha com a cega e ignorante resposta de que o que é produzido hoje não presta ou é tudo lixo. O entulho é formado pelo que nossos olhos não acessam e pelo que nossos ouvidos não permitem a visita. Ouvir rock da geração 00 é doar sabedoria em troca de energia e jovialidade. É como sentir o frescor do corpo de uma menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas bandas e canções serão para sempre únicas, como únicos e eternos são alguns amores. E dentre eles, velho e querido amigo, o nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-2263796644789970348?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/2263796644789970348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=2263796644789970348&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2263796644789970348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2263796644789970348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/09/universo-paralelo.html' title='Universo Paralelo'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RwBm4ze0Z7I/AAAAAAAAAHw/sSMlNZupgos/s72-c/elcarnavaldealerquin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-2503478033253239507</id><published>2007-09-27T21:07:00.001-03:00</published><updated>2007-09-27T21:29:31.361-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ausência'/><title type='text'>Brilho Eterno</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvxGJze0Z3I/AAAAAAAAAHQ/_bKMN5S2exw/s1600-h/AliceGuerin_Helleu.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115040411038279538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvxGJze0Z3I/AAAAAAAAAHQ/_bKMN5S2exw/s320/AliceGuerin_Helleu.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;imagem: retrato de Mademoiselle Alice Guerin, de Paul Cesar Helleu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“- Veja você, onde é que o barco foi desaguar&lt;br /&gt;- A gente só queria o amor...&lt;br /&gt;- Deus parece às vezes se esquecer...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Los Hermanos, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-s2nHCiH4iU"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Conversa de Botas Batidas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amor eu sinto a sua falta&lt;br /&gt;E a falta é a morte da esperança”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nando Reis, em &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uC6FGQJKWXs"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Por Onde Andei&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela confessa: &lt;em&gt;"sinto sua falta, mas estava chateada".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela mal sabe como eu me sinto. Como me faz sentir. Como meus dias escureceram sem que o sol se pôr-se. Como a lua invadiu minha retina como se tomasse minha visão para si num eclipse. Como a garoa que cai sobre a estrada que passa próxima à sua casa parece uma tempestade para atravessá-la. Ela mal sabe o quanto me faz falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta seu sofá salmão desfiado pelas gatas, suas gatas brincando de adagas voadoras pelo apartamento, seus nomes perfeitos de filhas que não teremos, as brincadeiras de provocar até sangrar os arranhões e seus carinhos para suavizar o ardor provocado pelo fim da folia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta ficar em pé em frente à sua janela olhando para o vazio da linha de trem que divide o bairro. A luz cor amarelo-avermelhada que invade a sala quando o dia se vai. As luzes das casas e dos carros enfeitando ao longe a paisagem como lâmpadas em árvores de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta o entusiasmo e serenidade que produzia em mim ao tentar lhe mostrar uma banda nova para logo em seguida ouvirmos a mesma velha canção. Como faz falta saber que depois de algum tempo ela descobriria aquela banda e não ouviria outra coisa por semanas, que faria suas viagens de ônibus ouvindo a nossa invisível trilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta não termos realizado o sonho de morar perto para ir ao parque ou ao mercado juntos, fazer ioga ou tarô, jogar sinuca ou palitinho, assistir dvd’s ou copiá-los, ir à exposição dos dinossauros ou à feira de ciências da 4ª série B, ensiná-la a beber cerveja ou descobrir por quem pintou os cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta nossas conversas que começavam no silêncio dos toques dos dedos sobre as mãos, que se estendiam sem rumo ou sentido pelo mistério de não saber como voltar; como faz falta nossas conversas que se afugentavam no encontro do olhar que nos avisava do perigo de não tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta seus cabelos vermelhos esvoaçados como o da foto do deserto de sal, sua pele branca como de renda que ainda formam desenhos no meu olhar de refém, o gosto do algodão cítrico de sua boca que ainda permeia minha memória, o sorriso que encanta no olhar da menina que conheci virgem e já vislumbrava mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta ficarmos sozinhos relembrando os dias que não ficamos juntos, como éramos íntimos sem sermos amantes, como éramos amigos sentindo desejos mútuos, como dividíamos o colchão como quem reparte um prato de comida para dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta lembrar do gosto de nunca tê-la tocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz falta esquecer como é amá-la sem estar presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é difícil sentir a ausência de viver tão perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-2503478033253239507?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/2503478033253239507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=2503478033253239507&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2503478033253239507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/2503478033253239507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/09/brilho-eterno.html' title='Brilho Eterno'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvxGJze0Z3I/AAAAAAAAAHQ/_bKMN5S2exw/s72-c/AliceGuerin_Helleu.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37582872.post-93376953119492480</id><published>2007-09-20T21:16:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T21:50:51.724-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estréia'/><title type='text'>Um Blog para...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvMN_T9YmbI/AAAAAAAAAHI/tCCWxkVkFrY/s1600-h/j%C3%A2nio-1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112445383336303026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvMN_T9YmbI/AAAAAAAAAHI/tCCWxkVkFrY/s320/j%C3%A2nio-1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;color:#000099;"&gt; Imagem: por mim mesmo, dezembro de 1997.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;kkkkkkkkkkkk&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;kkkkkkkkkkkk&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“But each night, I bury my love around you...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Oh each night, I bury my love around you...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;You're linked to my innocence”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Interpol, em Say Hello To The Angels&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um blog para... chegar em casa mais cedo, para sair do trabalho mais cedo, para ler mais em casa, para escrever mais em qualquer lugar; para ficar com o olhar parado e perdido no vazio do trabalho e do metrô enquanto volto para casa; para celebrar o amigo, pensar na amiga, para fazer novos amigos; para me preocupar com epígrafes que adornam e complementam o texto escrito, ou que apenas eu saberei o porquê; para entrar em contato com o mundo fantástico das imagens, e visitar sem querer obras e museus sem ter que passar por filas de aeroportos; para abrir um dicionário de sinônimos e visitar o aurélio, para procurar em alguma gaveta aquela relação impressa com o uso dos “porquês”; para contar as memórias da infância como a criança que está brincando de imaginação; para continuar alimentando os sonhos da adolescência como quem alimenta a ilusão que seu time será campeão na próxima estação; para não confiar no poeta que disse que escrever dói, a dor é descobrir que não será lido; para o meu amigo poeta sentir vontade e necessidade de escrever, para que eu possa reproduzi-lo aqui também; para dissimular a tímidez, ludibriar a solidão e disfarçar a loucura; suprir o esquecimento, desvendar a ausência, estimular minha incoerência; para expandir o que há de bom em mim, para expelir o que há de mau em mim; para uma amiga com tempo livre pensar na possibilidade de ter o seu blog, para saber que ela irá vir aqui me ler; para contar a história de alguém em primeira pessoa, para fazer dela a minha história, para viver a sua vida; para falar em terceira pessoa sem descartar a possibilidade de ser eu mesmo, para confundir o mais íntimo, para por em dúvida o mais distante; para eu ser vários de mim e me transformar em outros; para a música ser poesia, e para a letra encontrar uma canção; para dizer publicamente à alguém que eu a amo, para que ela saiba que a amei; para eu não contar para ninguém no trabalho que tenho um blog, para não diluir a possibilidade da surpresa ao ser questionado – e do espanto de quem pergunta - : “você tem um blog?!”; para sentir a pressão e angústia de não saber se conseguirei escrever o próximo post, para sentir o alívio e orgulho de ter escrito um novo post; para seduzir a mulher desejada, para conquistar uma nova mulher, para homenagear a mulher amada, para reverenciar a possibilidade de amar a mesma mulher; para ter certeza de que tudo é improvável, e relativa é a minha falta de tempo e criatividade; para manter a certeza máxima da afirmação feita pelo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.bideoubalde.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Bidê ou Balde&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;: “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre o amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blog para diminuir o tamanho do sentido e aumentar a sensação de estar. De festejar o amigo, a amiga, as meninas de quinze anos, as mulheres de 29, a banda, a lenda, a sua canção, a nossa música, as descobertas, os cobertores, as caminhadas, os caminhos, os encontros, os ombros, os sabores, os desencontros, a tensão, o tesão, as casas, as asas, os casais, a família, os filhos, as mães, os pais, os pães, as viagens, as virgens, as conspirações, as contradições, as sementes, os ventres, os frutos, os puros, os putos, as intenções, as pretensões, as concordâncias, as dissonâncias, as paixões, as ilusões, as alegrias, os choros, as fotos, os pólens, os êxitos, os êxodos, os beijos, os poemas, os abraços, os textos, a juventude, os shows, as estórias, a amizade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blog para estreitar as metáforas entre as pessoas e alongar o significado da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da palavra amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jânio Dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37582872-93376953119492480?l=janiodias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janiodias.blogspot.com/feeds/93376953119492480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37582872&amp;postID=93376953119492480&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/93376953119492480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37582872/posts/default/93376953119492480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janiodias.blogspot.com/2007/09/um-blog-para_20.html' title='Um Blog para...'/><author><name>Jânio Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08481079214455368788</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_8H7s-xyIsAA/SzLiqAUvc2I/AAAAAAAAAXU/bvb-8TIRvs8/S220/7112.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8H7s-xyIsAA/RvMN_T9YmbI/AAAAAAAAAHI/tCCWxkVkFrY/s72-c/j%C3%A2nio-1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry></feed>
